08/02/2020 às 00h03min - Atualizada em 08/02/2020 às 00h03min

Street Art: Quebrando paradigmas

A artista amazonense Soraya Nurieh contou sobre os desafios, como mulher, de trabalhar com Street Art.

Lunna Rocha - Editado por Mário Cypriano
Créditos: https://s3.amazonaws.com/images.streetartsp.com.br/uploads/2017/07/04092539/do-you-like-lambe-lambe-yes-i-do%EF%B8%8F-city-sao-paulo-brasil-lambelambe-wheatpaste-wheatpasteart-street.jpg
Soraya Nurieh, 30, demonstrava apreço pelas artes desde os 9 anos, quando começou a pintar por influência dos pais. Tempos depois, interessou-se pela fotografia e posteriormente pela Street Art (arte de rua), onde identificou-se com uma de suas vertentes: o Lambe Lambe, que consiste em pôsteres artísticos espalhados dinamicamente em espaços abertos. Representante assídua do movimento na Região Norte e praticante de uma arte mais orgânica, ela conseguiu obter reconhecimento nacional por seu trabalho.

Soraya na ocupação de um viaduto com Lambe Lambe.

Soraya na ocupação de um viaduto com Lambe Lambe.

Foto: Victória Motta

Suas inspirações para criar vêm de suas viagens pelo mundo e da profunda ligação que tem com o tarô. “A minha arte, assim como as cartas do tarô têm um significado maior. Eu acredito que tudo nesse mundo esteja interligado. É não só uma questão artística como emocional também”, diz. A própria Região Norte, palco de diversidade biológica, étnica e cultural, também é fonte de suas inspirações.

A artista destacou a importância de dar voz a pautas negligenciadas, principalmente as relacionadas ao feminismo e ao público LGBTQI+. “Ainda percebo que os homens ficam muito ariscos quando veem uma mulher que se destaca na Street Art, eles meio que não querem dar espaço. E quanto à questão LGBT, vejo coisas que são muito absurdas como por exemplo um cara não ser aceito no emprego por ser gay, então sinto que preciso dar voz a essas pessoas”, afirma,

Lambes alusivos a causa LGBTQ+.

Lambes alusivos a causa LGBTQ+.

Foto: Victória Motta

Formada em Relações Públicas pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Mestra em Ciências da Comunicação pela mesma instituição, Soraya já vivenciou muitas situações de preconceito por trabalhar com arte de rua. “Eu já tive muitos bloqueios em mostrar quem eu sou de verdade por medo de não conseguir um emprego, e isso é absurdo, porque eu posso trabalhar com o Lambe e ser brilhante academicamente também”, desabafa. O fato de ser pesquisadora e artista ainda causa desconforto na comunidade acadêmica mais “formal”, mas Soraya garante lutar para conquistar não só seu espaço, mas o de gerações futuras de artistas e pesquisadores.
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