12/12/2021 às 14h34min - Atualizada em 12/12/2021 às 14h08min

Grammy Awards | As controvérsias da maior premiação da indústria musical

A premiação vem recebendo críticas dos artistas e do público por excluir diversos cantores

Thamires Trindade - revisado por Jonathan Rosa
Troféu do prêmio Grammy. (Foto: Reprodução/ Grammy)

Grammy ainda é parâmetro para definir bons cantores? Bem, já faz algum tempo que as premiações artísticas clássicas estão sendo observadas com mais atenção pelo público e pelos próprios artistas. E o Grammy Award, considerado uma das maiores premiações da indústria musical, também está tendo sua credibilidade questionada. Isso por que esse ano a cantora Miley Cyrus submeteu seu álbum, singles e composições a diversas categorias da disputada premiação, mas não recebeu nenhuma indicação. O álbum Plastic Hearts, lançado em novembro de 2020 foi aclamado pela crítica especializada. 

 

Mesmo conquistando o público e tendo um bom desempenho com esse último lançamento, a cantora foi ignorada pela “Academia de Gravação" dos Estados Unidos. O jornal norte-america The New York Times afirmou que: “Depois de anos de reinvenções incansáveis, parece que Cyrus encontrou um contexto adequado e, como um bônus, a música rock encontrou seu embaixador milenar mais sério e de alto perfil. Talvez o rock não esteja morto- está apenas nas mãos capazes de Miley Cyrus”. Mas ainda assim a cantora não conquistou o cobiçado gramofone dourado.

 

Além de Miley Cyrus, The Weeknd também não recebeu nenhuma indicação ao prêmio, mesmo quebrando recordes com o álbum After Hours. O famoso single Blinding Lights, por exemplo, foi a música mais longa da história a permanecer na Billboard Hot 100. Segundo o Portal Popline, a música também foi a que passou mais tempo no Top 5 (43 semanas), no Top 10 (57 semanas), no Top 20 (79 semanas) e no Top 40 (84 semanas). A primeira vez que a faixa apareceu nas paradas foi em 14 de dezembro de 2019. 

 

De acordo com o portal de notícias G1, Deborah Dugan, ex-presidente do Grammy, fez algumas acusações contra a Academia. Segundo a reportagem, haveria um comitê secreto que estaria cerceando artistas como Ariana Grande e Ed Sheeran da categoria “Música do ano” em 2019, para favorecer outro artista.

Além disso, há também a questão racial que começou a ficar em pauta. De acordo com o estudante de letras Rahif Souza, nos últimos 20 anos, apenas 3 artistas negros venceram o prêmio de melhor disco do ano, visto como o principal da premiação. Foram eles: Lauryn Hill em 1999, OutKast em 2004 e Ray Charles em 2005. Em entrevista para a MTV em 1999, o rapper Jay-z disse que iria boicotar a premiação, porque ela não dá o respeito merecido ao hip-hop.

O disco Lemonade da Beyoncé teve um grande impacto na indústria musical, por trazer críticas e reflexões sobre questões raciais. Aclamado pela crítica, o álbum ficou no topo de 90 países, segundo o site beyhive. Porém, de 9 indicações Beyoncé venceu apenas 2 categorias. O Buzzfeed produziu um post sobre a repercussão que isso teve. Na premiação de 2017, a cantora Adele fez um discurso e disse que Beyoncé deveria ter vencido na categoria de Álbum do ano.

Confira o discurso da cantora Adele na ocasião:

(Canal: Beyonce News1. Reprodução: Youtube)


Conforme o G1, o formato da premiação sofreu algumas alterações para o Grammy de 2022. Antes, as decisões eram realizadas por um painel de 15 a 30 especialistas, que não tinham suas identidades reveladas. Mas agora a academia está adotando o que chamam de “piloto de inclusão”, que obrigará a empresa que produz o evento a "fazer o seu melhor para recrutar, testar, entrevistar e contratar, dentro e fora dos palcos, pessoas que são historicamente e sistematicamente excluídas da indústria."

A organização disse que esse é o primeiro grande evento de premiação musical a se comprometer a adotar um piloto de inclusão. Apesar da iniciativa, muitos artistas que tiveram bom desempenho e reconhecimento do público e das críticas especializadas continuam sendo excluídos da premiação. Vale ressaltar que a Recording Academy faz parceria com a organização sem fins lucrativos "Color of Change" por justiça racial na iniciativa de adoção do piloto de inclusão.


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