04/11/2021 às 11h06min - Atualizada em 01/11/2021 às 18h37min

Eduardo Maran: professor de música compartilha jornada musical

O músico profissional relata os processos de sua trajetória e como ele auxilia diversas pessoas nesse meio

Gabriela Armelin - editado por Luhê Ramos
Eduardo Maran tem preferência por fazer melodias e diz que seu ponto fraco são as letras. | Foto/Reprodução: Pedro Dini e Filipe Guida F5 Fotografia

O profissional Eduardo Maran, que vive em Muzambinho (MG), concedeu uma entrevista para contar sobre sua experiência musical e sua atuação na educação de indivíduos que desejam aprender música. Em paralelo, expõe como ele continua a seguir esse caminho hoje em dia e quais foram os maiores desafios e maiores proveitos ao longo de sua trajetória.

O início 

Desde pequeno Eduardo se interessou por esse universo, com influências vindas tanto de dentro de casa com seu pai, como na igreja em que frequentava. Por serem dois mundos completamente diferentes, com a atuação da música sertaneja ensinada por parte paterna e com a música gospel da igreja, Eduardo se desenvolveu ainda mais em seus conhecimentos iniciais. 

 

A adoração pela música foi apenas aumentando conforme o tempo. Após um período, Maran foi convidado para participar da banda da igreja, onde aprendeu a tocar em conjunto com outras pessoas. “A igreja sempre foi uma escola para mim, onde aprendi muitas coisas, como tocar em banda [...] Foi muito importante para minha formação musical também”. 

 

Cerca de 1 ano depois, Eduardo começou a frequentar aulas de violão clássico, que auxiliaram muito para seu repertório clássico e seu desenvolvimento musical como um todo. Além disso, comentou que um excelente treinamento foi a questão da falta de internet e a necessidade de se correr atrás dos ensinamentos: “Naquela época não tinha internet, então nós tínhamos que nos virar para aprender a música. Ficávamos escutando a música pelo disco e tinha que ficar anotando a nota musical e voltando para entender o som que ela produzia. Isso tudo me ajudou bastante na minha formação também”. 

 

O início de sua carreira profissional aconteceu a partir do momento em que foi chamado por um rapaz que desejava tocar músicas em sua igreja. O homem queria ter aulas para que pudesse se apresentar e, mesmo com a insegurança quanto às técnicas, Eduardo Maran aceitou o convite e começou a ensiná-lo. Ao mesmo tempo, foi convocado para também ensinar música em projeto social da cidade de Muzambinho, o Centro de Apoio à Vida. Essas atuações foram de grande relevância para que o músico adquirisse sua base na educação musical. 

 

Um amante do rock, Eduardo Maran tem como principal instrumento a guitarra. Mas, apesar disso, não tem seu interesse musical voltado para apenas esse estilo. Entre suas maiores influências ele citou guitarristas como Eddie Van Halen, Slash, Stevie Ray Vaughan e Juninho Afram. Já em outros gêneros, mencionou que Djavan e Oswaldo Montenegro também se fizeram presentes para sua formação musical.

 

Conforme seu crescimento, Eduardo montou uma pequena sala de aulas e produções musicais no fundo da casa de sua mãe. Dessa forma, começou então a realizar pequenas produções e investir mais nessa área, até o momento em que começou a produzir grupos e cantores maiores da cidade e da região. E, foi a partir desse projeto, que surgiu a “Sonata Escola de Música”.

Projetos atuais

Eduardo está inserido em diversos projetos que envolvem a música, tanto dentro de sua escola quanto fora. Na “Sonata Escola de Música”, existem dois projetos: a orquestra de violão que atua juntamente com o coral e a “Roda de Blues”, em que os alunos aprendem sobre rock clássico e improvisos de blues e jazz. Fora do nicho educacional, Maran compõe uma banda de heavy metal cristã intitulada “Deep in Mercy” ao lado de Leonardo Vilhena e Robson Henrique. As músicas do grupo estão disponíveis nas principais plataformas digitais. 

 

Igualmente, Eduardo se dedica à apresentações em casamentos, tanto performances solo como em conjunto com o “Grupo Cuore" - composto também por Ronise, Ronaldo e Rodrigo - que também possui vídeos cantando na internet. E, por fim, Eduardo Maran se apresenta todos os domingos na Igreja Batista Renovada de Muzambinho, tocando violão e guitarra.  

A escola musical de Eduardo

Atualmente, depois de adquirir experiência dando aulas e cursando música em nível superior, Eduardo tem sua própria escola musical que recebe o nome de “Sonata Escola de Música”. A instituição de ensino conta com diversos professores musicais, entre eles sua esposa Thayse Maran, que atua na musicalização infantil.

 

Para Maran, é extremamente importante e gratificante trabalhar com a educação musical de tantas pessoas: “Apesar de ser meu trabalho, o retorno que eu tenho vendo o resultado de algum aluno é imenso. Por exemplo, eu tenho muitos casos de alunos que começaram do zero, não sabiam nada, e aprenderam de uma forma incrível [...] Vários alunos meus hoje se apresentam, fazem shows em restaurantes, fazem performances em casamentos, têm suas músicas próprias.”

 

Dentro da escola, existe um estúdio musical denominado “EM Studio”, em que os alunos têm a possibilidade de trabalharem suas próprias canções e produções. Somado a isso, o profissional contou que além de possuir um método geral de ensino na escola, adota o procedimento de adaptação desse método dependendo da realidade de cada aluno e o que ele pretende com as aulas. 

 

Na escola, são recebidos indivíduos de diversas faixas etárias e por diferentes motivos: “O pessoal da terceira idade procura muito a gente para fazer aulas [...] além disso, existem vários casos de pessoas que foram lá na escola por conta da depressão. Eu me sinto muito grato quando isso acontece e a pessoa vem e me diz que se sente bem com a música e que está melhorando. Temos casos também de pessoas especiais, que fazem aulas com a gente. Isso ajuda muito no desenvolvimento e coordenação dessas pessoas, não importa a idade [...] Muitos querem se profissionalizar, mas alguns também querem apenas uma forma de terapia”. 

 

Outro ponto frisado pelo professor musical, foi a questão do ensino da performance ao vivo. Ele acredita que vencer o medo do palco e da plateia é um dos maiores desafios para a grande maioria das pessoas que estão começando na área. “Para quem está começando é um medo terrível [...] Então, umas 3 ou 4 vezes na semana, nós agrupamos os alunos para fazer apresentações para seus colegas. Essas apresentações podem ser coletivas, mas eu sempre reforço para que eles façam as apresentações individuais também, para se acostumarem com essa prática”, explicou Eduardo. 

 

Mais uma atividade positiva para quem tem receio do palco são os recitais anuais da escola. Esses eventos dão aos alunos a oportunidade de se apresentar para um grupo maior de pessoas. Infelizmente, por conta da pandemia, o ano de 2020 e 2021 não apresentaram recitais devido à impossibilidade de aglomerações. 

 

No que diz respeito à pandemia do coronavírus, o professor declarou que as aulas - ao contrário dos recitais - não foram gravemente afetadas. A escola, durante os períodos de lockdown, optou pelo modelo online de aulas: “Afetou um pouco, mas não afetou tanto”, comentou o professor de música.

 

Entretanto, devido a maioria das aulas serem individuais, a escola conseguiu a licença da prefeitura para retornar às atividades presenciais: “E, nesse período que conseguimos a liberação, foi muito bom para a gente [...] Muitas pessoas me procuraram dizendo que os filhos estavam estressados e deprimidos por conta da pandemia. A escola teve muita procura. Nós conseguimos ajudar as pessoas que estavam precisando de alguma atividade. A escola foi um escape para essas pessoas”, disse Eduardo. 

Desafios da jornada musical 

Quando questionado sobre a desvalorização da área musical, Eduardo Maran concordou que essa situação é uma realidade. Afirmou que as pessoas em geral têm muita dificuldade de associar música a um trabalho: “Às vezes alguém chega para mim e pergunta “Qual sua profissão?” e eu respondo que sou músico. A pessoa já retorna com o questionamento “Mas o que você faz para viver?”. Isso é uma coisa que muita gente ainda não entende [...] Parece que música se trata sempre de um hobbie. Música pode ser hobbie, mas também precisa ser encarada como um trabalho”. 

 

A sua forma de lidar com essa circunstância é: Tentar todos os dias ser o melhor possível. Se esforçar e lutar pelo que objetiva é a receita principal para Maran:  “Temos que sempre tentar buscar o melhor de nós mesmos [...] precisamos mostrar para as pessoas que aquilo é o nosso trabalho e, dessa forma, ir ganhando espaço para ser valorizado e respeitado [...] Isso não acontece do nada, nós precisamos lutar muito por esse reconhecimento”. 

 

Em contrapartida, o profissional acredita que essa desvalorização se dá também por conta de alguns outros músicos que não reconhecem o próprio trabalho. “O próprio músico em alguns casos não se valoriza e não se profissionaliza. Em muitas das situações, um músico que quer entrar na carreira e ganhar dinheiro com isso precisa se valorizar, dar seu melhor, investir nele mesmo e em sua carreira, ter compromisso com ensaios e trabalhar duro”, declarou Eduardo. 

 

Outra grande dificuldade considerada pelo professor é a questão de estar sempre se mantendo atualizado e buscando por novos conhecimentos: “Eu já fiz muitos cursos, mas quanto mais eu faço isso, mais eu vejo que preciso aprender [...] meu maior desafio é estar sempre me atualizando também quanto aos meus métodos, sempre melhorando cada vez mais, principalmente na escola”, afirmou.  

A entrada no universo digital 

Apesar do ótimo rendimento e procura das aulas presenciais, Eduardo Maran está conseguindo colocar em prática seu projeto de aulas online por meio de uma plataforma digital. Mencionou na entrevista, que essa é uma ideia que está no papel há muito tempo, mas que só agora conseguiu começar a se concretizar. “É um novo desafio que eu estou querendo a partir desse ano”, falou. Paralelamente, o profissional iniciou há pouco tempo o compartilhamento de vídeos em seu canal do Youtube com dicas musicais para iniciantes: “Faz bastante tempo que eu faço vídeos cantando/tocando na internet”. 

 

Além de ter seu próprio canal no Youtube, em que também posta suas músicas autorais, Eduardo administra o canal do “EM Studio” - estúdio presente em sua escola de música - onde publica vídeos cantando e tocando com diversas pessoas, entre elas: Dani Bastos, Leonardo Vilhena, Guilherme Dini e Tuca Oliveira, que são considerados por Maran como grandes amigos e parceiros musicais. 
 

Canal do Youtube de Eduardo Maran: https://www.youtube.com/user/EduardoMaran

Canal do Youtube do EM Studio: https://www.youtube.com/user/EMHomeStudio

Canal do Youtube do Deep in Mercy: https://www.youtube.com/channel/UCmsEZMLngQo9bcEG1fbVNBw/videos

Confira o vídeo postado no canal do EM Studio, em que Eduardo e seus parceiros apresentam um medley de The Beatles:

Eduardo Maran performando ao lado de colegas de vídeo 

Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »