29/11/2021 às 00h00min - Atualizada em 29/11/2021 às 00h01min

Carlos Marighella - o inimigo número 1 da ditadura

O filme de Wagner Moura sobre o guerrilheiro comunista mostra a sua luta contra a ditadura

Nicole Duarte - Editado por Júlio Sousa
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Político, guerrilheiro e poeta, Carlos Marighella vivenciou a repressão de dois regimes autoritários: o Estado Novo (1937-1945), de Getúlio Vargas, e a ditadura militar iniciada em 1964. Foi um dos principais organizadores da resistência contra o regime militar e chegou a ser considerado o inimigo número um da ditadura. Teve ao todo quatro passagens pela prisão, onde sofreu espancamentos e torturas, sendo a primeira delas aos vinte anos de idade. Militou durante 33 anos no Partido Comunista e depois fundou o movimento armado Ação Libertadora Nacional (ALN).

Foi expulso do PCB, em 1967, por divergências políticas, e no ano seguinte fundou o grupo armado Ação Libertadora Nacional, com dissidentes do partido. A organização participou de diversos assaltos a banco e do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em setembro de 1969, numa ação conjunta com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Depois, o embaixador foi trocado por 15 presos políticos.

Já sobre o filme, Wagner Moura produziu seu primeiro longa-metragem como diretor, com o singular Seu Jorge como Marighella. Após os adiamentos da estreia devido ao COVID-19 e a tentativa de censura no Brasil relatada pelo diretor, Marighella finalmente estreou nos cinemas no dia 04 de novembro de 2021, no seu 52° aniversário de morte.

O filme de Wagner Moura tem o intuito de mostrar o personagem como um herói e revolucionário, patriota e, acima de tudo, a favor da democracia. Nas mãos de Seu Jorge e Wagner Moura, o revolucionário possui uma firmeza de caráter e valores morais que se contrapõem, não somente ao momento em que sua luta entrou para história, mas como uma espécie de resposta à crise moral, institucional e antidemocrática que o país vive nesses últimos 6 anos – que vão desde o início do segundo mandato de Dilma Rousseff até o momento atual.


Críticas:

O filme atraiu controvérsias políticas. De acordo com a crítica do Hollywood Reporter, "Wagner Moura apresenta o personagem de Marighella como um herói e mártir da democracia e dos valores liberais, embora, na realidade, Marighella fosse um marxista de extrema-esquerda", e que "Nos padrões atuais, muitos o considerariam um terrorista". Além disso, a etnia de Marighella também foi debatida. No filme, Moura o retrata como um negro, o que levou a diversas críticas de simpatizantes da direita, pois, apesar de ter mãe negra da etnia Hauçá, o pai de Marighella era italiano. Em resposta, Moura argumentou que "não há como discutir qualquer questão social no Brasil sem falar sobre questões raciais. Para mim, Marighella tinha que ser negro".

No site Esquina da Cultura, a psicóloga clínica e educadora Bárbara Zago expõe sua visão:

"Ainda que explore somente os cinco anos finais de Carlos Marighella, o filme acaba tendo narrativas demais e, por vezes, perde seu foco. Em suas quase 2h40, o roteiro tenta explorar a relação familiar do personagem, a história do grupo guerrilheiro, a Ditadura Militar e, por conta de tantas frentes, seu discurso político não é tão forte como tinha potencial para ser. Na tentativa de explorar os personagens, quando superficialmente, é fácil acabar caindo em estereótipos -- seja o caso de Lúcio, um policial interpretado por Bruno Gagliasso, ou do comunista Humberto, vivido por Humberto Carrão. Mesmo assim, aqui deve se dar os parabéns para todo o elenco. Ainda que Seu Jorge tenha uma excelente atuação ao longo do filme, fica a sensação de que ele poderia ter mais espaço para explorar o lado revolucionário, contraditório, político e radical do ativista".


Mesmo diante das críticas e 52 anos após sua morte, continua sendo parte marcante da história da luta contra a ditadura brasileira.
 

"Quero ser apenas um entre os milhões de brasileiros que resistem". Carlos Marighella.

 
 

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