06/06/2019 às 11h09min - Atualizada em 06/06/2019 às 11h09min

Ribeirão Pires promove festival no Mês Internacional do Orgulho LGBT

Evento contou com a presença das cantoras Lia Clark e Karol Conka para promover visibilidade e conscientização

Larissa Costa
Cantora Lia Clark foi uma das atrações do evento. (Fotos: Rafael Costa)

Em todo o mundo, o mês de junho é lembrado como referência da luta LGBT. Desde de o dia 28 de junho 1969, quando jovens se reuniram na revolta de Stonewall (que, em 2019, completa 50 anos) para reivindicar seus direitos LGBTs e promover o debate público, várias ações passaram a acontecer ao redor do globo em busca de informar a população sobre o tema.

Na cidade de Ribeirão Pires,  ABC Paulista, desde 2014 são realizadas ações contra o preconceito. É o caso da Lei municipal nº 5824, de 02/04/2014 que estabelece o dia 17 de maio como “Dia Municipal de Combate a Homofobia” e o Festival de Combate à LGBTfobia, que aconteceu neste último sábado (01 de junho) pelo terceiro ano seguido, ajuda na conscientização. O evento contou com competições entre Drag Queens, apresentações de dança de escolas locais, DJs e participação das Cantoras Lia Clark e Karol Conka.



DJ Fell no início do Festival. Foto: Rafael Costa.

 

Dançarinos da Academia Oficina do Corpo. Foto: Rafael Costa.



Platéia no evento. Foto: Rafael Costa.


Duda, que é conhecida por vender coxinhas próximo à estação de trem, compareceu ao evento e nos contou a importância de uma ação como esta: “somos uma população muito grande, os LGBTs, e infelizmente somos discriminados por muitas coisas. Então é muito bom ter isso, ainda mais em Ribeirão Pires, que o pessoal é meio ‘pacato’, porque abre um pouco a cabeça das pessoas aqui da região”, conta a vendedora.



Vendedora Duda. Foto: Rafael Costa.

Rodrigo acredita que o Festival também pode ser bom, principalmente, para as pessoas mais velhas, que talvez tenham dificuldades em compreender e aceitar os LGBTs: “Eu acho que é um evento importante, primeiramente porque muitos dos que estão aqui são jovens e junto com eles podem estar muitos pais, e normalmente o preconceito é das gerações passadas, principalmente. Acho que é uma coisa boa os pais vendo os filhos aqui e vendo as apresentações, recebendo informação”.

Segundo Jefferson, professor de história em Ribeirão Pires o evento pode ajudar quebrar conceitos ultrapassados de muitos dos moradores da cidade: “Ribeirão Pires é historicamente muito conservadora e eu acho que festivais como esse são extremamente importantes para que as pessoas sejam informadas. Tanto para aquelas que não vão mudar a sua LGBTfobia, mas precisam entender que ela não tem mais espaço na nossa sociedade, quanto para aquelas pessoas que não conhecem e não sabem o que é identidade de gênero e outras questões de gênero”.



Professor Jefferson. Foto: Rafael Costa.

Em entrevista para o LabDicasJornalismo, a cantora Lia Clark lembrou da importância de buscar compreender a causa LGBT para saber como apoiar e destacou também que somente um trabalho em conjunto pode resultar, um dia, no respeito mútuo: “eu acho que todas as pessoas têm que aprender e se conscientizar sobre a nossa causa. É uma causa muito delicada porque mexe com a vida de muitas pessoas. Acho que se você souber o que vai fazer bem para a causa, o que você pode apoiar, o que você deve fazer, isso vai ajudar muito porque o que precisamos hoje em dia é de parceiros. Nós precisamos mostrar nosso apoio e nossa força dentro da comunidade e fora dela. Então quando nós juntarmos todas as forças e colocarmos tudo isso para fora, eu acho que vamos conseguir conscientizar e atingir um número maior de pessoas e aí quem sabe, em algum momento dessa vida, acabar com o preconceito”.


Cantora Lia Clark em entrevista para o LabDicasJornalismo. Foto: Rafael Costa.



Lia Clark e seus dançarinos. Foto: Rafael Costa.


Formação municipal

Na semana que antecedeu o evento, ocorreu uma Formação para servidores municipais a respeito de melhorar a conduta e o tratamento para o público LGBT, além de promover mais conhecimento a respeito do tema.

Wagner Lima, um dos organizadores do Festival e presidente do Grupo de Apoio à Diversidade do ABC, esteve presente na Formação e fez um paralelo entre as duas ações promovidas pela cidade e a importância delas no dia a dia dos LBGTs: “a formação dos funcionários públicos é importante para o atendimento LGBT nas questões de saúde, educação, principalmente o nome social das transexuais e travestis. Muitas vezes as pessoas acusam o servidor de ter preconceito, mas na verdade ele não tem conhecimento sobre o assunto. Então formar essa rede é dar oportunidade para o LGBT. O Festival é para a visibilidade. Muitos dos que estão aqui hoje acabam não tendo muito como se divertir. Além dos shows, têm as mensagens e tudo isso mostra que existem iguais e que ela (pessoa LGBT) pode estar ocupando uma praça”.

O evento terminou com o show de Karol Conka, com suas músicas de empoderamento e reflexão.

Editado por Alinne Morais

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