18/11/2021 às 15h30min - Atualizada em 18/11/2021 às 14h23min

O que você precisa saber sobre a vacinação de animais de estimação

Raniere Gaertner, professor da UniAvan e mestre em Ciência Animal, esclarece as principais dúvidas sobre o tema

Pedro Lopes - Editado por Ynara Mattos
Divulgação

A Pandemia da Covid-19 deixou ainda mais explícito a importância das aplicações de vacinas nos seres humanos. Com esse assunto em pauta, a vacinação em animais domésticos também é discutida. Esse processo é fundamental para uma boa e maior qualidade de vida para os pets, além de prevenir a transmissão de zoonoses.
 

Adotar um animal é muito mais do que ter momentos de carinhos e entretenimento com um cão, gato, hamster ou vários outros exemplos de pets. Ter um “bichinho” em casa significa responsabilidade, ter que cuidar de um ser vivo, oferecer, entre outras coisas, alimentação, conforto e saúde. 

É neste último tópico que entra a importância da vacina. A mais conhecida é a antirrábica, obrigatória no Brasil. Ela deve ser aplicada anualmente, sendo de responsabilidade do tutor do animal promover a aplicação. A raiva é um exemplo de zoonose, doenças transmissíveis dos animais para os seres humanos. O que destaca ainda mais a importância desse imunizante para a sociedade de forma geral.

A doença ataca o sistema nervoso central e é fatal tanto para os animais quanto para os humanos. A primeira dose deve ser tomada a partir da 12ª semana de vida e depois reforçada todos os anos

Segundo o professor e mestre em Ciência Animal, Raniere Gaertner, as vacinas polivalentes (V8 e V10) também são importantes. Elas imunizam o cão contra doenças de origem viral e bacteriana, como cinomose, parvovirose, coronavirose, hepatite infecciosa canina, adenovirose, parainfluenza e determinados sorovares de leptospirose.

A primeira aplicação destes imunizantes deve ser feita, aproximadamente, a partir das seis semanas de vida, sendo realizados dois reforços entre 21 e 30 dias e, posteriormente, reforço anual.

Ganha destaque também as vacinas contra a giardíase, zoonose que provoca alterações no sistema digestivo, em que o imunizante ajuda a reduzir os riscos de incidência e gravidade da doença; contra traqueobronquite infecciosa e a leishmaniose, que está cada vez mais frequente no país.

As vacinas contra a giardíase e traqueobronquite exigem uma dose inicial e um reforço entre 21 e 30 dias e, posteriormente, reforço anual. Já o imunizante contra a leishmaniose é composto por três doses iniciais (uma dose e dois reforços) e reforço anual.

Em relação aos gatos, além da antirrábica, existem as polivalentes (V4, V5), que imunizam o felino contra panleucopenia felina, calicivirose, rinotraqueíte e clamidiose (V4) e leucemia viral felina (V5). A vacinação exige um ou dois reforços no intervalo de quatro semanas, dependendo da idade da primeira aplicação, e reforço anual.

Uma dúvida frequente para quem adota animais já adultos e que não possuem um histórico de vacinação, é saber quais vacinas devem ser aplicadas no animal. Nestes casos, o professor Raniere Gaertner orienta a procurar um especialista: “O médico veterinário irá determinar qual esquema de vacinação é o mais adequado para seu animal levando em consideração, região e incidência de determinadas doenças”.

“Não conhecendo o histórico vacinal do animal, é mais seguro supor que ele não tenha sido vacinado e iniciar o esquema de vacinação assim que possível, usando as vacinas disponíveis para prevenção de doenças infectocontagiosas” completou Raniere.

O professor aproveita e alerta para o cuidado que se deve manter com a saúde de pets já idosos: “Como na raça humana, os animais mais velhos também podem ser mais sensíveis a algumas doenças. Por isso, é muito importante manter o esquema adequado de vacinação e seguir o protocolo de vacina que vai ser orientado pelo médico veterinário em todas as etapas de vida do pet”.

Em tempos de pandemia, o conceito de “passaporte da vacina” está em evidência, e essa medida também é usada com os animais de estimação. No Brasil, em caso de visita a outro estado, é preciso levar junto o atestado de saúde do animal, com a comprovação da aplicação e data de validade do imunizante contra a raiva.

“Atualmente, alguns condomínios também exigem a carteira de vacinação em dia, não somente contra a raiva, mas também polivalente, traqueobronquite infecciosa e giardíase. Hotéis para animais também têm o hábito salutar de exigir que as vacinas de seus hóspedes estejam em dia” finalizou Raniere.


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