18/11/2022 às 11h03min - Atualizada em 04/11/2022 às 09h35min

Novela Travessia dar papel de advogada a atriz cadeirante

Em horário nobre, a autora Glória Perez aposta nas pautas levantadas pelas pessoas com deficiência

Marina Magalhães Prizan - editado por Larissa Nunes
Juliana Caldas e Manuela Trigo. (Foto: Reprodução / Notícias da TV)

No mês de fevereiro, noticiamos aqui que o Oscar foi para a comunidade de Pessoas com Deficiência, graças ao filme no Ritmo Coração. As percepções sobre a deficiência vêm sendo mudadas gradativamente com a ajuda de informações disponiveis nas redes sociais.

Mas, há anos em que a busca por todos os espaços vêm sendo discutida por essa galera, e o combate ao capacitismo alcançou a mídia. Tanto ouve-se falar, que a autora da novela Travessia, Glória Perez, teve a ideia de trazer para a TV aberta, na Rede Globo, uma advogada cadeirante.

Tábata Contri ficou a cargo de ser a primeira atriz brasileira a ganhar um papel de relevância após décadas. A personagem que se chamará Juliana, ajudará Brisa, interpretada por Lucy Alves, a rever a guarda do filho.

No entanto, existe na história da Rede Globo, no ano de 2009, a escalação para um papel coadjuvante, aonde foi escolhida para dar vida a personagem Anitta, da novela Caras e Bocas, a atriz Danieli Haloten, que hoje se dedica ao curso de Direito.
   
Danieli tem deficiência visual e une o Direito e Jornalismo, suas duas graduações, com o propósito de levar e esclarecer informações do ambiente jurídico. Não é novidade que emissoras de TV com grade de entretenimento promovem e propagam um termo chamado cripface.

Este termo refere-se á uma prática bem conhecida, para contextualiza-lo é necessário dizer que se busca mudar tal cenário, e que é costume pegar pessoas sem deficiência para fazer papel de deficientes físicos, auditivos, pessoas com nanismo e até autismo. Por isso Tábata e Danieli podem se alegrar em terem feito parte de alguém tão representativo.

Acredita-se que seja a prática a responsável por não escalar atores com a deficiência mencionada em novelas. O assunto ganha força na classe artistica, já que as mídias demonstram ser indiferente a prática. Dado a casos como o de Danieli  que nunca mais atuou depois da novela, ela como muitos, não tem oportunidade. Por isso, traremos nomes de atores e atrizes com deficiência para você conhecer.

Para desejar sorte a veterana da TV e palcos de teatro... sim, Travessia não é o primeiro trabalho de Tabata Contri, mas é o primeiro com mais tempo em tela.



 

Conheça atores e atrizes com deficiência
 
Daryl Hannah

Talvez seja o caso dizer que ela, seja a primeira atriz autista a ter uma biografia com tantos colegas de peso. De Sense8 como Angelica além de outros trabalhos como  Blade Runner, Splash, Wall Street, Kill Bill, a atriz Hannah conquistou seu espaço nos anos 80.
 
Edgar Jacques

É um ator brasileiro que que idealizou sua própria peça de teatro a fim de se colocar no mercado. Seu nome é mais conhecido nos palcos até então, engajado nas questões das pessoas com deficiência visual, e muito ativo nas redes sociais. Edgar reforça amostras de peça inclusivas e suas atuações nas redes sociais.

Manuela Trigo

Com papel central capaz de humanizar o vilão da série Aruanas, na Rede Globo, Manuela Trigo, entrou para história em 2019 se tornando a primeira atriz mirim com paralisia cerebral. Despertando a atenção de quem a assiste, a direção, produção e colegas de trabalho, elogiam seu profissionalismo, e em um video de apresentação da personagem de Manuela, se confirma que ela adora dar corpo a sua personagem Gabi.
Hoje em suas redes sociais, é possivel acompanhar seu dia a dia e em sua bio na mesma rede, ainda consta sua integração em Aruanas.

Juliana Caldas

Já faz dez anos que Juliana de não é vista na TV. No ar, durante a novela de Walcy Carrasco, intitulada O Outro Lado do Paraíso, a atriz considera sua escalação para trama naquela época uma grande oportunidade, mas que espera fazer outros papéis sem que explore o nanismo.

A última vez que Juliana ganhou a mídia foi para falar da repercussão do filme protagonizado por Leandro Hassum, o filme em questão explora e faz piada com a condição acometida vivida pelo seu personagem por ter nanismo. Como filme de comédia, faz piada não muito bem vistas pela comunidade PCD e pelas pessoas que tem a deficiência de Juliana.
Ela se pronunciou dizendo que o filme dá mais força aquilo que o capacitismo propaga. Hassum logo se pronunciou sobre o assunto pedindo desculpas a Juliana e que o filme estava aí com o intuito de entreter e não de ridicularizar condição alguma.
 
Joana Mocarzel

Joana ficou com todos os olhares do público para si em 2006, e chegou até ser premiada pela sua atuação na novela Páginas da Vida. Aos 23 anos, já deu entrevistas falando que seus trabalhos na TV pararam naquele ano, algumas dessas entrevistas fazem um 'paralelo' com as oportunidades que deram a Gabriel Kaufmann, que viveu seu irmão gêmeo na trama.

O ator não possui síndrome de down como a atriz, no entretanto, vale destacar que Joana lembra da época da novela com carinho e em seu instagram divulga marcas de produtos que a convidam para fazer parceria. Porém, a atriz segue sem testes ou convites para voltar a trabalhar nas emissoras.
 
 
Ariel Godenberg

Conhecido pelo seu papel no filme Colegas, que explorou o universo e trouxe na pauta a síndrome de down, Gabriel deu entrevistas na época do filme em 2012, dizendo que se sente e que é igual a todos, mas sua luta por representatividade continua sendo sua ideia e ação.

Tatá Cordazzo

A atriz se mostra disposta a lutar pelos seus papéis em televisão. Na trama em Malhação,  sua condição foi uma das temáticas exploradas na novela em 2019. Já em Tempo de Amar, sua personagem não era deficiente auditiva. No documentário Surdos que Ouvem, ela destacou a representatividade e a importância que isso poderia ter na mídia, e que os recursos de leitura labial ajudava a compor as cenas.
 
Ryan O'Connell

Idealizador e roteirista da série Special, o ator teve a ideia de explorar angústia, preocupações e desejos de quem tem paralisia cerebral, uma deficiência que também faz parte do próprio ator. A série cômica emocional traz várias nuances da convivência com a própria deficiência.

Tal idealização é um banho de representatividade, desconstrução estereótipos como Ryan mesmo aponta. Mas infelizmente, após a segunda temporada, alguns portais já noticiam o cancelamento de Special, logo ela que já ganhou prêmios pela temática LGBT.


Kiera Allen

Protagonista de Fuja, na Netflix, a atriz conseguiu um patamar que não era visto e desfrutado desde 1948, onde uma atriz cadeirante estrelava um filme de suspense, quebrando um hiato de 70 anos. Aos 24 anos, Kiera Allen, tem no currículo seis filmes e afirma não desistir da atuação.


   


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