15/11/2021 às 10h06min - Atualizada em 15/11/2021 às 09h30min

"Covid zero" identifica dois atletas infectados com o vírus em eventos-teste dos Jogos de inverno chineses

Com uma tecnologia capaz de promover a qualidade do controle da pandemia e a adoção de medidas restritivas que superam, em rigor e persistência, a maioria dos países, por que ainda não foi possível conter o coronavírus na China?

Irion Martins - Editado por Ynara Mattos
Reuters
Foto: Thomas Peter/Reuters
A agência de notícias britânica Reuters divulgou, na última sexta-feira (12), que dois atletas foram diagnosticados com coronavírus durante a realização dos eventos-teste dos Jogos de inverno da China. Segundo Huag Chun, do comitê organizador dos Jogos, os competidores monitorados possuem a mesma nacionalidade e são do luge, uma modalidade de descida em trenó. Agora, eles cumprem uma rigorosa quarentena em um hotel isolado, com testes diários de covid-19, mas continuam se preparando para a disputa.

Fora do cenário esportivo, as medidas de enfrentamento à pandemia têm igual rigor. Com a política “Covid zero”, cidades inteiras são capazes de parar se um único caso da doença for identificado. As regras de biossegurança também incluem uma fiscalização intensa junto à redução do número de voos internacionais e são praticadas continuamente há quase dois anos, quando a primeira infecção com o vírus SARS-CoV-2 foi detectada na província Wuhan, o epicentro da pandemia.

Já na manhã desta segunda-feira (15), a versão em português do Diário do Povo Online, o jornal oficial do Partido Comunista da China (PCC), noticiava a apresentação de um tipo de vacina inalável à 5ª edição da Exposição Internacional da Indústria de Saúde de Hainan, em Haikou, sul da China.

 

Com uma tecnologia capaz de promover a qualidade do controle da pandemia e a adoção de medidas restritivas que superam, em rigor e persistência, a maioria dos países, por que ainda não foi possível conter o coronavírus na China?

“Sem dúvidas, os jogos de Pequim são uma propaganda muito grande para o Governo e eles, então, certamente, não pensam em flexibilizar antes disso”, explica Paulo Petry, epidemiologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sobre o evento multiesportivo de inverno que, adiado mais de uma vez, agora está previsto para ocorrer de 4 a 20 de fevereiro. Ele também lembrou das expectativas de realização de um congresso “grande” e “importante” para as relações políticas do Partido Comunista da China.  

Além dos eventos que exigem alerta, Petry aponta a “dúvida em relação às vacinas chinesas, que têm uma eficácia uma pouco menor que algumas outras, e a repercussão da variante delta” como principais justificativas para a manutenção do lockdown. “Chama muito a atenção que a China é um país extremamente populoso, tem mais de um bilhão e quatrocentos milhões de habitantes 
é bem maior que o Brasil, por exemplo , e o número de mortes no Brasil é de mais de 611 mil e na China é 4.800. Então, provavelmente, esse número seja subnotificado. Mas, ainda assim, é uma diferença muito grande. Nós não temos muitos dados disponíveis e, sim, são muitas vezes dados oficiais que podem estar maquiados”, analisa. 

Em relação à aplicabilidade das regras chinesas no Brasil, o epidemiologista ressalta que outros fatores nos distanciaram da execução desse método. “Nós não fizemos uma política de testagem em massa, de controle dos aeroportos, que seriam barreiras sanitárias bastante interessantes”, lembra, ao citar o Carnaval de 2020 inaugurando o espalhamento do vírus. O pesquisador também observa que algumas características têm a ver com a configuração política e cultural dos países.
 

“Algumas medidas chamadas de ‘não-farmacológicas’, que são o distanciamento social, o evitar-se aglomerações e o uso de máscaras, já são um elemento cultural dos orientais. Então, a China adotou muito fortemente essas medidas  com um governo muito forte não havia como contestar.”

Recentemente, o governo chinês aprovou a vacinação de crianças de 3 a 11 anos, que apesar de uma baixa taxa de mortalidade são possíveis vetores do vírus e potencias na transmissão. Mais de um bilhão de chineses já estão totalmente imunizados.
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