07/06/2021 às 06h16min - Atualizada em 07/06/2021 às 07h26min

Por dentro do mercado editorial dos quadrinhos

Conheça mais sobre os processos de produção das HQ's com Ricardo Souza, ilustrador e artista independente

Nathalin Gorska - Editado por Fernanda Simplício
FONTE: Action comics #1 / Reprodução


A história das histórias em quadrinhos revela como surgiu essa expansão da imprensa, que nasceu das 'tirinhas' e ganhou as bancas de jornais e prinicipais críticas no mundo.  
Logo no início, as publicações eram feitas nos jornais, e na maioria das vezes era sátiras. Por volta de 1930, as coisas mudaram, e as HQ’s passaram a ter um palco só para elas, como forma de revistas independentes.
Esse casamento entre imagem e figuras começou a ganhar forma, e assim, foi se estabilizando como uma das maiores formas de comunicação no mundo. Hoje, mais da metade das crianças de todo o planeta consomem notícia através das histórias em quadrinhos.
E essa construção teve grandes personagens como seus icones principais para iniciar essa expansão por este gênero.


Para falar sobre os processos de produção e publicação de uma HQ convidamos Ricardo Souza, Ilustrador, quadrinista e diagramador, que produz os quadrinhos independentes Power Pants e Kauê Medeiros, estudante de jornalismo e fã de quadrinhos.

As histórias em quadrinhos como inspiração para a história

Os personagens que protagonizaram o início da nova fase das histórias foram O Marinheiro Popeye (1929), Mickey Mouse (1930), Pato Donald (1938) e também os responsáveis pala popularização das HQ’s: Super Homem (1938) e Batman (1939).


 

O período da Segunda Guerra Mundial possui grande relevância na história das revistas dos super-heróis, pois foi lá que surgiram os grandes “salvadores” que conhecemos até hoje, o maior exemplo é o Capitão América, que lutava para proteger os Estados Unidos da América, e que inspirou várias crianças, sendo inclusive um símbolo do patriotismo norte-americano. Tal símbolo que até hoje é material de estudo para entender os conflitos da época.


Por dentro do mercado editorial

Agora que você já conhece um pouco sobre o surgimento dos quadrinhos e sua influência, vamos te apresentar o mercado editorial.

Para uma obra ser publicada existem várias etapas: criação, ilustração, editoração, impressão e vários outros. Mas onde tudo começa?

Um artista, primeiramente faz a síntese da obra em sua cabeça, depois vem a parte da história, em que é feito a construção de personagem e as ilustrações (algumas vezes feita pelo próprio criador da história e às vezes por um ilustrador separado).

A parte de publicação da obra fica por conta da editora, que é responsável por analisar se a obra tem potencial para gerar lucros ou não. É na parte da editoração que também são feitos os ajustes e a impressão das histórias em quadrinhos. As estratégias de marketing e vendas também são de responsabilidade da editora.


Para a revista chegar na sua casa temos alguns caminhos:

  1. Comprar direto da editora responsável pela obra;
  2. Comprar de bancas de jornais ou lojas de quadrinhos;
  3. Comprar pela Internet.

 Todas as etapas acima envolvem transportadoras, e funcionários, chegando assim no valor final do produto que você recebe na sua casa.

Mas alguns artistas seguem um caminho diferente, e se tornam publicadores independentes, como é o caso do Ricardo Souza, designer gráfico, diagramador em jornais e autor da história em quadrinhos nacional Power Pants que foi lançada em 2018 durante o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), em Belo Horizonte. A história acompanha Juan que se candidata para uma oportunidade de emprego no exterior, e para permanecer no país, precisará se envolver em um esquema de lutas clandestinas.




Em entrevista ao nosso site, Ricardo falou as dificuldades de ser um artista independente:
 

“Tirando o tempo extra que é preciso ter e de um investimento financeiro para impressão, a maior dificuldade veio depois, na hora de promover e vender as publicações. É preciso ir atrás dos portais de notícias, eventos e feiras de publicações [...] mesmo assim, o público que se interessa pela HQ independente ainda é muito pequeno no Brasil.”

 
E também falou sobre a importância de apoiar os artistas nacionais:

 

“Os quadrinhos americanos há décadas têm influência na nossa cultura [...] além de desfrutarem de um grande investimento financeiro, conseguem abranger aspectos da cultura deles de forma bastante atraente e popular para um público geral. O brasileiro ainda é muito resistente com a própria cultura nas HQ’s [...] é muito mais fácil novos leitores se interessarem por um herói com arquétipo norte-americano ou de um samurai do que um indígena brasileiro”


Conheça mais sobre o artista:



 

A nossa equipe também entrevistou fãs de quadrinhos, que nos apresentaram suas visões sobre o mercado editorial.

“Falta incentivo cultural para os quadrinhos (nacionais) serem mais evoluídos”, declara Kaue Medeiros, estudante de jornalismo e crítico de quadrinhos para o site Nerdzoom. Kaue também afirmou que um dos pontos fortes dos quadrinhos nacionais são a isenção de cronologias, muito comuns nas obras internacionais.

Questionado sobre sua obra nacional favorita, o estudante citou a obra Astronauta, de Danilo Bayruth.

O mercado editorial está em constante mudanças, tanto por necessidades mercadológicas, quanto por características das obras e importância de apoiar artistas nacionais é um tema que precisamos colocar em pauta.

A cultura brasileira foi agraciada com grandes obras, como Turma da Mônica, de Maurício de Souza, que foi traduzida para mais de 32 idiomas, e trabalha de forma lúdica temas importantes e relevantes, temos também as obras do cartunista Ziraldo, consagrado como um dos maiores artista do ramo no Brasil, o personagem Zé Carioca, que apresentou ao mundo o “jeitinho brasileiro” e características da nossa cultura, e a clássica boneca de pano que fez parte da infância de todas as crianças brasileiras, a Emília, de Sítio do Pica Pau Amarelo, obra que foi adaptada para diversas mídias e em todas, fez sucesso.
 
O Brasil, é um celeiro de produções independentes, sendo palcos para eventos, festivais e diversas pesquisas que afirmam o posto do Brasil no mercado editorial de quadrinhos, e tal posto que tornou possível sermos um dos países a sediar a Comic Con.
Temos muito para aprender com as histórias em quadrinhos, e também, novos mundos para descobrir.


Para se aprofundar mais no assunto, segue uma indicação de podcast falando sobre como funciona uma pequena editora de quadrinhos:


 

REFERÊNCIAS:
SANTOS, Aline Martins. A Segunda Guerra Mundial na Linguagem dos Quadrinhos. Capitão América: “A Sentinela da Liberdade” ou “O Defensor da América para os Americanos”?.  Disponível em: < http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/encontros-nacionais/6o-encontro-2008-1/A%20Segunda%20Guerra%20Mundial%20na%20Linguagem%20dos%20Quadrinhos.pdf>. Acesso em: 04 de jun. 2021

OCHABA, Sabine. 1890: Primeira revista em quadrinhos. DW, 2021. Disponível em: < https://www.dw.com/pt-br/1890-primeira-revista-em-quadrinhos/a-834103#:~:text=Algumas%20fontes%20consideram%20o%2017,primeira%20revista%20com%20hist%C3%B3rias%20desenhadas.>. Acesso em: 04 de jun. 2021

MATOS, Talliandre. História em Quadrinhos. Mundo Educação, 2021. Disponível em: < https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/historia-historia-quadrinhos.htm#:~:text=Os%20quadrinhos%20como%20os%20conhecemos,publicadas%20e%20consumidas%20pelos%20leitores.&text=Foi%20em%201939%20que%20a,Unidos%2C%20apresentando%20o%20her%C3%B3i%20Superman.>. Acesso em: 03 de jun. 2021

NALIATO, Samir. Confins do Universo 107 – Como funciona uma pequena editora de quadrinhos. Universo HQ, 2020. Disponível em: < https://universohq.com/podcast/confins-do-universo-107-como-funciona-uma-pequena-editora-de-quadrinhos/>. Acesso em: 04 de jun. 2021

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