24/01/2022 às 11h12min - Atualizada em 24/01/2022 às 10h55min

Literatura de Cordel e Xilogravura – Cultura, poesia e arte do Nordeste Brasileiro

Arte trazida de Portugal para o Brasil que tem bastante força no Nordeste

Wagner Silva - editado por Larissa Nunes
Literaturas de Cordel expostas à venda. (Foto: Reprodução / TodaMateria).

Cordel é uma das literaturas populares mais antigas. É um folheto que é muito vendido em praças ou feiras culturais onde conta: romances, acontecimentos políticos, versos religiosos e humorísticos. A literatura é muito comum de ser contada por cantadores – a cantoria de viola também conhecidos como repentistas. Chama-se cordel pelo fato da forma como eram penduradas as literaturas em barbantes pelos cegos de Lisboa em Portugal. A Paraíba é considerada o berço do cordel no Brasil e os mais famosos vieram da cidade de Teixeira durante o século XIX.


Outra arte que conversa muito bem com o cordel e chega a ser confundida por alguns é a Xilogravura. Que é a técnica de gravura na qual se utiliza a madeira para reproduzir a imagem gravada sobre o papel, e o desenho é todo entalhado na madeira. Os artistas costumam usar formão, goiva, buril ou facão, deixando a obra de arte em relevo. Essa técnica foi trazida dos portugueses para o Brasil, a partir disso foi muito desenvolvida na Literatura de Cordel, na qual existem dois tipos: xilogravura de fio e xilogravura de topo. A diferença entre elas é a forma como se corta a árvore. Na xilogravura de fio (também conhecida como madeira à veia ou madeira deitada) a árvore é cortada no sentido do crescimento, longitudinal; na xilografia de topo (ou madeira em pé) a árvore é cortada no sentido transversal ao tronco.


J. Borges contando sobre a arte da Xilogravura. (Vídeo / Reprodução: TV JC / Youtube Brasil).


José Francisco Borges, mais conhecido como J. Borges é um famoso cordelista e gravurista nascido em BezerrosPernambuco, e possui seu trabalho reconhecido no mundo inteiro. Borges conta que seguir o meio das artes acabou sendo um dos únicos caminhos a se seguir no sertão devido a baixa oportunidade de emprego e também baixo nível de educação. Como todos tinham que procurar uma forma de trazer dinheiro para casa, muitos procuravam a gravura como forma de sustento; por isso na época surgiram tantos bons artistas vindos do Sertão. Os que sabiam escrever recorriam à literatura, os que não sabiam recorriam a xilogravura. O sertão também era carente de informação, nos anos 40 o cordel era a única fonte de se manter informado, onde muitas pessoas aprenderam a ler através da literatura de cordel.

 


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