08/10/2021 às 20h48min - Atualizada em 08/10/2021 às 20h26min

Modelos crespas e cacheadas sentem "falta de espaço” no mundo fashion

O padrão existente nas passarelas e revistas ainda exclui modelos negras crespas e cacheadas do mercado

Débora Nascimento - Editado por Larissa Barros
Desfile David Koma Semana de Moda de Londres - (reprodução\Instagram)

Durante muito tempo, existiu um padrão a ser seguido por modelos. Pele branca, olhos claros e cabelos lisos eram vistos como “comum” nas passarelas e capas de revistas. Atualmente, talvez seja até mais comum vermos modelos negras no mundo fashion, por mais que ainda não haja equidade. Porém, ainda sim, raramente as modelos de cabelos crespos e cacheados se destacam neste mercado. 

 

Até hoje, muitas meninas negras, cacheadas e crespas não se veem representadas nas passarelas. E assim, concluem que não fazem parte do mundo da moda. Ou pior, muitas vezes acreditam que não são bonitas o suficiente. Suposições como essa, podem ser cruéis para investimento na carreira de modelo que muitas tanto sonham. 

 

“Existe falta de oportunidade. Eu acho que essa é a palavra certa, porque tem meninas negras, crespas, cacheadas, carecas, lindíssimas. Mas não tem oportunidade, porque sempre tem um certo padrão e quando querem a mulher negra cacheada, não querem a mulher crespa…”, pontuou a modelo fluminense de 28 anos, Ana Castro. 

 

 

Em outras palavras, é habitual notarmos modelos negras, nas passarelas e revistas, com cabelos alisados ou usando perucas e laces. Em 2016, a Victoria's Secrets abriu espaço para modelos negras desfilarem com seus cabelos naturais, o que aconteceu 39 anos após a criação da marca, fundada em 1977. 

 

O Victoria’s Secrets Fashion Show, em Paris, foi onde as tops Maria Borges, Harieth Paul e Jourdana Phillips desfilaram com seus fios afros completamente naturais. E mesmo após esse desfile, a marca não ofereceu representatividade o suficiente, o que acarretou em diversas críticas. E no fim, o evento, que acontecia desde 1995, foi definitivamente cancelado. 

 

Deste modo, pode acontecer de algumas marcas se recusarem a contratar uma modelo, exigir que ela alise seu cabelo ou faça uso de uma peruca. Ana revela que já passou por isso, não só com seu cabelo natural, como também com o uso de tranças e alongamentos que ela costuma usar às vezes. 

 

“Teve marca que entrou em contato comigo querendo que eu fizesse um trabalho, mas pediu para eu mudar a estrutura do meu cabelo... Já tive problemas sim, tanto com o meu cabelo natural, quanto com os alongamentos que eu coloco, tranças e outros…”, afirmou. 

 

Contudo, mesmo que hoje em dia exista o mínimo de diversidade no mundo da moda, é preciso muito mais para transformar esse universo. Para muitas crianças e jovens negras, aceitar seus cabelos naturais, principalmente, crespos e cacheados, pode ser um problema. 

 

A modelo destaca que é necessário “bater na tecla”, e mostrar para essas crianças que independentemente de qualquer coisa, o cabelo delas é sim tão bonito como o de uma mulher lisa. Além disso, ela conta que trabalha esse pensamento com sua sobrinha. 

 

“Eu tenho uma sobrinha de cinco anos, ela tem um cabelo cacheado. E teve fases que ela não gostava do cabelo. Aí, a gente trabalhou com ela o trabalho de construção e hoje em dia ela é apaixonada pelos cachinhos dela. Por quê? Porque desde pequenininha é o ciclo de amizade dela na creche, são crianças, ‘né’? De cabelos lisos e que dificilmente ela se encontrava no meio dela, crianças do mesmo estilo de cabelo dela. Então foi necessário a gente trabalhar nisso e hoje em dia ela é super tranquila. Então é mais do que necessário a gente bater nessa tecla do mercado aí da moda, para abrir mais oportunidades para outras meninas, outras mulheres crespas cacheadas", disse.

 

Portanto, enquanto houver esse padrão por trás do mundo da moda, ainda haverá muita gente se sentindo excluída e pouco representada. Mesmo com as mudanças, é preciso fazer muito mais para tornar o mundo igual para todos. Onde todas as crianças, mulheres e homens se sintam bonitos como realmente são, e não com base naquilo que lhe é mostrado. 

 

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