14/12/2021 às 07h31min - Atualizada em 13/12/2021 às 21h11min

Semana de Arte Moderna | Rompimento do Parnasianismo e Academicismo

Em 2022, completará um século da realização da Semana de Arte Moderna ocorrida Theatro Municipal de São Paulo, que rompeu com os parâmetros de cultura no Brasil.

Paulo Victor Alves dos Reis - Revisado por Isabelle Marinho
Cartazes da Semana de Arte Moderna. (Foto: Reprodução/ Portal Terra)
A Semana de Arte Moderna foi uma manifestação artística, política e cultural ocorrida no Theatro Municipal de São Paulo, em fevereiro de 1922, entre os dias 13, 15 e 17, reunindo jovens artistas, irreverentes e contestadores. Completará 100 anos em 2022. O evento mudou o cenário cultural do Brasil e ajudou a tornar a capital paulista uma cidade com grande influência no país no campo da cultura.  

Os artistas tinham o objetivo de romper com os parâmetros que vigoravam na arte brasileira, que era influenciada na época pelo Parnasianismo e Academicismo. O Parnasianismo foi uma corrente literária que valorizava a forma e não o conteúdo, logo, os versos de seus poemas deveriam ser milimetricamente contados e rimados. Já o Academicismo dominava as artes plásticas, valorizando a cópia ao invés das emoções.

As figuras centrais da Semana foram os escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e o pintor Di Cavalcanti. Mario foi escritor modernista e musicólogo; seu estilo literário foi inovador e marcou a primeira fase modernista no Brasil. Em suas obras valorizava a identidade e a cultura brasileira. Seu poema “Ode ao burguês”, do livro “Pauliceia desvairada”, foi lido em uma das três noites da Semana, marcado por vaias.

Oswald de Andrade foi escritor e dramaturgo, com um espírito irreverente, polêmico, irônico e combativo, sendo figura fundamental da vida cultural do século XX no Brasil. Suas obras apresentavam um nacionalismo que buscava as origens, sem perder a visão crítica da realidade. Trechos do seu romance “Os condenados” foram lidos no evento.

Di Cavalcanti atuou como desenhista, ilustrador e cartunista, participou da organização da semana, criando o desenho do catálogo e cartaz. Expôs 11 pinturas e ilustrações publicitárias e foi reconhecido com um dos grandes pintores brasileiros do século passado.


O evento teve suas consequências, com críticas severas, pessoas ficaram desconfortáveis com as apresentações e não conseguiram compreender a nova proposta de arte. Os artistas chegaram a ser comparados com doentes mentais. O escritor Monteiro Lobato criticou fervorosamente a semana na imprensa.

Entretanto, os excessos da crítica eram desejados pelos organizadores, de modo que chamassem a atenção para suas propostas artísticas. Logo após o festejo, foram criadas inúmeras revistas, movimentos e manifestos artísticos. Os grupos de artistas se reuniram com intuito de disseminar o modelo proposto, entre as publicações de destaque estão a Revista Klaxon (1922), Revista Estética (1924), o Movimento Pau-Brasil (1924), Movimento Verde Amarelo (1924) e o Movimento Antropofágico (1924). A influência da Semana pôde ser sentida dos anos 60 aos 70, com a Bossa Nova, o Tropicalismo e a Geração da Lira Paulistana.

 
Revista Klaxon: Klaxon foi uma revista mensal de arte moderna que circulou em São Paulo de 15 de maio de 1922 a janeiro de 1923. Seu nome é derivado do termo usado para designar a buzina externa dos automóveis.
 
Revista Estética: Surgiu em 1924, no Rio de Janeiro. Entre 1924 e 1925 publicou apenas três números. Dirigida por Prudente de Morais e Sérgio Buarque de Holanda, deu continuidade, no Rio de Janeiro, as ideias da paulista Klaxon. Foram seus colaboradores, praticamente, todos os escritores-colaboradores da Klaxon.
 
Movimento Pau-Brasil: O Movimento Pau-Brasil foi um movimento de caráter artístico, que surgiu em 1924, no contexto da fase inicial do Modernismo (primeira fase modernista). Esse movimento foi criado pela pintora e desenhista Tarsila do Amaral e pelo escritor Oswald de Andrade. Ele se desenvolveu, principalmente, nas áreas da literatura e pintura.
 
Movimento Verde Amarelo: Foi um movimento literário modernista brasileiro fundado por Cassiano Ricardo, Menotti Del Picchia e Plínio Salgado em 1926. Propunha um nacionalismo puro: sem interferência de características europeias, com tendências nativistas.
 
Movimento Antropofágico: Foi uma manifestação artística brasileira da década de 1920, fundada e teorizada pelos paulistas Oswald de Andrade, poeta, e Tarsila do Amaral, pintora.

  

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