29/08/2019 às 19h30min - Atualizada em 29/08/2019 às 19h30min

Machismo: Obstáculo constante no universo geek

Problema ignorado e persistente com as mulheres cosplayers

Emmyly Melo - Editado por Bárbara Miranda
O machismo é um dos principais problemas da sociedade, afeta os lares, trabalhos e o mundo geek não fica de fora. Partindo desde “mulher não sabe jogar” até assédios ás cosplayers. O Universo Geek é uma parte da sociedade que mais tem a presença do machismo e várias mulheres já relataram muitos casos de assédio. Mesmo as mulheres já sendo a maioria no Brasil, ocupando 52,6% do público consumidor de jogos eletrônicos, segundo pesquisa de 2016 realizada pela agência de tecnologia interativa Sioux, o machismo é o que predomina nesse ambiente.
 
O machismo é o conceito que se baseia na supervalorização do homem, são ações e pensamentos que colocam o homem superior á mulher.  É o machismo que desencadeia comportamentos como: assédio e feminicidio. No mundo Geek, o machismo inicia-se entre os jogos, filmes e animes: com a visão da mulher como objeto e bastante sexualizada. A maioria (se não todos) dos jogos mostra a mulher bastante sexualizada. A representação da mulher na Cultura Geek ainda é algo machista, uma vez que o universo Geek é muito masculinizado. A imagem da mulher esta sempre relacionada á algo da cultura machista, seja: Sexualizada, indefesa ou simplismente o par romantico do protagonista. Então, desde pequenos, os homens aprendem a ver a mulher como objeto.
 
Em entrevista com cosplayers de Recife (PE), elas relatam o quão o machismo é forte nesse meio. “O feminismo precisa chegar aos eventos cosplays” diz Viviane Silva, cosplayer há 10 anos. Das cinco mulheres entrevistadas, quatro já sofreram com o assédio ou com o machismo. “Foi tão horrível que precisei de psicólogo” conta uma das entrevistadas. Essas atitudes trazem consequências, pois várias mulheres deixam de fazer um determinado ou, ate mesmo, de ser cosplayer por ter passado por isso. “Muitas amigas deixaram de fazer determinados cosplays para evitar.” Quando perguntada se já deixou de fazer cosplay por conta do medo, Maluna (nome artístico), declarou: “Chega a ser desanimador. Não tenho deixado se aproximarem muito para fazer fotos comigo. Tive que levantar uma barreira. Eu evito personagens que mostre muitas partes do corpo. Hoje estou tentando um pouco mais, porem é complicado. Medos não morrem facilmente.”
 
FONTE : Maluna.
 
Porém, há casos onde mulheres também são machistas. Na nossa sociedade há o machismo estrutural, ou seja, está implantado na sociedade, passado de geração á geração, é o sistema dos privilégios masculinos que é praticado por todos. Vêm na estrutura da sociedade, logo, afeta homens e mulheres e as pessoas não veem que há problema nisso, é algo “natural” esse tipo de comportamento. “Também, com aquela roupa! ‘Tava’ querendo né?” essa é uma das frases ditas por uma mulher para uma das cosplayers entrevistadas.
 
Porém algo que deveria ter bastante relevância, não é levado a sério e não tem a atenção que deveria, principalmente nos eventos. A mulher acaba tendo que se adaptar ao machismo, uma vez que ele não é combatido, seja: deixando de fazer um cosplay por medo ou só andar em grupo.  Entretanto, por ter mais mulheres denunciando esses casos, alguns eventos já colocam placas avisando para respeitar as cosplayers, para pedir se for abraçar ou algo relacionado.
 
 FONTE : Viviane Silva.
 
Quando pedidas para dar um conselho para as mulheres sobre essas situações elas disseram: “não se calem”, disse Thaís Abreu ; “sororidade é a palavra” destacou Viviane Silva; Denunciem!” declarou Maluna. E sobre os homens machistas, Viviane Silva declarou: “Parem de olhar para as mulheres como se elas fossem um pedaço de carne. Valorizem a arte delas e o trabalho que elas tem para fazer os cosplayers assim como vocês. E olhem as mulheres como iguais. Somos todos seres humanos.”
 
“Importunação ofensiva ao pudor: é o assédio verbal, quando alguém diz coisas desagradáveis e/ou invasivas (as famosas “cantadas”) ou faz ameaças. Tais condutas também são formas de agressão e devem ser coibidas e denunciadas conforme Art. 61 da Lei nº 3688/1941”. – Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública.
 
FONTE : Viih Shirayuki.
 
“Temos que ser respeitadas independente das roupas que usamos.” fala Viih Shirayuki
 
REFERÊNCIAS

A MEDIUM CORPORATION. 
O assédio às cosplayers, o machismo na cultura nerd e o Male Gaze. Disponivel em:<https://medium.com/escritosfeministas/o-ass%C3%A9dio-%C3%A0s-cosplayers-o-machismo-na-cultura-nerd-e-o-male-gaze-5e6be9ae5bea >. Acesso em: 29 de agosto de 2019.

 
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