01/11/2021 às 20h28min - Atualizada em 01/11/2021 às 18h18min

As múltiplas violências contra a mulher na ficção

Três produções audiovisuais referências na abordagem dos diversos tipos de violência contra a mulher

Lívia Nogueira - Revisado por Márcia Nascimento
Janete e Cláudio de Bom Dia, Verônica. (Foto: Reprodução/Divulgação Netflix)

A inferiorização e a violação da figura feminina em seus espaços, corpos e individualidades são fatos cada dia mais evidentes na sociedade. Desse modo, as discussões se direcionam, hodiernamente, para as formas pelas quais essas violências podem ser manifestadas. As produções audiovisuais, em suas amplitudes de consumo e valores sociais, são meios relevantes de expor padrões de comportamentos abusivos e até alternativas de fuga dessas situações.

De acordo com a principal ordem de justiça em defesa de mulheres que vivem em realidades de violência, a Lei Maria da Penha, existem cinco tipos de variantes de agressão: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Em cada uma delas, diversas ações podem ser qualificadoras para acusação. Nesse sentido, três séries atuais que expõem explicitamente narrativas de mulheres abusadas são produções relevantes para observar essas formas de violação:

Coisa Mais Linda

Na produção brasileira de Heather Roth e Guiliano Cedroni, que se passa no final da década de 50, histórias de quatro mulheres em seus respectivos contextos sociais são apresentadas de modo a evidenciar os obstáculos impostos a cada uma delas todos os dias. Lígia, uma das personagens retratadas, é casada com um homem da elite do Rio de Janeiro, que tem pretensões políticas e costumes tradicionalistas. O sonho de Lígia é assumir uma carreira de cantora profissional e, certamente, a escolha não agrada o marido. Em meio a essa e outras divergências, cenas de agressão física, sexual e, precipuamente, psicológicas conduzem o casal para uma situação extrema.

Bom Dia, Verônica

Também produzida nacionalmente, a série em questão é do ano de 2020 e retrata, em um dos espaços de destaque da narrativa, a vivência de uma mulher que é violentada em todas as cinco variações citadas anteriormente. Janete, casada com um sargento de polícia, é mantida em uma residência, longe da família, sem comunicação e recursos financeiros por anos, até que encontra uma brecha para denunciar. Depois disso, a situação se torna cada vez pior.

Maid

Essa produção foi lançada recentemente e narra a trajetória de uma mulher, que enfrentou, desde criança, os conflitos de um pai abusivo e de uma família divorciada. Após crescer, Alex, se torna mãe, porém não atinge espaços profissionais de conforto, o que a faz enfrentar conflitos financeiros e logísticos com a filha. O companheiro, que em certo período da história se torna ex, possui histórico de comportamentos abusivos no sentido psicológico e moral e relembra Alex de períodos traumáticos de sua infância. A personagem principal, no entanto, possui uma rede de apoio e uma independência natural, que a orientam a todo o momento a se distanciar desse espaço de violação.

Todas as produções audiovisuais estão disponíveis na plataforma de streaming Netflix e são essenciais para evidenciar os padrões de comportamento que exigem atenção, desde relações afetivas e parentais até alheias aos espaços domésticos.


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