01/12/2021 às 20h59min - Atualizada em 01/12/2021 às 20h58min

A Sangue Frio: da reportagem ao cinema

Wagner Edwards - Editado por Larissa Bispo
Foto: Amazon
O jornalismo possui muitas funções dentro da sociedade, sendo duas delas a necessidade de gerar senso crítico na população e disseminar conteúdo relevante e verdadeiro. Dito isso, é fácil pensar porque muitas notícias veiculadas em impressos e portais ou cobertas pela televisão ganham grande popularidade pública: além de informar, as notícias conseguem fazer o leitor se identificar com a realidade exposta ao mesmo tempo em que chocam.
 
Em 1959, numa cidadezinha chamada Holcomb, no interior do estado norte-americano do Kansas, os jornais noticiaram um homicídio brutal: um casal e seus dois filhos adolescentes foram assassinados à sangue frio. Dois homens, intitulados de Richard Hickock e Perry Smith, amordaçaram e balearam os quatro membros da conhecida e respeitada família Cutler. O objetivo era encontrar na fazenda dos Cutler um cofre cheio de dinheiro, mas o que acharam no lugar das cédulas foi um par de binóculos, um rádio portátil e 42 dólares. Reviraram a casa, não acharam nada de valor e resolveram matar a família a fim de não serem identificados.
 
O que mais chocou a cidade pacata de Holcomb naquela época foi a intensidade do homicídio: nada do tipo jamais havia acontecido antes. É por isso que o escritor e jornalista Truman Capote, autor do livro-reportagem A Sangue Frio, que mais tarde cobriria essa notícia e seria publicado, atravessou o país para conhecer de perto a história da chacina e a motivação dos assassinos.
 
Atualmente é muito comum assistirmos na tv uma cobertura sobre pessoas assassinadas à tiros: é quase um clichê. Mas naquela época era algo atípico e de repercussão imensa, tanto que a história chocou o país inteiro. Com isso, manteve-se em mente a possibilidade de uma tragédia como essa acontecer a qualquer um e a qualquer hora, principalmente em cidades grandes onde a população é maior.
 
A identificação do leitor com o evento noticiado é um vínculo bastante poderoso, capaz de render audiência a todo tipo de notícia. Então, se as pessoas começam a se interessar por tal acontecimento, a notícia torna-se um sucesso imediatamente: torna-se impactante. Afinal, é capaz de refletir as mazelas da sociedade, como é o caso da ganância e da frieza dos responsáveis pelo assassinato.
 
Depois de publicada no jornal local de Holcomb, ganhar o país inteiro, transformar-se num livro-reportagem escrito por Truman Capote e obter reconhecimento mundial, a história dos homicídios da família Cutler intrigou o produtor cinematográfico Richard Brooks que deu início ao projeto de um filme.
 
O filme de nome homônimo ao livro de Capote foi distribuído pela Columbia Pictures, lançado em 14 de dezembro de 1967 e indicado a diversos prêmios no ano seguinte nas categorias de roteiro, trilha sonora, fotografia e muito mais. Arrecadou uma bilheteria de 13 milhões de dólares.
 
Contudo, essa não foi a única vez em que uma notícia e livro-reportagem foram adaptados para as telas do cinema: Spotlight (2015), The Post (2017), Bomshell (2019) e muitos outros são baseados em acontecimentos reais que bombaram no mundo do jornalismo e que, assim como o assassinato dos Cutler, tem atributos os quais fazem o telespectador se identificar e ficar chocado.

 

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