21/08/2019 às 19h00min - Atualizada em 21/08/2019 às 19h00min

Anima Mundi 2019: A importância do festival para a formação cultural

Evento recorreu ao financiamento coletivo para que fosse realizado

Vanessa Loiola - Editado por Mário Cypriano
Foto: Divulgação

A 27ª edição do Anima Mundi 2019 ocorreu de 17 a 21 de julho no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio (CCBB Rio) e teve como vencedor o curta-metragem “Tio Tomas: A contabilidade dos dias”, de Regina Pessoa. Em São Paulo, no Centro Itaú Cultural, o evento ocorreu de 24 a 28 do mesmo mês e premiou “Memorável”, de Bruno Collet, e como melhor curta brasileiro, “Sangro”, de Tiago Minamisawa, Bruno Castro e Guto Br (Brasil). Com produções reflexivas acerca dos problemas sociais, o maior festival de animação da América Latina trouxe também a discussão sobre os rumos no setor, após a perda de verbas. 

Em abril, faltando aproximadamente dois meses para o festival, a mostra perdeu o patrocínio da Petrobras – principal apoiadora do projeto - e teve de buscar meios alternativos para a realização. Os quatro diretores, então, recorreram ao financiamento coletivo e conseguiram captar R$ 400 mil, valor necessário para a realização do evento. No entanto, a meta só foi alcançada no final de junho, faltando poucas horas para o fim da campanha. 

Para o cartunista e animador digital Fernando Duarte, o lado positivo da vaquinha virtual foi a seleção do interesse público: “Os financiamentos coletivos já vem há um tempo possibilitando a impressão de livros, quadrinhos, espetáculos e fazendo isso de uma forma com uma relação direta com o público”, disse Fernando, que trabalha atualmente produzindo animações para o Charge – site que se tornou um canal no YouTube e conta com quase 1,4 milhões de inscritos. 

Em função do tema polêmico, HIV, “Sangro” conta em primeira pessoa a história real de um homem que descobriu estar infectado. A narração mostra a jornada desde o recebimento da notícia até sua superação, como forma de trazer a libertação do assunto. O produtor, diretor e roteirista do filme vencedor, Tiago  Minamisawa, contou que o curta foi criado “para que a gente comece a repensar os preconceitos e os estigmas que ainda tem-se sobre o HIV”.  

Com mais de 300 filmes exibidos em 40 países, o festival é de extrema importância para a formação cultural e a promoção de um diálogo entre a sociedade, além de ser um espaço para a divulgação de trabalhos audiovisuais produzidos por estudantes. “A arte, de uma maneira geral, embora esteja passando por um período difícil e de desvalorização, é a marca da humanidade na história e a construção da nossa subjetividade”, afirmou Fernando.  

É uma forma de dar visibilidade às produções autorais de forma acessível aos que não tem a oportunidade de presenciar um evento de prestígio internacional com produções de alta qualidade. “Os festivais, mostras, etc, garantem que atinjam pessoas que, de outra forma, não teriam contato com isso”, acrescentou o cartunista.  

Portanto, apesar do festival ter passado por crises financeiras nesta edição, resultantes de algumas decisões governamentais, e por pouco não ter sido realizado, o evento conseguiu se manter. Tiago acredita que este momento é passageiro e declara que “esta capacidade de ver a união existindo em todos nós, é uma coisa que vai ajudar a ultrapassar esse período trevoso que a gente está de políticas públicas”. 

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