07/08/2021 às 14h34min - Atualizada em 07/08/2021 às 14h16min

Ahiru no Sora e a importância do esporte na sociedade

Em paralelo com anime, abordagem sobre a importância do esporte na vida do cidadão

Anne Santos - Editado por Fernanda Simplicio
Fonte : Diomedéa / Reprodução : Google

Ahiru no Sora adapta o mangá homônimo de Takeshi Hinata, publicado na Weekly Shounen Magazine desde 2004, já com 50 volumes encadernados. No Japão (até fevereiro de 2018), a obra já havia vendido mais de 24 milhões de cópias impressas.

O anime é produzido pelo estúdio Diomedéa, com direção de Keizou Kusakawa e Shingo Tamaki, roteiro de Go Zappa e desenho de personagens de Yoshino Honda, e teve seu lançamento estreado em outubro de 2019 no Brasil. 

Na história acompanhamos Sora Kurumatani, um estudante de 15 anos, com 1,49 cm de altura, apaixonado por basquete, que decide entrar para o clube/time de sua  nova escola assim que inicia o ensino médio. No entanto, além de ter que sofrer bullying por sua falta de estatura, precisa lidar com um bando de delinquentes desajustados comandados por um par de irmãos gêmeos, que perderam a paixão pelo esporte no decorrer de suas vidas. 

No início do anime nos deparamos com a resistência dos participantes do time, principalmente de Momoharu Hanazono (capitão e pivô do time) e Chiaki Hanazono (armador), que coincidentemente torna-se um dos melhores amigos de Sora (apelidado como Zé Tampinha). Aos poucos vamos conhecendo a história dos gêmeos no basquete e entendemos a motivação de tamanha resistência. É uma espécie de anime esportivo que junta o melhor de dois mundos (geek e esporte) ilustrados em um único lugar. Quem gosta de esporte, principalmente de basquete, irá ao delírio ao assistí-lo, já que a junção da trama e trilha sonora nos prende até o último minuto. É incrível a habilidade dos produtores de prender o telespectador, gerando um misto de sentimentos (euforia, tristeza, empatia e anseio) conforme vamos conhecendo a história de vida por trás de cada personagem. Vibramos a cada evolução, nos frustramos a cada derrota, e é assim até o fim. Personagens bem trabalhados e desenvolvidos e, o que antes era apenas um bando de delinquentes egoístas, viram um grupo de amigos, que confiam uns nos outros. 

Analisando minuciosamente a trama do anime podemos retratar a realidade realçando a importância do esporte na sociedade, já que não apresenta apenas a ambição do time em se esforçar em se tornarem os melhores para ir ao campeonato intercolegial, mas também a história de vida e sentimentos de cada um daqueles meninos. Quantos Kenji TobiNatsume, um rapaz apaixonado pelo basquete que perdeu o pai muito cedo e foi rejeitado pela família por conta de suas inúmeras confusões; Kaname MokichiShigeyoshi, com seus 1,98 cm de altura, que perdeu a fé em si mesmo por conta de todo o peso de expectativa imposto nele, mesmo amando tanto o esporte; Momoharu Hanazono, que apesar de amar tanto jogar basquete, abriu mão de tudo por se sentir insuficiente (mesmo ele sendo um péssimo pontuador) existem em nosso redor e sequer nos damos conta? Todos esses personagens citados andavam perdidos, com baixa autoestima, incrédulos, e apenas precisavam de alguém para lhe estender a mão, que acreditasse no potencial, enxergasse suas qualidades como ser humano e não desistisse tão facilmente deles.

De acordo com o artigo publicado pela revista digital (Buenos Aires) EFDeportes, a prática esportiva em espaços tanto públicos (escolas, praças, parques) quanto privados (escolinhas de esportes, academias, ginásio) produzem uma série de valores em seu contexto. Liderança, trabalho em equipe e respeito às regras são alguns exemplos, muitas das vezes indiretamente, quando há intervenção de algum profissional esportivo, com a intenção de provocar a produção desses valores nos participantes da atividade física. 

Nesse contexto, os projetos e programas sociais são fundamentais na construção da cidadania, fazendo a inclusão de jovens e crianças desfavorecidas, criando uma perspectiva de um futuro melhor (socializando-as, criando vínculos de amizades, afastando-as das drogas). 

“Um dos maiores benefícios que o esporte proporciona é a transmissão das experiências de dentro do esporte para a sociedade. Como diz um dos professores entrevistados: “Os valores ajudam as pessoas. O perder e ganhar, trabalho em equipe, respeito com os demais”. Outro participante ressaltou que os valores são transmitidos, tanto os positivos como os negativos. Bracht (1997) comenta que a socialização das pessoas se dá através da internalização de valores e das normas e regras de conduta da sociedade em que pertence e convive com os demais integrantes.”

“A educação de valores tem como papel fundamental, formar o seu aluno para as diversas situações de sua vida. Através da Educação Física, pode-se trabalhar questões no esporte, na participação de atividades e brincadeiras que arremeterão para questões sociais. A honestidade em uma saída de bola, saber brincar sem roubar, jogar sem violência, são pontos que podem ser trabalhados pelo professor e, desta forma, relacionar estas situações que ocorrem durante a atividade com a vida de cada um. Chaves (2004) alerta que se a escola não se manifestar de forma antagônica a determinados desvalores passados aos alunos e ficar submissa e submetida à outros interesses que não tenham cunhos educativos, desvia-se da sua função prioritária de formar o cidadão íntegro, ético e consciente de suas ações. Do mesmo modo que o professor deve instigar seus alunos para a construção de valores que contribuirão para uma vida em sociedade de seus alunos, ele deve também estar atento quando desvalores começam a aparecer nas atividades durante sua aula.”

Como destacam várias vezes no artigo usado como referência, é importante que projetos como esse sejam criados e apoiados pelo governo, mas que sejam de forma integral e não mude cada vez que há troca nos líderes. O esporte muda vidas, aproxima pessoas de várias regiões, etnias e religiões, criam laços de amizades, ensinam bons modos, formam senso de responsabilidade e cumprimento de regras. Algo que é tão benéfico, deveria ser olhado com mais dedicação e mais contribuição. 

Voltando ao anime, Sora Kurumatani dá um espetáculo de protagonismo. Apesar de sofrer bullying diariamente por sua baixa estatura, sua devoção pelo basquete e sua determinação nos cativa a cada segundo. O querido Zé Tampinha consegue o reconhecimento de seus companheiros, luta e confia neles de olhos fechados, tem senso de lealdade e não desiste nunca, tanto de seus objetivos pessoais quanto de seus amigos. 

Ahiru no Sora é um anime que vale a pena ser assistido, ainda mais nesse clima de Olimpíadas. É bem desenhado, apesar de toda a treta que o Hinata teve com o estúdio, e tem uma excelente trilha sonora. O telespectador cria empatia pelos personagens e também vislumbra assuntos que deveriam ser mais refletidos, mas que acabam não dando tanta relevância. O artigo que foi usado como referência também vale a pena ser lido, já que ele eleva o nosso conhecimento e amplia a nossa visão sobre o assunto. 

 

REFERÊNCIAS:
Beraldi. “A química em Ahiru no Sora”.
SUCO DE MANGÁ. Disponível em : <https://sucodemanga.com.br/a-quimica-em-ahiru-no-sora/ > Acesso em : 27 de jul. de 2021.

 

“Esporte e sociedade: a construção de valores na prática esportiva em projetos sociais”. EF ESPORTES. Disponível em : < https://www.efdeportes.com/efd171/esporte-e-sociedade-a-construcao-de-valores.htm > Acesso em : 27 de julh. de 2021.

 
 

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