29/10/2021 às 09h47min - Atualizada em 29/10/2021 às 09h01min

Familiares de médicos são alvos de golpes pelo WhatsApp

Criminosos utilizam foto disponível no site do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) para se passar pelos profissionais

Esther Morais - Editado por Ynara Mattos
Freepik

Residente em cirurgia geral, Paula Strauch teve a foto de perfil clonada por golpistas no final de outubro deste ano. ‘Mandaram mensagem para a minha avó, mas ela não viu. Depois ligaram e ela atendeu, pois identificou minha foto. Eles escreveram pedindo um favor com urgência e disseram que não podiam falar’, conta. A médica atendia pacientes quando foi avisada pelo pai sobre o ocorrido. Neste caso, quem aplicou o golpe confundiu a avó com a mãe da cirurgiã, foi através dessa confusão que o roubo fracassou.

 

Segundo estimativas da Polícia Civil da Bahia, em 2020 até 15 pessoas por dia foram vítimas de golpe no estado. Com o aumento das ocorrências, familiares de médicos tornaram-se alvos recorrentes pelo status social e média salarial da profissão. “Um perfil com minha foto do Cremeb entrou em contato com a minha mãe dizendo que eu mudei de número, mas eu já a havia alertado porque o mesmo incidente aconteceu com vários colegas de trabalho”, diz uma médica que pediu para não ser identificada.
 

As fotos são, na maioria dos casos, retiradas do Cremeb, e aparecem após o preenchimento do nome completo dos profissionais de saúde. No entanto, informações pessoais e números telefônicos são privados e acessados ilegalmente pelos criminosos. Pai e mãe são os contatos mais visados pelos golpistas. Para o delegado do Grupo Especializado de Repressão aos Crimes por Meio Eletrônico (GME) na Bahia, Charles Gomes, os criminosos conseguem os telefones por hackeamento de dados e usam engenharia familiar. Supõem que o telefone obtido seja dos pais, como no caso de Paula.

Os médicos devem denunciar a infração na delegacia, digital ou presencial, para a polícia focar na repressão do delito. Se não houver registro, o criminoso continuará agindo, pois, uma investigação não foi aberta, sinaliza Charles.

 

“Na questão dos médicos eles devem fazer o boletim de ocorrência porque, com certeza, está havendo um furo em um banco de dados relacionado à medicina. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) está sendo ferida em algum momento”, acrescenta. 

 

Em todos os casos ouvidos pela reportagem, a transferência bancária não foi concretizada. Mas o delegado de polícia lembra que, ao se passar por outra pessoa, o crime já classifica-se como falsa identidade com detenção de três meses a um ano. Quando há o estelionato, onde o criminoso obtém vantagem ilícita, por redes sociais, o tempo de reclusão varia entre quatro a oito anos.
 

Habilitar o duplo fator de segurança e conferir, por ligação ou mensagem de voz, se a pessoa da foto de perfil é a mesma por trás do celular são estratégias eficientes para evitar ser vítima de golpes nas redes sociais. Para ativar a verificação em duas etapas, deve-se ir em “Configurações”, depois em “Conta” e em “Verificação em duas etapas”. Após isso, é preciso escolher seis números para o PIN. Os dígitos serão pedidos quando o telefone for registrado em uma nova conta do WhatsApp e não devem ser compartilhados pelo proprietário.

Referências:


CORRÊA, Marjourie. "
Golpes no WhatsApp utilizam a foto de perfil da vítima com um novo número; saiba como se proteger". Folha de Pernambuco. Disponível em:
. Acesso em: 26 de out. 2021

"Golpes por WhatsApp cada vez mais arrojados: saiba como se proteger". Correio. Disponível em:
. Acesso em: 26 de outb. de 2021

 

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