26/12/2019 às 17h18min - Atualizada em 26/12/2019 às 17h18min

Luz, câmeras e seguidores

Documentário retrata caminho traçado por candidatas à influencers

Francine Ribeiro - Editado por Alinne Morais
'Apoteose Digital': documentário retrata obsessão pelo sucesso virtual (Foto: Divulgação)
Na década de 1990, as meninas sonhavam em ser top models. No início do século XXI, surgiram as celebridades. Com o avanço digital, agora as moçam querem ser influencers. Conquistar seguidores "exibindo uma vida de glamour" nas redes sociais é o tema central do documentário "Apoteose digital", realizado por Laís Lima e Rodrigo Alves.

Os produtores captaram depoimentos de moças que querem, que estão no caminho e das que já ultrapassaram a marca de 100.000 seguidores. 
"A pessoa se torna influenciadora quando alguém quer a vida que ela tem", declarou uma influencer.

Mas como transformar em profissão uma atividade baseada no "look do dia"?. As agências de modelos - que já não se interessam tanto por modelos - atentas ao novo nicho, já buscam influencers e o documentário mostra como isso auxilia no aumento do número de seguidores.

A personagem central possui mais de 40 mil seguidores e quatro fãs-clubes. Talves você nunca tenha ouvido falar nela, assim como nunca tenha ouvido sobre a maioria que possui mais de 100 mil seguidores, mas observando a narrativa é possível perceber que quer ser seguido - ou segue - não busca grandes realizações profissionais, mas sim o prazer de ser visto, admirado, materializado na forma de curtidas. 

LIKES

Em julho deste ano o Instagram deixou de mostrar o número de curtidas, alegando preocupação com a saúde mental dos usuários da rede. Sinceridade ou não, tal medida em nada alterou a vontade das moçoilas em brilhar na esfera digital - e também fora dela, é claro - e o número de sonhadoras só aumenta. Para escolher a personagem central do documentário, os produtores receberam 664 incrições e entrevistaram 12.   

Querer ser vista como uma profissional ou como uma profissão, requer seguir um código de ética que, embora cada uma tenha o seu, certas coisas não mudam. Profissionais influencers podem dar orientações sobre alimentação, saúde e procecimentos estéticos em troca de valores - estes incluem cachês, roupas, maquiagens e, até mesmo o próprio procedimento estético. Conselhos profissionais, tais como os de medicina, enfermagem e nutrição, proíbem esse tipo de permuta. 

E, as que fazem, dificilmente assumem esse tipo de procedimento. Vender a imagem de glamour nos posts, não contempla assumir que determinados padrões muitas vezes são difíceis de serem atingidos "sem uma ajudinha".

Assim, as ilusões aumentam na medida que crescem os seguidores.
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