05/12/2021 às 23h36min - Atualizada em 05/12/2021 às 23h32min

Em corrida caótica, Hamilton vence na Arábia Saudita e empata campeonato na Fórmula 1

Heptacampeão se envolveu em confronto duro com Max Verstappen, levou a melhor e deixou tudo igual a uma corrida para o fim da temporada; Valtteri Bottas foi o terceiro

Felipe Sousa - labdicasjornalismo.com
A colisão entre Max Verstappen e Lewis Hamilton foi fundamental para o desfecho da corrida (Lars Baron/Getty Images)
A estreia do Grande Prêmio da Arábia Saudita de Fórmula 1, disputada neste domingo (05) no circuito de rua de Jeddah, foi caótica por si só e deixou ainda mais embaralhada a briga pelo campeonato de pilotos. Lewis Hamilton (Mercedes) levou a melhor contra Max Verstappen (Red Bull), em um duelo marcado por fechadas e batidas entre os dois concorrentes ao título, além de punições para o holandês. Valtteri Bottas (Mercedes) arrancou um terceiro lugar fundamental para o campeonato de construtores da equipe alemã, que encaminhou o oitavo título consecutivo.

O Top 10 foi completado por Esteban Ocon (Alpine), Daniel Ricciardo (McLaren), Pierre Gasly (AlphaTauri), Charles Leclerc (Ferrari), Carlos Sainz (Ferrari), Antonio Giovinazzi (em sua penúltima corrida pela Alfa Romeo) e Lando Norris (McLaren)

Com a vitória de Hamilton e o ponto extra da volta mais rápida, o britânico igualou os 369,5 pontos de Verstappen; os dois vão para a última corrida da temporada completamente empatados. Essa é apenas a segunda vez que algo desta natureza acontece na história da Fórmula 1 – a primeira ocorreu em 1974, quando Emerson Fittipaldi e Clay Regazzoni decidiram o título à época, com vitória do brasileiro.

A corrida em solo saudita foi cercada de polêmicas desde seu anúncio, com protestos da comunidade internacional em relação à realização da corrida em um país que desrespeita sistemicamente os direitos humanos. Lewis Hamilton se aproveitou da situação para correr com um capacete pintado com as cores da bandeira LGBTQIA+ (na Arábia Saudita, a homossexualidade é crime). Além das questões humanitárias, pilotos e parte da imprensa especializada considerou o circuito um dos mais perigosos da temporada.

Na Fórmula 2, um acidente entre Enzo Fittipaldi e Theo Pourchaire levou ambos ao hospital; o brasileiro fraturou o tornozelo na colisão. Ainda que este acidente em específico não esteja atrelado à pista, outros incidentes importantes ocorreram na Porsche Cup, na Fórmula 2 e nos próprios treinos da Fórmula 1.

A corrida

Muito em função dos acidentes ocorridos ao longo do fim de semana, os pilotos se comportaram sem maiores complicações na largada: Hamilton assegurou a liderança, ao passo que Bottas fez bem o papel de fiel escudeiro do heptacampeão com o segundo lugar. Max Verstappen, de mãos atadas, manteve a terceira colocação. Yuki Tsunoda (AlphaTauri) prensou Ocon contra o muro e caiu para o 12º lugar, na única troca de posições relevante.

A corrida seguiu sem maiores novidades até a volta dez, quando Mick Schumacher (Haas) rodou e bateu com força no muro de proteção. O safety car foi acionado e Lewis Hamilton aproveitou para fazer a sua troca de pneus, assim como Bottas e Sergio Pérez (Red Bull). Verstappen permaneceu na pista e ficou com a liderança. A estratégia da equipe anglo-austríaca e do holandês, que parecia arriscada, se justificou quatro voltas depois, quando a direção de prova decretou bandeira vermelha. Dessa forma, Verstappen poderia trocar os pneus sem precisar parar durante a corrida.

Na relargada, Hamilton saiu melhor e chegou a tomar a liderança de Verstappen. O piloto da Red Bull, por sua vez, passou reto na curva um e retomou a ponta novamente, com Hamilton ultrapassado também por Esteban Ocon. Um pouco mais atrás, Pérez foi tocado e atingiu o muro, ao passo que George Russell (Williams) também bateu e foi atingido em cheio por Nikita Mazepin (Haas), que vinha de trás. Todos os envolvidos abandonaram e a bandeira vermelha foi acionada novamente.

Enquanto os carros retornavam ao pitlane, as negociações do diretor de prova Michael Masi com Mercedes e Red Bull para a devolução da posição de Verstappen para Hamilton chamaram a atenção. Após conversas com os chefes Toto Wolff e Christian Horner, ficou decidido que Ocon relargaria na frente, seguido por Hamilton e Verstappen.

O holandês foi bem na segunda relargada (com novos pneus médios, contra os compostos duros dos rivais) e pulou de terceiro para primeiro colocado. Ocon e Hamilton chegaram a se tocar, emparelhados com Verstappen. Na volta seguinte, o heptacampeão ultrapassou o francês da Alpine e recuperou o segundo lugar. Na 23ª volta, Tsunoda e Sebastian Vettel (Aston Martin) se tocaram e o japonês perdeu a asa dianteira; o safety car virtual foi acionado para a remoção dos detritos.

Vettel se envolveria em outro incidente desta vez com Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), o que fez com que mais detritos fossem parar na pista: safety car virtual acionado novamente. Os dois acionamentos ajudaram indiretamente Verstappen, que era perseguido ferozmente por Hamilton. O britânico alcançou Max na volta 37 e tentou a ultrapassagem por fora; o holandês não cedeu e ambos foram para fora da pista na curva um.

Na mesma volta, Verstappen foi instruído a "devolver estrategicamente" a posição para Hamilton. Ele diminuiu na reta e foi atingido na traseira pela Mercedes de Lewis, que danificou a asa dianteira. Três giros depois, um pouco mais atrás, Bottas tomou o quarto lugar de Ricciardo e iniciou uma perseguição a Esteban Ocon.

Verstappen e Hamilton continuavam uma disputa dura pela liderança quando a direção de prova anunciou uma punição de cinco segundos ao holandês por cortar caminho nas curvas um e dois na volta 37 (após a corrida, Verstappen também foi punido com dez segundos pela freada na reta que ocasionou a batida entre os dois – a penalidade não alterou o resultado final da prova). Na volta 43, o heptacampeão ultrapassou o piloto do carro 33 e assumiu definitivamente a liderança da corrida para não mais perde-la.

Com os pneus gastos e sem tempo suficiente para entrar nos pits e colocar pneus novos para tentar a volta mais rápida, Max Verstappen teve que se resignar com o segundo lugar. Na briga pelo terceiro lugar, Esteban Ocon segurou Valtteri Bottas ao máximo, mas perdeu a posição para o finlandês na volta final.

Próxima corrida e contas para o título

A corrida final da temporada será no próximo domingo (12) em Abu Dhabi, no circuito de Yas Marina. Com o empate entre Verstappen e Hamilton, quem terminar na frente será o campeão da temporada 2021. Se os dois pilotos não pontuarem, Max Verstappen será o campeão pelo critério de desempate (maior número de vitórias).

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