25/06/2019 às 10h15min - Atualizada em 25/06/2019 às 10h15min

Faço o que gosto e gosto do que faço

Pauline Mingati
@Reprodução


 

Você já decidiu o que quer cursar, sabe que escolheu o curso com o qual mais se identifica e mesmo assim, está com medo de ter feito a escolha errada ? Não precisa ter nenhuma bola de cristal para saber que é isso que se passa pela cabeça dos calouros. Mas calma, essa dúvida é normal. O mais importante você já fez, seguiu seu coração e escolheu fazer o que gosta.

 

O momento de decisão é de fato muito complicado. Vários questionamentos e ideias entram em conflito e parece que sua cabeça irá explodir com tanto pensamento misturado. Afinal, é nessa hora que vem a reflexão de que sua escolha é o começo de um longo caminho para o futuro, e é, portanto, muito decisiva. Por isso, é interessante que se escolha uma área na qual você se veja atuando futuramente.

 

Lívia França cursou Publicidade e Propaganda e hoje é responsável pelo setor de comunicação da América Latina da empresa American Breeding Service (ABS). Ela admite a importância e a influência de ter feito um curso do qual gostasse para ocupar o cargo que ocupa hoje e mais que isso, para se manter realizada nele. “Com certeza o curso faz a diferença, eu acho que ele abre a cabeça da gente, o olhar e deixa nossas antenas ligadas para informações, para detalhes [...] faz a diferença sim. Eu gosto, sempre gostei, continuo gostando e continuou estudando

 

Lívia ainda declara o que pode ser considerado um conselho, uma dica: “A primeira coisa, é a pessoa gostar do que faz. Quando você gosta do que faz e é bom no que faz, você sempre vai ter várias oportunidades em qualquer área, até mesmo profissões que são menos remuneradas que outras. A pessoa vai ser um profissional de sucesso se ela for dedicada, se ela se esforçar [...]e tem que fazer aquilo que traz, acima de tudo, realização pessoal”.

 

Segundo a psicóloga Rosane Alves Franke, cursar o que gosta influencia positivamente a vida dos alunos, uma vez que eles irão se sentir mais motivados a buscar sempre a eficiência em sua área. Destaca ainda, que traz uma visão real do mundo e do mercado de trabalho.

 

A estudante do 4º período do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade de Uberaba (Uniube), Maria Fernanda Parreira, percebe que estar cursando o que gosta, impacta na sua felicidade e no bem-estar. Ela ainda fala sobre um tema mais delicado no processo de escolha, que é o apoio dos pais e familiares: "De nada adianta eu cursar algo que, por exemplo, meus pais queiram (o que não é o meu caso, porque eles me apoiaram na escolha do meu curso e nunca ditaram qual curso eu deveria fazer). É preciso fazer um curso com o qual eu sinta prazer, que faça com que eu me imagine feliz no futuro".

 

Estudante do 4º período do curso de Psicologia da Uniube, Amanda Oliveira Dias, conta que sua família deu todo o apoio na escolha do curso. "Tanto que foi minha avó quem pagou o meu teste vocacional". Ela conta que com os testes vocacionais, ficou entre Arquitetura e Psicologia, mas ao ter contato com a grade curricular do curso de Psicologia, acabou optando por ele "Por fim, meu coração acabou seguindo a linha da Psicologia". Além disso, Amanda contou com a ajuda de uma tia que exerce a profissão e lhe explicou mais sobre o curso e o mercado de trabalho.

 

Os testes vocacionais podem ser grandes aliados para aqueles que ainda têm dúvidas do que cursar, como aconteceu com a Amanda. "Os testes podem auxiliar na identificação de tendências que a pessoa tem (gostos, preferências e traços de personalidade), que contribuem para identificação da área ou curso a escolher”, explica a psicóloga Rosane.

 

Estar em um curso de seu agrado, traz como consequência, uma maior motivação para os estudos e, claro, consequentemente, para ser um ótimo profissional no futuro. "Quando você faz algo que gosta, você se motiva a buscar informações, buscar o conhecimento e, assim, os períodos vão passando e você nem percebe. É prazeroso", afirma Maria Fernanda.

 

Já para a estudante do 4º período de Odontologia da Uniube, Alice Abadia Moreira de Almeida, essa motivação vem com o tempo, mas "claro que estudar aquilo que nós gostamos é muito mais prazeroso".

 

Embora gostem do curso, o medo é unânime: Todas essas universitárias passaram por isso. Alice, inclusive, afirma que até hoje, é comum ter dúvidas, mesmo sendo apaixonada pelo curso de Odontologia. A psicóloga Rosane enfatiza que o receio do amanhã ou do mercado de trabalho faz parte desse processo de escolhas na vida. E aconselha: “Se futuramente, não estiver mais contente com o que escolheu, poderá ainda mudar de opinião e buscar sua satisfação e realização profissional e também pessoal”.

 

Outra unanimidade, é que quando se escolhe o curso certo, sempre há um momento em que você passa a ter certeza disso. Para Amanda, foi quando ela viu há alguns períodos atrás, algumas matérias sobre as quais tinha muita curiosidade. “Foi quando eu falei: é isso que eu quero para mim, mesmo”.

 

Maria Fernanda conta que isso ocorreu no primeiro período, com o último trabalho do semestre na matéria de Introdução à Publicidade e Propaganda, em que ela teve que criar uma identidade visual para um produto.

 

E Alice, visivelmente encantada pelo que faz, conta que, no 2º período, quando fez um trabalho voluntário em uma creche pública, vendo a confiança e o carinho conquistados pelas crianças, soube que, aquilo, dinheiro nenhum seria capaz de pagar.

 

No fim das contas, descobre-se que o medo é normal, que as dúvidas existem e que há um momento em que se percebe que não haveria lugar nem curso melhor para estar do que o que o coração escolheu. “E quem irá dizer que não existe razão nas escolhas feitas pelo coração?”


Editado por Bruna Santos 

 


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