16/07/2022 às 13h46min - Atualizada em 11/07/2022 às 20h15min

26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo celebra a Cultura através da Literatura

Após quatro anos, o maior evento literário do Brasil volta a ser presencial com grande comparecimento de visitantes.

Karina Cassimiro - Revisado por Vanessa Kelly
26ª Bienal Internacional do Livro (Foto: Reprodução/ Bienal do Livro SP)

A 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo ocorreu de 02 a 10 de Julho, no Expo Center Norte. O espaço com programação multicultural teve como tema a frase “Todo mundo sai melhor do que entrou”, contou com 185 expositores, 300 autores nacionais e internacionais, 1.300 horas de programação cultural e 660 mil visitantes em seus nove dias. 

 

Após quatro anos, evento retornou para o presencial provando ser um sucesso, dois dias antes de finalizar o evento, foram encerradas as vendas dos ingressos que custavam R$ 30 reais a inteira ( com cashback de 10 reais) e R$ 15 reais a meia ( com cashback de 5 reais). O cashback podia ser utilizado para compra de livros durante a Bienal como forma de incentivo à leitura.

 

Todo mundo sai melhor do que entrou

Todo mundo sai melhor do que entrou

(Foto: Reprodução/@bienaldolivrosp - Instagram).

 

O primeiro dia de Bienal foi marcado por filas gigantescas e grande fluxo de público. O espaço de 65 mil metros quadrados ficou pequeno para tanta gente pelos corredores e nos estandes, por todo lado era possível encontrar pessoas sentadas no chão descansando. Mesmo utilizando o mapa físico disponibilizado na entrada e com auxílio do aplicativo da Bienal, através da ferramenta de favoritar as programações desejadas montando sua própria agenda, foi fácil se perder entre tantas atrações simultâneas.

 

A edição também foi um evento que marcou pela temática da representatividade e inclusão. Em sua programação cultural, alguns dos debates sobre a figura feminina na literatura, questões LGBTQIA+ e a representatividade negra ganharam destaques.

 

O estande dedicado à cultura nordestina Espaço Cordel e Repente, organizado pela editora cearense Imeph, chamava atenção de quem passava por perto. Em sua programação incluía declamação de cordel, sarau, contação de histórias e muita música.

 

Alguns autores aproveitaram a feira literária para divulgar, lançar seus livros e autografar suas obras. Como é o caso de Pedro Rogério Drumond, de 30 anos, escritor do conto Vinte e um que integra a Antologia "Empodere-se", em divulgação no estande da Editora Qualis. A obra em parceria com outros autores são contos que fazem refletir sobre a realidade em que vivemos, a sociedade como um todo e sobre o quão responsáveis somos pela forma como lidamos com as diferenças. O autor se mostrava bastante animado por estar participando do evento presencial e relata a importância da Bienal.

“Eventos como a Bienal do Livro faz com que autores aproximem cada vez mais do seu público, que em sua maioria às vezes se conhece pelas redes sociais. Interagimos com leitores, reencontramos amigos escritores e divulgamos nossos livros em um dos maiores eventos da literatura do mundo”, disse ele.

Pedro, também menciona que o livro completo do conto Vinte e Um presente na antologia "Empodere-se" será lançado em e-book em breve na Amazon. A obra conta a história dos melhores amigos Edu e Pio que após passar por uma tragédia, algo inesperado surge na vida de Pio e ele terá que buscar a felicidade ao lado de quem menos espera.

 

O autor já tem outros títulos publicados: "Diga Alguma Coisa", "Na Manobra do Seu Sorriso", "Uma Segunda Chance Para Amar", "Um Beijo em Paris" e o conto "Quem é essa garota?". Todos disponíveis no Kindle Unlimited.

 

No mesmo estande da Editora Qualis, estava também Bianca Jung, escritora do livro "O Veneno na Montanha" e produtora de conteúdo literário, sendo conhecida como: @bibilendo no Instagram e na Twitch. Em seu primeiro lançamento “O Veneno na Montanha” é o livro 1 de uma trilogia e foi um verdadeiro sucesso, esgotando duas vezes os exemplares das remessas de livros. A autora contou que a Bienal "recarregou as suas energias” e o quanto essa edição estava sendo importante para continuar lutando e não desistir de seu amor pela escrita.

“No nosso país existem poucos leitores, pouco acesso à literatura e ainda existe preconceito de alguns leitores para com a literatura nacional. Então, diante de todas essas dificuldades mesmo assim a gente ter um evento gigantesco com tantos apaixonados por literatura e esses apaixonados estarem vindo aqui na Qualis e aceitando o meu livro… Isso me mostra que está tendo uma mudança, uma mudança um pouquinho lenta, mas essa mudança está acontecendo”, disse.

Bianca, ainda falou sobre o processo de escrita do seu primeiro livro que foi escrito em seis meses e acredita que os próximos livros da trilogia possam ser lançados em outras Bienais.

O Veneno na Montanha é meu primeiro livro de fantasia que é um gênero que eu gosto de escrever, eu comecei a escrever em Janeiro e o processo ao todo durou seis meses, mas a história eu já venho pensando há quatro anos. Eu digo que o processo foi exaustivo, que eu não indico para quem vai escrever o seu primeiro livro, ainda mais de uma fantasia, mas eu tive a oportunidade de me dedicar apenas a isso”, explicou.

 

A obra conta a história de Kalina Kaster que precisa recuperar algo na temida prisão de Insula. Para isso, a garota comete um crime planejado e bem-sucedido. Ao chegar na gigantesca montanha, lar de uma misteriosa prisão e um castelo afastado no topo, Kalina engole todos os seus medos e entra de cabeça erguida como prisioneira. O que ela não esperava, era ver o objeto de todos os seus desejos escapar de forma trágica das suas mãos.

 

Além do livro publicado a autora participou das Antologias “Aventure-se” e “Momentos Inesquecíveis", esse último disponível no Kindle Unlimited na Amazon.

Livro "O Veneno na Montanha" e a escritora Bianca no estande da Editora Qualis na Bienal. (Reprodução:@bibilendo - Twitter).


Portugal foi o país convidado deste ano, com espaço dedicado à literatura portuguesa. No estande houve exposição em homenagem aos 100 anos do escritor português, José Saramago. O Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou o estande e percorreu por vários espaços da Bienal onde se encontrou com alguns dos grandes nomes da literatura presentes no evento, como o cartunista Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica e a moçambicana Paulina Chiziane, primeira escritora negra vencedora do Prêmio Camões de Literatura.

Estande de Portugal.

Estande de Portugal.

(Foto:Reprodução/ Acervo pessoal).


Também foram convidados alguns escritores portugueses, como Valter Hugo Mãe, que compartilhou seu processo de escrita e como a literatura transformou sua vida. Também ressaltou a importância de ler os livros da Conceição Evaristo, em sua participação na Arena Cultural.

 

Quem passava pelos estandes poderia comprar livros com descontos e receber brindes. Havia estandes específicos com livros a partir de R$10 reais, localizados no mapa como “Promo livros” para melhor acesso dos visitantes. Além da venda de livros, debates, sessões de autógrafos, as editoras reservaram vários locais instagramáveis, onde os visitantes podiam tirar fotos em decorações temáticas, como por exemplo o espaço lúdico “Entrevista com o Vampiro” da Editora Rocco, ou até mesmo um palco com microfone e várias referências do universo teen dos anos 2000 como o Livro do Arraso do filme “Mean Girls”, no estande da Editora Buzz, atraíam o público que formavam filas. Alguns Selos Infantis também apostaram nos espaços lúdicos, a banheira do Pum, da Companhia das Letrinhas, chamava atenção das crianças. 

Espaço para tirar fotos

Espaço para tirar fotos

(Foto:Reprodução/ @buzzeditora - Instagram).

 

Destaques

 

A Arena Cultural foi um dos espaços que recebeu artistas em um bate-papo, como o escritor e diretor, Lázaro Ramos, autor de livros infantis e “Na minha pele”, que entrou no palco cantando e distribuindo simpatia. Em seu discurso emocionou o público quando falou sobre a representatividade negra e sobre a contribuição da literatura para crianças e jovens na reconstrução do Brasil, sendo aplaudido de pé. Em microfone aberto para o público, Lázaro ouviu relatos e recebeu de presente livros de autores independentes.

 

A escritora Aline Bei, autora do livro "Pequena Coreografia do Adeus", um dos dez livros da Companhia das Letras mais vendidos durante a Bienal, participou de diversas atividades e do debate sobre a figura feminina na literatura, na Arena Cultural. Em seus livros, as mulheres são as protagonistas e as leitoras conseguem se identificar nas histórias.

 

Jovens lotaram a Arena para ouvir o bate-papo sobre crimes reais com Ivan Mizanzuk, do podcast Projeto Humanos e a presença de Carol Moreira e Mabê Bonafé, apresentadoras do podcast sobre crimes e autoras do lançamento Modus Operandi: Guia de true crime que vendeu mais de 700 exemplares em dois dias de evento.

 

O Espaço Cozinhando com Palavras misturou literatura, tradições culinárias e sabores de Portugal e do Brasil.

 

Não poderia faltar o Espaço Infantil que divertiu a criançada e também apresentou a diversidade e inclusão na Turma da Mônica.

 

O Papo de Mercado trouxe assuntos para o mercado editorial na Era Digital, metaverso e outros debates.

 

A Fundação Itaú com o projeto Leia com uma criança e uma homenagem ao educador Paulo Freire.

 

No estande do Prêmio Jabuti, estavam livros em exibição de autores finalistas e vencedores das edições anteriores do prêmio.

 

Veja os principais acontecimentos da Bienal no site do evento.

Vídeo de encerramento da 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. (Reprodução: Bienal do Livro SP - Facebook).


 

 

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