11/06/2021 às 20h12min - Atualizada em 11/06/2021 às 17h27min

17 anos do lançamento de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban nos cinemas: o legado do terceiro filme da saga

O momento pedia um maior desenvolvimento da história e a direção de Alfonso Cuarón cumpriu a missão com sucesso para as telonas

Luann Motta Carvalho - Editado por Ana Terra
Quando chegou aos cinemas do Reino Unido em 31 de maio de 2004 (e em 4 de junho no Brasil), Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban deixou alguns fãs mais surpreendidos. Para aqueles que apenas tinham visto os dois primeiros filmes, sem ler os livros, o terceiro filme da saga era algo deveras diferente pela sua ambientalização e o tom mais maduro e sombrio, se tornando um divisor de águas na franquia pelas salas de cinema.

É perceptível que tanto nos filmes quanto nos livros, Pedra Filosofal e Câmara Secreta são mais infantis que o sucessor. Quando Chris Columbus, diretor de ambas as produções, anunciou que não voltaria para Prisioneiro de Azkaban, o conceituado Guillermo del Toro teve seu nome especulado para substituir Columbus. No entanto, del Toro sentiu que a atmosfera dos primeiros longas não se encaixava com seu estilo, por ser “feliz e cheia de brilho”. Ops!

Porém, foi o diretor de Hellboy que incentivou o amigo compatriota Alfonso Cuarón a aceitar dirigir HP3. Santo del Toro! Porque a direção de Cuarón é a melhor de todas as produções. Prisioneiro de Azkaban pode não ser o mais fiel da franquia, mas em uma análise mais extensa, talvez seja o que melhor entende o universo potterhead, por ser bem ousado ao desviar do livro em certas questões e um ponto de partida para a sequência cinematográfica que viria a seguir.

Se antes havia um basilisco dentro de uma câmara, agora nós presenciamos a jornada de Harry contra um homem que supostamente o perseguia após fugir da prisão de Azkaban. A ameaça até pode parecer ser menor, mas as técnicas do filme não sugeriam isso e mantinham o espectador em vigilância constante, como diria Olho-Tonto Moody. O filme trazia um aspecto mais noir e em certos momentos, a adoção de cenas com cores mais azuladas, como nas aparições do Salgueiro Lutador e em Hogsmeade – aqui, inclusive, temos um exemplo bem nítido na cena em que Harry descobre que Sirius Black é seu padrinho, acompanhada de uma trilha sonora sempre impecável de John Williams.

É justamente com esses ingredientes que temos uma das melhores cenas de toda a franquia, em que Harry voa no hipogrifo Bicuço e simplesmente tudo se mostra, de fato, mágico. A trilha sonora de John Williams, a fotografia, a escolha de fazer com que Harry sinta uma rara liberdade ao se lançar nos céus em cima da criatura – ao contrário do que ocorre no livro, em que Harry não aprecia o vôo e compara com as vassouras, preferindo-as. Essa diferenciação é a ousadia de Cuarón antes citada: uma simples cena do livro se transforma em algo grandioso nas telonas.

Ao mesmo tempo, além da fuga de Sirius Black, nós temos várias indicações dos medos de Harry e do perigo crescente que o rondava, como os bichos papões e a primeira presença dos dementadores, muito bem ilustrados e que entregavam o terror necessário. Temos também o Sinistro, visto por Harry na aula de Adivinhação e que o perseguia desde o início da narrativa, quando o tal cachorro preto o vigiava assim que o garoto deixou a casa dos Dursley.

Outro ponto feliz de Prisioneiro de Azkaban foi dar a devida atenção aos figurinos e à composição visual. Era a primeira vez que Harry, Rony e Hermione utilizavam as roupas trouxas com mais costume, sem necessitar aparecer com os uniformes da escola a todo lado. O trabalho da produção e direção de arte era ainda mais potencializado com a cautela das posições de luzes e construção de cenários. É aí que entra uma das grandes sacadas de Cuarón: fazer referências ao principal plot do filme, que é a viagem de Harry e Hermione com o vira-tempo. Em várias cenas, é possível observar detalhes que simbolizam o tempo, como o relógio cuco na casa dos Dursley, o Pátio da Torre do Relógio, e o som de "tique-taque" no fundo, em alguns momentos.

Apesar dos acertos, não podemos deixar de apontar o maior erro da produção. A história dos Marotos é uma das partes mais divertidas do livro e no filme, há uma abordagem superficial e pouco explorada dessa parte. Os nomes Aluado, Almofadinhas e Pontas ficam extremamente soltos na narrativa – Rabicho é a exceção. Ainda que o Mapa do Maroto marque presença, não seria exagero sugerir que alguém que não leu os livros provavelmente não sabe que Tiago Potter pode se transformar em um cervo, por exemplo, embora o filme deixe implícito. É por essa razão que muitos fãs de HP pedem a bastante tempo uma série sobre o grupo.

No entanto, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban estará sempre no coração dos potterheads e nada tira a maestria da direção de Cuarón. Diferentemente das produções de David Yates, que assumiu a direção a partir de Ordem da Fênix e realizou um trabalho sem muito brilho, o diretor mexicano deixou sua identidade e nos presenteou com o melhor filme da saga. A melhor viagem do Menino que Sobreviveu nos cinemas.

REFERÊNCIAS:

GONZAGA, Rafael. "Guillermo del Toro revela se arrepender de ter recusado dirigir Prisioneiro de Azkaban". OMELETE. Disponível em: <https://www.omelete.com.br/harry-potter/harry-potter-guillermo-del-toro-revela-se-arrepender-de-ter-recusado-dirigir-prisioneiro-de-azkaban#:~:text=%22Eu%20tive%20a%20incr%C3%ADvel%20oportunidades,90%20minutos%20no%20Annecy%20Festival.&text=Quando%20eu%20n%C3%A3o%20dirigi%20o,leve%20do%20que%20os%20livros>. Acesso em 11 de jun. de 2021.
MILANI, Roberto. “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”. PAPO DE CINEMA. Disponível em: <https://www.papodecinema.com.br/filmes/harry-potter-e-o-prisioneiro-de-azkaban/fotos/>. Acesso em 7 de jun. de 2021.
KEEGAN, Rebecca. " Alfonso Cuaron on the Woman Who Inspired Roma, Making Harry Potter, and What He Learned from His Worst Movie". VANITY FAIR. Disponível em: <https://www.vanityfair.com/hollywood/2018/09/alfonso-cuaron-telluride>. Acesso em 11 de jun. de 2021.
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