15/09/2021 às 18h34min - Atualizada em 20/04/2021 às 17h44min

Reflexão | A vida é perfeita ou online?

A busca pelo perfeito é recorrente nas redes sociais e há uma visão psicanalista por trás.

Paulo Victor Alves dos Reis - Revisado por Isabelle Marinho
As amizades se tornaram conectadas neste padrão de vida / Foto: Keira Burton - Pexels
A busca pelo ideal de perfeição no corpo social é algo recorrente em diversas gerações. Porém, com as redes sociais essa procura pelo modelo de vida perfeito virou uma competição massiva e almejada pelos internautas.

Quem nunca postou conquistas a todo instante ou foi criterioso em postar uma selfie, observando cada detalhe antes de publicá-la? Esses hábitos consistem em uma busca por um padrão. Geralmente, imposto de maneira indireta por conhecidos, como os “influencers”, que idealizam a vida perfeita. Entretando, eles mostram apenas o lado positivo, deixando para os bastidores os diversos obstáculos enfrentados.

Não há como definir um tipo de vida como certo, pois, existem diversas realidades sociais. Todavia, em muitas das publicações ou recomendações cibernéticas são traçados padrões inalcançáveis para a maioria das pessoas, como o da beleza ideal, a vida perfeita, simetria adequada, melhores expressões e proporções boas. Sempre visando o ser perfeito.

O filosofo alemão Friedrich Nietzsche em sua obra O Nascimento da Tragédia, publicada em 1872, enfatizou dois paradigmas antagônicos, o apolíneo e dionisíaco.

O apolíneo é um conceito que surgiu da filosofia e
leva consigo 13 paradigmas que ilustra o que seria o ideal de uma sociedade. Eles são: beleza, perfeição, ideal, solar-luz, clareza, objetividade, artes visuais, aparência, individual, simetria, proporções, belo (boa elevação da moral) e imaginação, ou mundo do sonho. O termo é precedente da antiga mitologia grega e representa o Deus Apolo, que é a Divindade Solar.

Enquanto isso, o dionisíaco retrata o total oposto e seria considerado um antônimo do termo.

Visão psicanalítica sobre o comportamento dos usuários

O psicanalista clínico Leonardo Luís faz uma análise sobre esse comportamento de busca pelo padrão ideal e aborda que “as redes sociais, atualmente, representam uma parcela significante, uma instância fundamental da psiquê humana: o alter-ego. Em linguagem psicanalítica seria o Eu Ideal". Ele, ainda, faz relação citando a marca "sad boy":
 
O garoto que passa horas postando frases tristes, tira fotos com feições melancólicas e, assim, atrai seguidores. Essas pessoas surgem como uma espécie de "horda" que o louvará em seus afazeres. Serão aqueles que o imitarão para que sua marca seja exposta. Embora, o que realmente está por trás deste comportamento é uma imposição de que jovens devem ser assim para determinados produtos serem vendidos. 


Por fim, o psicanalista conclui que dentro de toda essa explanação, o Instagram é o grande analgésico de um inconsciente com emoções reprimidas, desejos recalcados e uma alma que chora todas as noites em um travesseiro. "Ter um Eu Ideal não é problema ou transtorno, pelo contrário, é até sadio e, assim como a arte, serve como fonte de escape. O problema é o exagero. Pois, como é mostrado de forma primorosa na obra de Francis Scott Key Fitzgerald, “O Grande Gatsby”: 'todo excesso esconde uma falta'", finaliza Leonardo. 

O Apolíneo VS.  a Sociedade Cibernética

Em ambos os conceitos, a busca perfeita acontece, que retrata de melhor maneira estereótipos, relações sociais e realidades sociais e relata apenas o resultado final e não as dificuldades. Entretanto, a sociedade cibernética evolui, traçando uma revolução.

A revolução das redes, nos últimos anos, é evidente com as postagens e comportamentos dos usuários se “humanizando” cada vez mais, mostrando o dia a dia, abordando diversos fatos sociais e termos com impactos na sociedade, como: racismo e machismo, tais que eram vistos como tabus em gerações anteriores. Essas plataformas digitais dão voz a diversos usuários que antes não eram ouvidos.

As redes no atual cenário

A Social Media, estudante de jornalismo e estagiária Jaqueline Nunes observa que o perfil e postagens dos usuários nas redes estão mudando: "Em meio ao que vivemos, de um certo modo, as diversas plataformas estão auxiliando ou servindo como renda extra, se usada para o bem tem um grande potencial e grande alcance”. E continua:

 "São excelentes ferramentas para divulgação e propagação para o bem, não se baseando em um ideal, mas mostrando de maneira verídica as informações e conteúdos, que de uma certa forma inspirará pessoas, se contar que dá voz a muita gente que antes não eram notadas", ressalta a estudante. 

Há de se concluir que o melhor conteúdo para as redes sociais é mostrar quem você é realmente, e não com um padrão que não é de sua realidade. Seja criterioso na escolha dos influencers que você segue, seja crítico sobre a vida e pense sempre! 


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