13/12/2021 às 00h00min - Atualizada em 13/12/2021 às 00h01min

O gesto que salva vidas: doar sangue é uma (ótima) forma de amor ao próximo

Dia 25 de novembro é comemorado o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue, a data reforça a importância do ato solidário e atrai olhares para essa causa tão importante

Bruna Villela - Editado por Júlio Sousa
Banco de Imagem/Reprodução: Unsplash

Para alguns é sinônimo de receio e aflição, para outros simboliza - literalmente - a vida. Independente da opinião, fisiologicamente o sangue é essencial aos seres humanos e disso quase ninguém tem dúvida; ou ao menos não deveria ter. Na realidade, percebe-se o contrário, os números, que já não eram altos, entraram em uma maior defasagem no contexto da pandemia da Covid-19. 

Segundo a Supervisora de Enfermagem do Hemocentro de São José do Rio Preto, Mariana Lorijola Coltro, o momento trouxe novas dificuldades à manutenção dos estoques. Seja pelo receio das pessoas saírem de casa, por terem sido infectadas pelo coronavírus ou ainda pelo aumento no consumo de hemocomponentes entre os pacientes positivos graves da própria Covid. 

A respeito do frequente desabastecimento nos bancos de sangue, ela sinaliza que a demanda transfusional impulsionada pela complexidade dos atendimentos hospitalares não é suprida pela disponibilidade de doadores, uma vez que a maioria acaba não retornando para doar novamente. Tal cenário é delicado, pois não existe substituto para o sangue humano e “uma vez que o paciente necessite de transfusão não há medicamentos ou outra opção de tratamento que a substitua”, aponta.

O problema de Saúde Pública enfrenta também outros desafios, como dúvidas e mitos, além do temido medo da agulha. E sobre isso a Supervisora do Hemocentro comenta que algumas “pessoas acreditam que a doação gera dependência (a partir do momento em que doei a primeira vez vou precisar doar sempre), que o sangue engrossa ou afina com as doações”.

Mariana ainda relata que é comum pacientes aguardarem nos leitos de hospitais por uma transfusão que geralmente não chega devido a falta de doadores nos hemocentros. “Doar sangue salva vidas! Essa frase resume toda a importância do ato na vida de quem precisa de transfusões”, encerra.
 

Seja um super-herói 

A empresária Josiane Dias conta que lida com a transfusão como parte (importante) da sua vida: “a primeira foi com 1 ano de idade, desde então é como se fosse rotina”. A entrevistada comenta que transfunde em média a cada 4 ou 5 meses pelo menos, mas eventualmente acontece de precisar realizar o procedimento em intervalos menores. 

Ela é portadora de anemia falciforme e talassemia graves - patologias hereditárias em que as hemácias (glóbulos vermelhos) têm sua forma alterada e sofrem falta de pigmentação (hemoglobina) respectivamente. Com isso, as hemácias são incapazes de cumprir sua função principal: transportar oxigênio suficiente para as outras células do corpo.

Em razão desta disfunção, a empresária diz que em momentos mais críticos sofre com dores “muitos intensas para a própria morfina” e o que a faz melhorar é justamente a transfusão sanguínea. Apesar das dificuldades, Josi não é nem um pouco desanimada, pelo contrário: “sou uma pessoa elétrica, faço de tudo, trabalho, pratico exercícios, cuido da casa”, revela. 

“Meu cérebro quer fazer as coisas e o corpo não acompanha, tenho fadiga, fraqueza e indisposição. No dia seguinte à transfusão estou uma nova pessoa, é realmente muito bom”

Ao comentar sobre a baixa frequente nos bancos de sangue, a empresária declara que já teve de ser internada às pressas para realizar uma transfusão de emergência, mas o desabastecimento no estoque nunca a afetou diretamente. Isso porque o tipo de transfusão que realiza requer pessoas com características específicas, e nesses momentos a equipe do Hemocentro de São José do Rio Preto “atua além do profissionalismo. Eles vão atrás, explicam a situação e conseguem um doador”, aponta.

De qualquer maneira, ela reconhece que a notícia de baixa nos estoques traz preocupação não somente por si mesma, mas também por todos os outros possíveis receptores que precisam receber ajuda em algum momento. Nesse sentido, mesmo sendo muito grata pela vida e por todos que já doaram sangue para ela, não deixa de comentar sua vontade: "Como eu queria poder ser uma doadora”.

Josiane faz um apelo para que o tema seja levado com seriedade e sinceridade: se colocando no lugar do próximo e não deixando medos e tabus passarem por cima de uma boa ação ao reconhecer a posição privilegiada. E completa: “Quem doa não tem um décimo de noção do real significado e do bem que está fazendo para 4 vidas”, pois uma única bolsa de sangue pode ser usada por até quatro pessoas

“Todo mundo tem vontade de ser um super-herói ao menos por um dia. Todos que têm saúde e estão aptos a doar podem ter esse momento salvando vidas”.

Altruísmo 

É comum nos mobilizarmos somente quando algum conhecido precisa da ajuda, ou ainda, só temos consciência de como aqueles minutos (Todo o procedimento dura em média 40 minutos, segundo o INCA) são realmente preciosos quando nós quem precisamos. Felizmente, como muitos voluntários, a estudante Maria Eduarda Davanço ‘faz o bem sem olhar a quem’ e se informa através de grupos nas redes sociais para saber quando estão precisando de doadores. 

A estudante, hoje com 20 anos completos, conta que desde que soube da possibilidade de doar sangue, sempre teve vontade de ajudar ao próximo e para isso esperou completar a idade mínima necessária: "Assim que fiz 16 anos comecei a doar, mas fui apenas duas vezes, por não programar melhor o tempo de espera entre as doações e por ter feito tatuagem”. 

    De acordo com o Ministério da Saúde, pessoas com tatuagem - que estejam saudáveis e se encaixem nos requisitos de um doador - estão aptas a doar sangue desde que tenham feito há pelo menos um ano. Apesar da restrição, Maria Eduarda reconhece a importância do gesto e quer torná-lo um hábito: “A doação de sangue representa para mim uma forma de ajudar a salvar vidas fazendo algo muito simples. Agora estou esperando um tempo pós tatuagem, mas depois disso pretendo doar de 3 em 3 meses”, que é o intervalo mínimo recomendado.

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