28/03/2020 às 17h34min - Atualizada em 28/03/2020 às 17h34min

Conheça "Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy"

As confissões relatadas em áudio na série são cruéis e devastadoras

Clara de Andrade Lopes

Produzida pela Netflix e lançada em 24 de janeiro de 2019, “ Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy” é considerada uma das séries criminais mais bem elaboradas da produtora. Através de entrevistas, imagens cedidas pela polícia e principalmente gravações de áudio, é traçado o perfil de um dos maiores serial killers da história, Ted Bundy. 

Theodore Robert Bundy, sequestrou, estuprou e matou cerca de 37 jovens mulheres ao longo da  década de 1970. As vítimas eram escolhidas cuidadosamente e seguiam um padrão por serem todas brancas, com cabelos longos e lisos. O trabalho da polícia americana era muito dificultado pelo assassino, uma vez que ele costumava transitar entre os estados, e assim as investigações aconteciam individualmente, sem necessariamente serem associadas umas às outras. Não haviam tecnologias ou estudos avançados como os que existem atualmente, além do termo “serial killer” ainda ser um mistério. 

                                
Algumas das vítimas de Bundy

Algumas das vítimas de Bundy


O caso de Ted Bundy era muito mal avaliado pela mídia. Por ser um homem considerado charmoso, bonito, eloquente e ( quase, pois não chegou a terminar o curso) graduado em Direito, seus crimes não eram ligados a sua pessoa. Ted Bundy já tinha cometido pequenos delitos e roubos de carro na adolescência, entretanto, estes foram retirados de sua ficha quando ele atingiu a maioridade. As pessoas chegavam a duvidar de sua capacidade em cometer tamanhas atrocidades. Ted chegou a ser até mesmo condecorado com uma medalha por ter salvo uma criança de um afogamento em Seattle e trabalhou numa linha telefônica de prevenção ao suicídio, o que para a imprensa da época e o júri popular em geral não condizia com a postura e o caráter de um assassino brutal.

                            

 

Bundy namorou uma jovem mãe chamada Elizabeth, por cerca de seis anos, e foi ela quem denunciou Ted diversas vezes a polícia. Quando questionado, o homem nunca se expressava de forma que desse a entender que  amava de fato as mulheres com as quais se relacionava, mas sim que amava seus bens materiais e a classe social as quais elas pertenciam. Na época, um retrato falado foi divulgado e muitas mulheres chegaram a suspeitar e denunciar seus próprios namorados, por medo de que fossem os responsáveis pelos crimes que estavam sendo investigados. 
 

                        
Bundy e Elizabeth

Bundy e Elizabeth



Notoriamente narcisista e arrogante, fez questão de advogar ele mesmo ao seu favor. As audiências eram assustadoramente compostas por uma grande maioria de mulheres, que tinham a curiosidade despertada pelo assassino e chegavam a duvidar de sua autoria dos crimes. Ele transformava as deliberações em um verdadeiro espetáculo sobre si mesmo. Em uma delas, Ted chegou a pedir em casamento sua namorada na época, para que a relação fosse oficializada diante do juíz que o interrogava.


                          


 

 Após quase uma década negando, chegou o momento em que as confissões começaram a acontecer. Durante o julgamento, Bundy referia-se a si mesmo como “o indivíduo”. Desta forma, ele criava uma narrativa envolvente que descreve detalhes de sua vida como o fato de ter sempre que fugir se mudar, além dos sentimentos dele durante os assassinatos cometidos. Ted afirmava que havia uma voz em sua cabeça que ordenava que ele praticasse as torturas e execuções. Era visivelmente prazeroso para ele ouvir o que diziam as testemunhas sobre, por exemplo, a forma como os corpos foram encontrados. A partir dessas histórias contadas por ele, que foram gravadas em fitas pelo policial que o investigava, é que a série “Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy” toma forma e traça o perfil deste terrível assassino, que foi condenado à morte na cadeira elétrica no estado da Flórida em 1989. 

Editado por Bruna Blankenship

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