05/11/2021 às 11h59min - Atualizada em 05/11/2021 às 11h12min

Stoker Drácula: o homem por trás do vampiro mais querido da cultura pop

– “Mais uma vez, bem-vindo à minha casa. Venha livremente, saia em segurança; deixe um pouco da felicidade que você traz”.

Letícia Franck - Editado por Larissa Bispo
Arte por Aidan Hickey
As lendas de vampiros podem ser consideradas um patrimônio histórico da humanidade. Culturas diferentes contaram histórias, mitos e causos destes seres sombrios que habitavam uma espécie de limbo entre vida e morte.

John Polidori, em 1819 - e aqui cabe lembrar que ele faleceu dois anos depois - foi o primeiro escritor a tirar da mente uma narrativa e transcrevê-la para o papel, dando origem ao primeiro livro sobre vampiros: “The Vampyre” – traduzido de forma homônima para o português.

O fato é que, mesmo dando o salto inicial, foi Abraham "Bram" Stoker o grande nome da literatura vampiresca quando 78 anos depois, em 1897, escreveu sua obra-prima: “Drácula”. Esse nome vem sempre acompanhado do autor e, por isso, é quase impossível falar apenas Drácula; nos acostumamos com “Drácula de Bram Stoker”, como se fosse tudo uma coisa só. Um título completo.

Essa mitologia, iniciada por John e consagrada por Stoker, foi o início de uma legião de seguidores pelo mundo todo. Hoje a figura vampiresca é uma das mais queridas e populares. Se estivesse vivo - e olha a referência aqui - Bram estaria completando 174 anos (08/11/1847 – 20/04/1912), e sua obra, por incrível que pareça ou não, continua entre as mais populares, lidas e adaptadas para o cinema. Drácula fez e faz sucesso por tanto tempo porque seu criador era muito além do seu: fez coisas que inovaram a literatura gótica; conquistou públicos que antes se amedrontavam com vampiros e hoje os têm como personagem de terror favorito.

Mas o que esse cara tinha na cabeça que seu legado foi tão grande? Pegue sua taça de sangue e acompanhe os próximos parágrafos.
 
Escorpiano e Irlandês: o homem que escrevia sangue

Graduado em Matemática, Abraham Bram Stoker sempre nutriu uma paixão adolescente pela escrita. Apesar de ter atuado como jornalista, diretor de peças teatrais e funcionário público, o coração falou mais alto e direcionou Stoker para as linhas narrativas. Ainda bem.

Quando inspirado em Vlad, o Empalador, escreveu um romance sombrio que já perpassou gerações de leitores pelo mundo todo, eternizando seu nome e seu personagem principal como uma referência da literatura gótica. É impossível citar algum livro vitoriano sem lembrar de conde Drácula.
Seu “filho” já figurou nas páginas da Marvel Comics, estreando em The Tomb of the Dracula #1 (1972), encarando os X-Men, o Homem-Aranha e o Apocalipse. Era só o começo da febre sangrenta direcionada a jovens leitores. Gerações depois vieram jogos de vídeo-game, animações, séries, adaptações modernas. Tudo girava em torno do pai dos vampiros - o temível conde.

Quem assistiu a primeira adaptação com certeza pegou referências muito diferentes das atuais - apesar de ser o mesmo filme -, afinal, toda a atmosfera contribui para que a experiência seja ainda mais encantadora. É muito diferente assistir à nova versão nos dias atuais, mesmo sendo muito boa - ainda assim. Sombria, pero no mucho.

O querido vampiro já deu o ar de sua graça em mais de 272 filmes e foi interpretado por mais de 40 atores; no Guiness Book – O Livro dos Recordes - o personagem detêm duas importantes menções: “Personagem Literário Mais Adaptado para o Cinema” e “Personagem de Horror Mais Adaptado para o Cinema”. Tá achando que é mamão? É, não!

Quando você acha que já falei tudo sobre o chupador de sangue, eu venho e te digo que: em 6 de agosto de 1979, uma banda da Inglaterra trouxe em seu primeiro single o nome “Bela Lugosi’s Dead” – o conde Drácula mais famoso do cinema – até hoje.

Bauhaus, que era composta nessa época por Peter Murphy no vocal, Daniel Ash na guitarra, David J no baixo e Kevin Haskins na bateria, viria a ser tornar imortal em homenagem a um morto, ou “morto-vivo”. Contraditório? Muito. Real? O episódio, sim. Drácula... É, vou ficar devendo essa.
1912, Inglaterra: nosso vampiro foi chamado para o caixão e não voltou mais. Deve ter enjoado de sangue. Bram Stoker deixou seu nome escrito e proclamado ao redor daqueles, desses e dos próximos que virão. O pálido e sedento vampiro, conhecidíssimo como as noites de Paris - que eu não conheço - permanece na história, na mente, nos corações e no imaginário de todas as pessoas que apreciam uma boa narrativa gótica.

Obrigada, Stoker. Um brinde de sangue.
 

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