15/10/2021 às 01h05min - Atualizada em 15/10/2021 às 00h47min

Círio de Nossa Senhora de Nazaré - O Natal dos paraenses

Marcado sempre por muita Fé e Devoção, o Círio de Nazaré - uma das maiores demonstrações de fé do mundo, não perdeu seu encanto nem mesmo com todas as restrições atuais devido a pandemia

Flávia Pena - editado por Larissa Nunes
Fonte: Círio de Nazaré - Reprodução/Facebook
O Círio de Nazaré é uma das maiores manifestações de fé do mundo. Sendo a maior manifestação católica do Brasil, reunindo mais de dois milhões de pessoas em uma única manhã, o evento religioso ocorre todos os anos em Belém do Pará desde 1793.

Em Outubro o clima muda em Belém. A programação do Círio ocorre durante o mês inteiro onde são 15 procissões oficiais ao todo. Sendo a maior delas no segundo domingo do mês – o Círio de Nazaré, os fiéis enchem as ruas da cidade pagando suas promessas, residências e prédios comerciais se destacam com decorações e cartazes em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. A cidade recebe turistas do mundo inteiro e as típicas comidas do Círio, como pato no tucupi e a maniçoba exalam por todo o canto criando um verdadeiro clima de festa. O verdadeiro Natal dos paraenses.


Quando se fala em natal, a lembrança que vem é Jesus, ceia, os enfeites, cores, presentes, alegria, e casa cheia. Em Belém, no mês de Outubro o natal se antecipa nos lares dos paraenses. Além do clima festivo, a Fé dos devotos de Nazaré eleva-se de forma tão sublime, que toca até mesmo adeptos de outras religiões. São milhares de pessoas que vão as ruas agradecer a Padroeira dos paraenses pelas graças alcançadas ou pedir intercessão 
à Ela.
 

Pelo segundo ano consecutivo não houve procissão oficial do Círio de Nazaré, devido a pandemia de Coronavírus, porém, as celebrações 228ª edição do Círio foram intensas. As restrições devido a pandemia não impediram que os fiéis tomassem as ruas da capital em homenagem a Nossa senhora de Nazaré. Em 2020, mesmo com a pandemia, aproximadamente 100 mil pessoas foram às ruas, já neste ano, segundo a Cruz Vermelha, 500 mil pessoas percorreram as vias da cidade em homenagem à padroeira da Amazônia. 


Conversei com Viviane Araújo (22), paraense, Empresária e Devota de Nossa Senhora de Nazaré, sobre sua relação com o Círio. Segundo ela, tentar fazer com que alguém visualize o Círio apenas com palavras é muito difícil, mas ela resumiu como, um mês do ano em que todos os devotos demostram a fé que eles têm o ano todo, de uma forma ainda mais viva, a gratidão que têm o ano todo fica ainda mais forte, momento em que eles agradecem todas as bênçãos alcançadas.

Esse ano para ela foi bem emocionante. Ela e membros da paróquia em que frequenta, realizaram uma peregrinação de pouco mais 16km. Saíram de Ananindeua/Pa e caminharam até a Basílica Santuário de Nazaré em Belém/Pa.   

Em entrevista ao Lab Dicas de jornalismo, a Empresária fez relatos emocionantes sobre sua devoção a Nossa Senhora de Nazaré. Leia a seguir:

O que o Círio de Nazaré representa para você? Momento de renovação da Fé, é um momento inexplicável, porque são tantas demonstrações de todos os lados, para onde você olha, é possível identificar alguém expressando sua fé, as vezes de forma bem simples, outra de forma bem grandiosa. É a minha época preferida do ano. Época em que minha emoção fica mais forte. É quando fica difícil explicar ou falar sobre, é quando ao ver as lindas homenagens, na TV ou nas ruas, simplesmente caio no choro. Posso resumir como fé, amor e gratidão. Pode parecer clichê, mas realmente só vivendo esse momento para poder entender.

Por dois anos consecutivos, não houve procissão oficial do Círio, devido a pandemia. Mas isso não impediu os fiéis de prestarem suas homenagens a Padroeira da Amazônia. A que você atribui isso? Bom, durante esses dois anos em que não houve procissão, pudemos ver muitas pessoas prestando suas homenagens, algumas de dentro de seus lares, não se arriscando, se preservando mais. Outras na rua se arriscando no meio dessa pandemia, e isso foi um grande divisor de opiniões. Há quem ache a maior loucura, falta de noção e senso. E há quem entenda. Eu acredito que a fé é algo muito particular, cada um sabe o que está dentro do seu coração. Muitas pessoas foram para a rua continuar pagando suas promessas, muitas fizerem o mesmo percurso da procissão de joelhos. Eu acredito que Nossa Senhora de Nazaré e Deus, querem o bem de seus filhos, por isso tenho certeza que não pagar uma promessa, por conta de uma pandemia, não teria problema nenhum, mas como eu disse, a fé é algo muito particular. Apesar de tudo isso, foi muito lindo assistir a toda essa demonstração de fé.

A quanto tempo você é devota de Nossa Senhora de Nazaré? Nossa Senhora de Nazaré está presente na minha vida desde minha infância. Eu venho de uma família - por parte de pai - muito católica. Meu pai é devoto desde criança também, ele é promesseiro, foi na corda do Círio durante 25 anos, e isso sempre esteve presente na minha vida. Desde a infância eu sempre soube que essa era uma época muito especial. Que meu pai ia sair na madrugada de sábado para domingo e só voltaria no domingo depois da procissão com um pedaço de corda. Mas posso dizer que só me tornei devota de fato, a partir dos meus 16 anos, quando pude compreender melhor e pude passar a ir nas procissões sozinha; essa também foi uma época em que eu passei por uns problemas de saúde e acabei me apegando ainda mais a Nossa Senhora.

Você paga alguma promessa? Pode nos falar um pouco sobre? Estou tentando responder pela terceira vez essa pergunta [risos], mas por muito tempo eu não via como uma promessa, mas hoje eu entendo que sim, foi uma pequena promessa, foi o que eu achava que poderia cumprir na situação em que eu me encontrava. Aos 16 anos quando me tornei devota de Nossa Senhora de Nazaré, foi um pouco na dor sim. Eu tive uma complicação de saúde e foi nessa época em que me apeguei muito a Nossa Senhora, foi ali em que eu realmente conheci o amor que ela tem por mim [choro], o propósito que ela tem. Não só eu, mas meu pai também se apegou muito e graças a Ela eu conseguir superar esse problema. E desde esse ano, eu prometi - na época não via como uma promessa, que a partir daquele momento eu iria acompanhar de fato o Círio. Foi ali que começou toda a minha caminhada e eu não pretendo parar nunca.



 

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