11/11/2021 às 14h34min - Atualizada em 10/11/2021 às 11h46min

O que ninguém sabe sobre a cidade de Chernobyl

O local ficou conhecido quando, em 1986, se tornou palco do maior desastre ambiental da história

Isabella Abrão - Editado por Matheus Da Fonseca
Fonte: Dax Ward/Reprodução: Youtube
Em 26 de abril de 1986, um dos reatores da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu. Foi o maior desastre ambiental da história, caracterizado pelo alto nível de radioatividade que se espalhou pela região. A catástrofe tornou Chernobyl famosa – o acidente nuclear é constantemente relembrado nas mídias, nas escolas e por aqueles que têm curiosidade sobre suas consequências. Ainda assim, são poucas as pessoas que tiveram a oportunidade de ver como o local está atualmente. Por isso, aqui estão algumas informações sobre Chernobyl que quase ninguém sabe:

1. O local ficará contaminado por muito tempo 

Chernobyl é apenas uma das cidades evacuadas na região contaminada, conhecida como zona de exclusão – uma área de 30 quilômetros ao redor da usina nuclear. Ainda hoje a radiação pode ser encontrada em todos os cantos: água, alimentos, solo e atmosfera. Para se ter uma ideia, a contaminação em Chernobyl foi 200 vezes maior do que a da soma das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão. Para conter o material radioativo, um sarcófago de cimento foi construído sobre o reator que explodiu. Ainda assim, é provável que demore 24 mil anos para que os seres humanos voltem a conseguir se estabelecer com segurança na região.
 
2. A cidade de Chernobyl ainda é habitada

Mesmo com os perigos da radiação, muitas pessoas se recusaram a deixar a área ou retornaram para suas cidades. Atualmente, os moradores da zona de exclusão, chamados de samosely, vivem com aquilo que conseguem cultivar em suas hortas e mantimentos entregues por funcionários da central nuclear ou visitantes. Até 2016, eram mais de 150 samosely, com uma média de idade de 75 anos. A manutenção da cidade de Chernobyl é pública e os canos de água passam por cima do solo para evitar a contaminação.

 
Com a evacuação da área, a zona de exclusão tornou-se uma enorme reserva. Javalis, lobos, alces, veados e até a rara espécie de cavalos-de-przewalski circulam livremente pelo local há anos, graças à ausência do homem. Em 2015, cientistas afirmaram que havia sete vezes mais lobos na região do que em reservas vizinhas. Ainda assim, mesmo que a maioria dos animais tenha conseguido se multiplicar, sabe-se que a contaminação causou danos genéticos, como o albinismo, e a redução de população em algumas espécies. Contudo, apesar das diversas pesquisas realizadas, não existe um panorama completo de como a radiação afeta os animais selvagens que vivem por lá atualmente. 

4. Existe uma floresta vermelha
Assim como ocorreu com os animais, a vegetação da zona de exclusão também foi alterada. A radiação foi tão forte que fez com que um grande número de pinheiros, em uma área aproximada de dez quilômetros quadrados, morresse imediatamente após o desastre nuclear. Já as poucas árvores que resistiram sofreram mutação nas folhas, que adquiriram um tom de ferrugem. Por isso, o local passou a ser chamado de Floresta Vermelha. Após várias pesquisas, também foi constatado que a radiação interferiu nas condições de desenvolvimento das plantas, pois os nutrientes já não são repostos corretamente no solo.
 
Visitar o território é permitido desde 2012, mas o número de turistas subiu mesmo com o sucesso da minissérie Chernobyl, lançada pela HBO, em 2019. O roteiro é chamado por muitos de turismo dark ou tanatoturismo, que tem como foco locais marcados por tragédias. O ponto principal da viagem é a cidade de Pripyat, conhecida como Cidade Fantasma, a dois quilômetros de Chernobyl. A escola, o parque e o hospital abandonados trazem um aspecto apocalíptico para o local. Para a segurança dos visitantes, o governo mede constantemente os níveis de emissões radioativas e só permite a entrada quando estão baixos. Além disso, os turistas devem seguir todas as regras, evitando tocar nas coisas, levando sua própria máscara oronasal e usando roupas que cubram o corpo todo.

Referências:
BLAKEMORE, Erin. “Desastre de Chernobyl: o que aconteceu e os impactos a longo prazo”. National Geographic, 2019. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/2019/06/o-que-aconteceu-desastre-chernobyl-uniao-sovietica-ucrania-energia-nuclear. Acesso em: 9 Nov 2021.
“Chernobyl: saiba quem mora hoje e como é a vida no local”. Hipercultura, 2021. Disponível em: https://www.hipercultura.com/veja-como-e-a-vida-em-chernobyl/. Acesso em: 9 Nov 2021.
HERRERO, Thaís. “15 fatos que você não sabia sobre o desastre de Chernobyl”. Greenpeace, 2016. Disponível em: https://www.greenpeace.org/brasil/blog/15-fatos-que-voce-nao-sabia-sobre-o-desastre-de-chernobyl/. Acesso em: 9 Nov 2021.
PENANTE, Luciana. “Chernobyl: inabitável por 24 mil anos, mas com vida selvagem próspera”. Tecmundo, 2021. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/217170-chernobyl-inabitavel-24-mil-anos-vida-selvagem-prospera.htm. Acesso em: 9 Nov 2021.
SANTIAGO, Henrique. “Turismo dark prospera em Chernobyl e em antigos campos de concentração”. TAB, 2020. Disponível em: https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/11/04/turismo-dark-prospera-em-chernobyl-e-em-antigos-campos-de-concentracao.htm. Acesso em: 9 Nov 2021.

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