03/10/2021 às 08h47min - Atualizada em 02/10/2021 às 14h48min

Y2K: referências a moda dos anos 2000 tomaram conta da semana de moda em Milão

Esse movimento de retorno ao passado tem algum motivo ou apenas faz parte do constante ciclo da moda?

Ludimila Coelho - Editado por Flávia Pereira
Desfile da Bluemarine (Reprodução/Instagram)

As tendências dos anos 2000 foram grandes inspirações para a nova coleção de verão da Blumarine. Além de se inspirar no estilo da época, a marca também fez referência a várias it girls desse período e seus looks marcantes, como o vestido jeans usado por Britney Spears no tapete vermelho do American Music Awards de 2001. 

Outras referências que podemos ver no desfile são as calças de cintura baixa, bandanas, o top de borboleta usado por Mariah Carrey e o top de tiras de Paris Hilton


 

Esse movimento de volta aos anos 2000 tomou uma grande proporção esse ano e ganhou até um nome, Y2K(Y = ano, 2 = dois, K = mil). O nome faz referência ao bug do milênio, onde as pessoas acreditavam que os computadores não conseguiriam entender a virada de 1999 para 2000 e isso causaria um problema mundial.

Segundo a especialista em moda, cultura de moda e artes Fernanda Ferrari de 40 anos, essa escolha por reviver a moda dos anos 2000 pode estar relacionada a pandemia que estamos vivenciando. Apesar de defender ser preciso esperar a pandemia acabar para entender os efeitos dela na sociedade, ela acredita ser possível sim, relacionar esses dois eventos, quando comparamos com outros momentos parecidos da história.

 


 

“Esses grandes eventos que mobilizam uma sociedade tem uma tendência a fazer uma grande transformação na mesma. Acho que talvez a pandemia possa apontar para um ponto mais eufórico da sociedade, por conta  do confinamento, então eu acredito que essas cores todas, essa mudança que temos visto, vem mesmo de uma transformação sim. De uma moda mais conservadora que nós vimos nos últimos anos, para uma moda um pouco mais aberta, mais colorida, mais eufórica.” 

 -Fernanda Ferrari

 

A estética Y2K, ganhou muitos adeptos entre a geração Z, fazendo com que a hashtag Y2K passasse de 3,1 bilhões de vídeos no Tik Tok. De acordo com a designer de moda Thayane Ribeiro de 23 anos, a volta da popularização das it-girls que ocorreu com a chegada do tik tok foi uma das grandes responsáveis pela popularização dessa estética. Alguns exemplos dessas it-girls seriam Emma Chamberlain, Suede Brooks e Addison Rae.


 

Thayane  acredita que o crescimento dessas it-girls e do movimento y2k é um dos motivos de ele ter chegado até as passarelas.

 

“A moda sempre foi mais aberta (pelo menos em relação a outros mercados) em entender e receber as novas gerações. Tivemos um exemplo claro esse ano, com Anna Wintour convidando tiktokers para o Met Gala. Basicamente é: se há um novo público com potencial de compra, haverá tentativas de aproximação para que a compra ocorra.”

   -Thayane Ribeiro

A polêmica do Y2K

É inegável que a moda dos anos 2000 divide a opinião da população, enquanto as gerações mais novas amam se inspirar nela, as mais antigas sofrem só de pensar em usar calças de cintura baixa. Mas, porque essa divisão tão grande?

O historiador de moda James Laver, criou uma tabela em seu livro “Taste and Fashion” de 1937, onde define como reagimos à moda do passado:

                                     
 

A professora de moda Fernanda Ferrari, explica melhor essa tabela.

“Quando nós olhamos uma moda de 50 anos atrás ela é curiosa, divertida, nós pegamos os momentos de referência. Aí temos essa geração que viveu aquela moda achando ela ridícula, medonha e sem querer usar. E isso é algo natural, as pessoas que viveram uma tendência na primeira vez, não querem usar ela depois. Mas isso são fluxos da moda, algo que conseguimos perceber com esse olhar mais distante, essa perspectiva mais distante que nós temos da moda.”
-Fernanda Ferrari


Analisando a tabela de Laver é possível entender o porquê de a moda ser considerada cíclica e as teorias existentes que defendem que a cada 20 anos as tendências costumam se repetir. Isso quer dizer que provavelmente daqui a vinte anos estaremos vendo novas interpretações da moda dos anos 2000, mas dessa vez, com a geração Z se recusando a fazer parte desse movimento de retorno.

 
 
 
 
 

Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »