28/04/2021 às 21h35min - Atualizada em 23/04/2021 às 09h00min

Dia Mundial do Livro: Data para comemorar e refletir

Gabriela Armelin - editado por Luhê Ramos
Apesar de as procuras por livros terem aumentado em 20% durante a pandemia, muitas pessoas ainda não têm acesso a essa prática. Foto/Reprodução: Google.
A data que celebra o Dia Mundial do Livro foi criada com o propósito claro de incentivar a leitura e homenagear os livros e seus respectivos escritores. Além disso, também honra todos os indivíduos envolvidos nas produções literárias de alguma forma, seja tanto no processo de escrever e traduzir, quanto no processo de leitura. Memorar essa data é, portanto, de extrema importância. 
 
O ato de ler se faz muito relevante para o desenvolvimento das pessoas em vários sentidos, estimulando a criatividade, o senso crítico, a concentração, a habilidade de escrever bem, entre muitas outras questões. Com a pandemia da Covid-19, pesquisas apontam que a procura por livros aumentou em 20% no Brasil, o que é compreensível considerando as condições de isolamento social.
 
Infelizmente, o cenário brasileiro ainda é crítico. Uma grande parte da população não tem acesso a livros por falta de condições financeiras. A vestibulanda, Laura Marião, que lê desde seus 7 anos de idade, contou que em sua opinião livros ainda são produtos caros e que não são alcançáveis a todos os grupos: “É preciso que os livros sejam mais baratos para que sejam acessíveis a todas as classes, são necessárias mais bibliotecas públicas com mais títulos e um maior incentivo à literatura desde a infância”. 
 
Entretanto, no início do mês a Receita Federal brasileira afirmou, no documento “Perguntas e Respostas” sobre a junção da Pis/Cofins em um tributo, que existe a possibilidade de os livros perderem sua isenção tributária uma vez que apenas a parcela mais rica da população, ou seja, pessoas com mais de 10 salários mínimos, consomem livros.
 
O pronunciamento causou muita revolta entre a população, principalmente, nas redes sociais e foi rapidamente rebatido por diversos internautas e muitas pesquisas. Em entrevista, a estudante de jornalismo, Maria Luisa Vital, contou que nunca foi de família rica e sempre teve gosto pela leitura, porém não era sempre que conseguia comprar livros e o que a auxiliava eram as bibliotecas de instituições de ensino. “Acredito que antes de quererem aumentar a tributação sobre os livros, eles devem estimular exatamente o contrário disso, pois muitas pessoas não acessam os livros, porque não tem dinheiro para comprá-los, ou até porque nunca tiveram acesso a eles, por não terem nem um grau de instrução para compreendê-los”, disse Maria. 
 
Eventos como feiras literárias e lojas como sebos têm feito grande sucesso entre os indivíduos por trazerem alternativas mais acessíveis no que diz respeito à literatura, o que nos dá uma boa ideia de quantas pessoas procuram esse produto quando eles de fato estão alcançáveis para todos. Isso torna ainda mais questionável a declaração da Receita sobre elevar os preços. 
 
O jornal Folha de São Paulo, também em resposta a esse pronunciamento, produziu uma matéria com diversos relatos de pessoas de classes médias ou baixas que têm suas próprias experiências com a literatura. Por exemplo: Júlio Alves disse ter comprado seu primeiro livro com o dinheiro de latinhas catadas. Já Marisol Vidal contou: “Nas fases mais difíceis, eu trocava meu vale-refeição por um livro para minha filha”. 
 
O dia 23 de abril deve, dessa forma, também ser sempre comemorado como uma maneira de refletir sobre o assunto e tentar encontrar meios para que essa prática seja cada vez mais atingível. Maria Luisa compartilhou pensar que esse cenário brasileiro atual se encontra dessa forma por conta da ausência de atenção na questão educacional: “As crianças desde pequenas devem ser apresentadas ao mundo literário, nem todas são obrigadas a gostarem de ler, mas elas devem ter, pelo menos, a opção de conhecer esse mundo [...] Somos um país que não investe nisso, não apoiamos pesquisas e não incentivamos o estudo, todos esses fatores colaboram para que a desigualdade escolar se perpetue.”

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