07/12/2021 às 00h00min - Atualizada em 07/12/2021 às 00h01min

Governo fecha fronteira com seis países do sul África

A medida foi adotada para barrar a nova variante da Covid-19, mas Brasil já registrou seis casos

Ludmilla Dias - Editado por Júlio Sousa
Governo estabelece restrições para voos vindos da África. Foto: Pixabay

Na última segunda-feira (29), passaram a valer as restrições impostas pelo Brasil a voos que venham de seis países do sul da África. A decisão foi tomada como uma tentativa de barrar a entrada da Ômicron, nova variante da Covid-19 detectada pela primeira vez na África do Sul. As medidas também valem para Botsuna, Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbábue. Apesar disso, o Brasil já tem seis casos confirmados.     

 

O Ministério da Saúde informou que seis pessoas foram diagnosticadas com a ômicron. Todas estão vacinadas e apresentam sintomas leves. Ainda segundo o órgão, outros nove casos estão sendo monitorados, sendo seis no Distrito Federal e outros três no Rio Grande do SulA Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a nova cepa, uma "variante de preocupação". Identificada no dia 24 de novembro, ela preocupa, pois tem 52 mutações, sendo 32 delas na proteína S (spike), que é a estrutura espinhosa que cobre a superfície do vírus e é utilizada para entrar nas células humanas para que o vírus possa infectá-las. Em outras palavras, ela tem mais alterações e é quatro vezes mais transmissível que as outras.  

 

Em uma dessas mutações, a variante coletou um fragmento de material genético de outro vírus, pesquisas apontam que pode ser o de um resfriado comum. Essa sequência genética não aparece em nenhuma das versões anteriores. Os cientistas ainda não sabem se ela é mais infecciosa, por isso, os cuidados já adotados desde o início da pandemia devem ser mantidos.
 

“É importante que a gente mantenha todas as medidas de prevenção que já foram adotadas, o uso de álcool em gel, distanciamento social, uso de máscara. Entender que nós ainda estamos vivendo em um momento onde podemos ter um número de aumento de casos, podemos ter um número de aumento de pessoas graves, aumento de óbitos, porque nós não entendemos como essa variante vai se comportar”, afirma o infectologista Leandro Machado.    

 

Completar o ciclo vacinal também é muito importante para evitar aumento na disseminação do vírus. Machado também explica que nenhuma vacina impede, em cem por cento, a infecção, mas as pessoas vacinadas têm maiores chances de apresentar um quadro mais leve. “É essencial, porque a gente diminui a chance da pessoa se infectar e diminui a chance de, uma vez infectada, ela apresente forma grave da doença. Então a vacinação é essencial”, diz. 

   

A portaria que estabelece as medidas foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União. Ela é de caráter emergencial e temporário, não foi estabelecida a duração. Além disso, o transporte de carga está autorizado. O governo não incluiu a obrigatoriedade do comprovante de vacinação, apenas a exigência da apresentação de teste negativo, realizado em até 24h antes do embarque para a companhia aérea responsável pelo voo. Leia na íntegra.    

             

Enquanto medidas estão sendo adotadas no Brasil, muitos brasileiros que estão no sul da África não conseguem voltar para casa. Com os voos cancelados, eles buscam a ajuda do Itamaraty. Segundo a entidade, as embaixadas brasileiras presentes nesses países já registraram mais de 300 pedidos de assistência. Um formulário foi disponibilizado no Portal Consular para registrar essas demandas, mas, até o momento, nada foi definido.  

 

Outros países também adotaram restrições. A Alemanha baniu voos vindos do sul da África, exceto para os que transportarem alemães residentes permanentes, que mesmo vacinados ou que já tenham contraído o vírus terão que cumprir quarentena de 14 dias. Na Argentina, os viajantes que estiveram no continente 14 dias antes de retornarem para o país terão que apresentar teste negativo, comprovante de vacinação e cumprir quarentena de dez dias. Já o Canadá proibiu a entrada de cidadãos estrangeiros que tenham passado pela África do Sul e outros seis países. 

 

Capitais cancelam festas de Réveillon  

Dezembro chegou e, com ele, o planejamento das festas de fim de ano, Natal e Ano-Novo. Com a imunização em andamento e a redução de casos, a perspectiva era de que as comemorações iriam ocorrer para um grande público, mas com a nova variante da Covid-19, 23 capitais do Brasil cancelaram as festividades de Ano-Novo.      


Entre elas, Salvador, São Paulo e Brasília. No último sábado (4), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou, no Twitter, o cancelamento do réveillon na praia de Copacabana. “Respeitamos a ciência. Como são opiniões divergentes entre comitês científicos, vamos sempre ficar com a mais restritiva.  O Comitê da prefeitura diz que pode. O do Estado diz que não. Então não pode. Vamos cancelar dessa forma a celebração oficial do réveillon do Rio”, escreveu. 

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