26/06/2019 às 13h44min - Atualizada em 26/06/2019 às 13h44min

Mais que falar sobre amizade, Toy Story 4 explora o autoconhecimento

Crítica com spoilers

Jordana Rodrigues
Site: Espaço Crítico
“Time que está ganhando não se mexe”, já dizia o velho ditado, mas às vezes a ‘mexida’ pode ser para melhorar.
 
O encerramento do terceiro filme e fechamento da trilogia Toy Story havia sido o fim de uma era que marcou adultos e crianças, tudo perfeito, Andy na faculdade e os brinquedos com uma criança amorosa e que por muito tempo ainda brincaria com Woody & Cia. Com o anúncio do quarto filme, o misto de ‘não mexam com o final maravilhoso do filme’ e ‘façam mais, eu quero’, tomou conta de quem cresceu e acompanhou as aventuras do sherife e dos outros brinquedos. Era arriscado mexer em um fim que se encaixa tão bem, mas a Pixar, como sempre, acertou. Quem achou que não havia mais o que contar estava errado. Tinha história e muita. Explorar o lado ainda não visto dos filmes foi a ideia do diretor Josh Cooley, que entregou um filme repleto de aventuras e que faz qualquer marmanjo ficar com os olhos marejados. 
 
Seguindo a história, Bonnie, agora dona dos brinquedos, está pronta para ir ao jardim de infância, brincando com alguns e esquecendo certos sherifes no armário. Como toda criança, o medo de encarar o primeiro dia na escola também ronda a menina. Para passar por esta fase, a pequena faz literalmente um novo amigo, Garfinho. Feito de lixo (garfo plástico, palito de picolé e cordas), o ‘brinquedo’ não quer aceitar que ganhou uma nova vida e pretende seguir seu destino: o lixo. Para que isso não aconteça, Woody não mede esforços para que Garfinho fique junto de Bonnie. 
Novos personagens são adicionados a história, que conquistam os espectadores com doses certas de humor. Mas os antigos continuam firmes. Até os que todos achavam que haviam desaparecido. A abajur Betty, par romântico do cowboy que havia desaparecido entre os filmes 2 e 3, reaparece como uma forte e independente personagem, que descobre como se adaptar ao mundo perdido dos brinquedos e que a sua felicidade não depende de ninguém, apenas dela.  Já o patrulheiro espacial Buzz Ligthtear, assume papel de coadjuvante e alívio cômico no longa e como Betty, descobre como ouvir a si mesmo e tomar as melhores decisões sem precisar ouvir outras pessoas, ou no caso, brinquedos. 

Mais que falar sobre brinquedos, Toy Story sempre abordou sobre amizade, companheirismo e lealdade. No quarto capítulo não é diferente, mas vai além: O filme fala sobre o lugar que pertencemos e a busca por autoconhecimento. Se é egoísmo querer deixar sempre os melhores amigos Woody e Buzz juntos? Sim, é. Mas amizades são assim e o ao longo de 1h40min, aprendemos que amigos se afastam e as coisas não mudam por isso, que sempre continuarão amigos. Com uma produção incrível e rica em detalhes, o filme expõe que Woody, que ainda sente a falta de Andy, entende que tudo que vivemos tem um motivo, que devemos aceitar quando as coisas não seguem como planejado e que às vezes, é até melhor. Se tem espaço para um quinto filme? Talvez. Se vamos aceitar e lotar os cinemas assistindo? Com certeza. Pode mandar mais, Pixar. Não vamos nos cansar de ir ao infinito e além.

Nota 5

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