21/06/2021 às 03h16min - Atualizada em 14/06/2021 às 16h07min

Os desafios e preconceitos enfrentados pelo funk

O gênero musical potencializa vários jovens das favelas em todo o país a dar uma vida melhor a sua família, mas até hoje muita gente ainda vê essa arte com maus olhos

Thales Lima - revisado por Jonathan Rosa
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O Morro do Vidigal, localizado entre o Leblon e São Conrado, na Zona Sul. (Foto: Reprodução/ José Raphael Berrêdo / G1)

O funk é consumido em momentos de diversão e confraternização das comunidades do Brasil, em particular no Rio de Janeiro, onde a cultura é mais forte. Em outras palavras, o funk é feito para dançar e ter um papo reto sobre a realidade que muitas pessoas vivem e presenciam. Mas assim como o Rap, que também é um movimento de favela que gera sociabilidade para os jovens carentes, ainda hoje o funk ainda é muito criminalizado. 

Sendo constantemente alvo de preconceito por parte da população, que muitas vezes se perguntam por quê este estilo de música é considerado cultural no país. Sem perceberem que o movimento se tornou uma oportunidade de ascensão social para muitos jovens. 

O Funk faz parte do movimento hip-hop, e sofre com o preconceito que impede a evolução e melhoria deste gênero musical. Mesmo com algum incentivo e posterior lucratividade para os Funkeiros, a indústria poderia aumentar ainda mais suas vendas como uma oportunidade de crescimento para ambos. Já que os jovens desejavam tornar-se MCs ou até mesmo DJs dos bailes vendo uma oportunidade de crescerem pessoalmente, e ajudarem na renda familiar. Entretanto, no decorrer do tempo e a falta de chances, a baixa frequência de jovens impossibilitou novos contratos pelas empresas que os produziam. 

Sendo assim, sem oportunidade de emprego, os jovens MC’s correm atrás de sua própria independência no movimento.Lutando contra todos esses desafios, muitos MCs passaram a cantar sobre seus estilos de vida, a cultura da favela e sua condição financeira pré ou pós-sucesso, e começaram a trilhar seus caminhos na música. 

É o caso do MC Nego Drama, que é vinculado ao Funk/Rap e cresceu na Batalha do Tanque. Ele conta que começou na música desde cedo e nas batalhas de rima através do MC Orochi. Mesmo sem saber muito o Rap na época, acabou descobrindo as manobras com o decorrer do tempo e conquistou seu espaço.

 

Segundo o MC, suas influências no meio artístico e cultural vieram de pessoas das próprias comunidades, como os jovens MCs, o Grafite, DJs e B-boys, que ele sempre viu sendo discriminados por fazerem parte do movimento de rua.

O artista contou como que apesar do Hip hop/Funk terem mudado a vida e de vários outros jovens vindos da comunidade, ainda falta muito para que o gênero alcance seu objetivo, mas que ele continuará lutando com humildade e fé até conquistar seus objetivos. O MC acrescentou que ainda luta por igualdade, pelos direitos dos MCs e que isso é muito importante para o movimento, que apesar do preconceito, está tocando em em cada vez mais lugares e sendo consumido por diversos públicos.

Nego Drama contou ainda sobre sua experiência no movimento, falando que  assim como nas batalhas é o mesmo jogo da vida, que você aprenderá a atacar e se defender. “Tem que ter um controle mental muito forte e com tempo vai se aprimorando. Como um camaleão se adaptando e cada batalha tem um estilo”, disse.

Com este preconceito desde o início, o funk continuou sendo uma cultura de sobrevivência que driblou diversos ataques. Mas até quando será possível sobreviver assim? O Brasil prefere ignorar essas perguntas. E os funkeiros vão levando como podem, improvisando suas próprias formas de existência.


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