23/11/2021 às 21h39min - Atualizada em 23/11/2021 às 21h17min

Ditadura da beleza: a doença imposta pela sociedade

O tal “padrão de beleza” vem sendo ditado pela indústria da moda e dos cosméticos a fim de atender as necessidades do mundo do glamour

Gean Rocha - editado por Larissa Nunes
Pessoas com idealização do corpo perfeito. Foto: Pinterest

Para definir ao pé da letra, a ditadura da beleza é a imposição social para que todos se encaixam em um determinado padrão. A necessidade de aceitação e de pertencimento influencia esse fenômeno, que acaba por segmentar as pessoas entre aqueles que se encaixam e as que não.

Vivemos inseridos em uma sociedade pautada pela mídia que, por sua vez, estabelece padrões de beleza praticamente inalcançáveis. É esperado um corpo magro, cabelos maravilhosos, pele impecável, entre outros, tudo vale na busca da perfeição.

A falta de representatividade, principalmente nas mulheres, ao olhar o que a mídia replica e não conseguir enxergar a representação do seu corpo aumenta a crença de que o corpo que se possui não é o ideal. Dessa forma, a autoestima de várias pessoas acaba sendo abalada.

Essa falta de representatividade, não ocorre somente na fase adulta, começa logo na infância, principalmente nas crianças gordas, negras e portadoras de deficiência, que buscam e não encontram representatividade alguma. Assim, elas acabam se sentindo feias.

Para o Portal LAB Dicas Jornalismo, Samira Almeida de 17 anos, relata um episódio que aconteceu com ela aos 10 anos de idade.
 

“Desde os meus dez anos que o meu peso não condizia com a minha idade e altura. Aos 11, fui para a minha primeira consulta com a nutricionista, eu estava com sobrepeso e precisava reduzir para me adequar ao que era certo para minha idade; na minha cabeça eu precisava emagrecer pois me achava feia e gorda. Com 13 anos, fui novamente a nutricionista e comecei a minha reeducação alimentar, até aí tudo bem, mas comecei a me sentir mal quando ia comer alguma comida. A pressão que eu colocava em mim mesma para emagrecer era enorme e a minha família também não ajudava. Quando eu sentia que ia prosperar era desmotivada. Cheguei contrair a barriga quando saia para ter uma "barriga magra", na minha cabeça eu estava como uma modelo, mas no espelho era diferente.”

Mesmo com profissionais qualificados como os nutricionistas, endocrinologistas, que podem auxiliar na busca para se adequar ao padrão de beleza imposta pela sociedade, fazem com que essas pessoas tenham pressas e não procuram ajuda desses profissionais e acabam recorrendo a dietas absurdas que prometem perca de muitos quilos em poucos dias. Outras a procedimentos cirúrgicos desnecessários e que, apesar de seguros em sua maioria, continuam sendo cirurgias e envolvendo riscos.

De acordo com pesquisa realizada pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, 13,1% de todas as cirurgias plásticas realizadas no ano de 2019 foram no Brasil. O país liderou o ranking por dois anos seguidos, com mais de 11,3 milhões de procedimentos realizados. Entre os meses de setembro e outubro de 2020, notou-se um aumento de 30% na procura por cirurgias. No início de 2021, foi possível constatar aumento de 50% na procura quando comparado ao mesmo período do ano anterior e a maioria dessas cirurgias são realizadas em jovens.



Algumas mulheres se tornam escravas da maquiagem por não conseguirem aceitar bem seu próprio rosto. Enfim, a saúde fica em segundo plano, pois o resultado mais rápido é priorizado.

Augusto Cury, escritor, retratou justamente em seu livro “A ditadura da beleza e a revolução das mulheres” o cotidiano de mulheres que sofrem caladas as consequências de uma cruel realidade do mundo moderno, a ditadura da beleza. Com sua experiência como psiquiatra e pesquisador, Cury dá um alerta contra essa forma de opressão que vem deixando mulheres, adolescentes e até crianças tristes, frustradas e doentes.

Influenciadas pela mídia e preocupadas em corresponder aos inatingíveis padrões de beleza que são apresentados, milhares de mulheres mutilam sua autoestima e, muitas vezes, seus corpos, em busca da aceitação social e do desejo de se tornarem iguais às modelos que brilham nas passarelas, na TV e nas capas de revistas.



A imposição de um padrão de beleza pode trazer inúmeras consequências, desde problemas de autoestima até o desenvolvimento de distúrbios relacionados à autoimagem. O desenvolvimento de transtornos alimentares também é uma consequência comum e perigosa da imposição do padrão de beleza.

Mas será que toda essa busca pelo padrão de beleza vale todos esses riscos? O que começamos a perceber, mesmo de maneira tímida é a auto aceitação pelo corpo próprio.
 

“O crescimento e incentivo para aceitação é crescente, o que me alegra muito em saber que posso sair na rua me sentindo bem com meu corpo é very cool! Mas ainda há uma grande dificuldade em relação a compra de roupas, e bom senso nos ambientes do cotidiano” comenta Samira.

Em seu canal no YouTube, Carlos Schalch, entrevistas pessoas de diferentes idades sobre o corpo perfeito e o que eles mudariam no próprio corpo. O vídeo trás depois fortes e contundentes sobre o tema.

Vídeo com depoimentos sobre "O que você mudaria no seu corpo". Reprodução: Canal Carlos Schalch


 

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