15/11/2021 às 07h56min - Atualizada em 15/11/2021 às 08h13min

Crítica | 5ª temporada de Big Mouth

Nova temporada não decepciona, mas também não sai do "feijão com arroz"

Tailane Santos - Editado por Fernanda Simplicio
Big Mouth - Netflix / Divulgação
A 5ª temporada de Big Mouth, série animada de sucesso da Netflix, já está disponível na plataforma de streaming. Os novos episódios foram lançados na sexta-feira (5) e trouxeram algumas novidades. Além dos costumeiros dramas já retratados em outras temporadas, como relacionamentos, inseguranças e aceitação do próprio corpo, tivemos a introdução do sentimento “ódio” e a forma como ele interfere na vida dos adolescentes.



Para quem não conhece a série, é uma animação de comédia adulta, com classificação para maiores de 16 anos, criada por Nick Kroll, Andrew Goldberg, Mark Levin e Jennifer Flackett, os quais também dublam alguns dos personagens em sua versão original. Essa produção retrata, de forma leve, os problemas enfrentados pelos adolescentes na mudança da infância para a adolescência, a chamada – e temida – puberdade. Com muita carga humorística e “didática”, podemos entender mais sobre o que se passa na cabeça de um jovem enquanto descobre o próprio corpo e os prazeres relacionados a ele, além dos desafios e desilusões que acompanham o pacote.

A trama principal gira basicamente em torno de três personagens, Nick Birch, um garoto baixinho que não consegue entrar na puberdade e é cheio de inseguranças quanto a seu corpo, Andrew Glouberman, que possui hormônios “em excesso”, e Jessi Klein, uma garota que precisa amadurecer para lidar com a separação dos pais. A série também é repleta de vários outros personagens, que dividem seus medos e descobertas com todos os seus amigos.

Em Big Mouth, as emoções e sentimentos de cada personagem são representados fisicamente, por “monstros”. Eles interagem com cada adolescente, incentivando ou ensinando algo a ele. Dentre eles podemos destacar os Monstros Hormonais, responsáveis pelas mudanças físicas e pelos desejos sexuais, ou outros monstros ligados às emoções e transtornos mentais, como a Gata da Depressão, o Mago da Vergonha e o Mosquito da Ansiedade.

Mas, e sobre a 5ª temporada?


Bom, ela não foi decepcionante, mas também não foi a melhor já produzida. Os produtores até entregaram o que prometeram: a história estava bem amarrada e com “sentido” – isso se podemos falar que Big Mouth faz algum sentido –, porém, ficou no “arroz com feijão”, no básico. Alguns assuntos se repetiram, como o drama do relacionamento dos pais da Jessi, amores fracassados e inseguranças corporais.

Porém, a novidade foi a introdução de novos personagens/emoções – os Insetos do Amor e as Minhocas do Ódio. Ambos estão muito relacionados, pois um nasce a partir da extinção do outro, ou seja, assim como o ódio pode tornar-se amor, o amor pode transformar-se em ódio e arruinar a vida dos outros e principalmente de quem o sente. A amizade também é essencial nessa questão, pois é uma das formas demonstrada mais forte para deter esse sentimento ruim.

Além desse tema, a série também trouxe outros pontos interessantes e que são importantes de serem discutidos, dentre eles, a aceitação do próprio corpo e de suas imperfeições, ou, como prefiro chamar, seus “detalhes”, mesmo que esse seja um assunto já abordado antes.

Um dos meus episódios favoritos retrata exatamente essa questão. Os adolescentes estão na piscina da escola, durante uma aula de natação, quando começam a notar e destacar “defeitos” no corpo dos colegas, aumentando inseguranças, que vão desde pelos no corpo ao tamanho de suas partes íntimas e espinhas, com destaque ao retorno do Mago da Vergonha. É um episódio arrastado e até mesmo cansativo, porém o número musical no final amarrou toda a problemática levantada, mostrando que essas inseguranças não se limitam apenas aos adolescentes, mas alcançam muitos adultos, que estão sempre em busca de mudanças no próprio corpo para se sentirem bem consigo mesmos.



Outro episódio interessante, e que considero um ícone dessa temporada, é o especial de Natal. Ele é todo apresentado por Maury e Connie, monstros hormonais de Andrew e Jessi, respectivamente. Eles trazem histórias divertidas, picantes, e, de certa forma, educativas, sobre o Natal e suas comemorações em outras religiões e culturas, além de incluir novos tipos de animações: os fantoches e o stop-motion, por exemplo. E como se trata de Big Mouth, não podia deixar de ter o tom crítico e debochado, além de uma boa dose de erotismo. Talvez seja um episódio problemático? Não entrarei nesse mérito.



Para fechar com “chave de ouro”, tivemos o encontro do personagem Nick Birch com sua versão humana, e criador da série, Nick Kroll. Ambos conversam sobre problemas que o personagem está passando e esse recebe alguns conselhos de sua versão adulta. Sem dar muitos spoilers, mas foi algo essencial para o desenvolvimento emocional do adolescente naquele momento.



Para quem ainda não conhece a série, vale a pena dar uma conferida. É uma forma divertida de entender mais sobre o desafio que é crescer. Para aqueles que já conhecem, mas ainda não assistiram a nova temporada, vou deixar o trailer abaixo. Confiram:





REFERÊNCIAS:
GUGLIELMELLI, Alexandre. Big Mouth: O que esperar da 5ª temporada da série de comédia. Observatório do cinema, 2021. Disponível em: . Acesso em 09/11/2021.

 

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