08/10/2021 às 12h59min - Atualizada em 08/10/2021 às 12h50min

Mitologia Grega: Prometeu e Pandora

Do ladrão dos Deuses ao presente maldito, a história de Prometeu e Pandora conta da criação e desgraça do homem

Luize de Paula - editado por Luhê Ramos
Pandora no momento em que abre a caixa | Fonte: John William Waterhouse/Domínio Público

Prometeu e seu irmão Epimeteu eram filhos de Jápeto. O primeiro, era dito como aquele que se vê antes, enquanto o segundo era dito como aquele que se vê depois. Ambos criaram as vidas mortais na Terra, os animais e os homens. 

Aos animais, deram diversos poderes, como voar, caçar, dentes afiados, coragem e garras. As melhores qualidades, como a força e a velocidade foram atribuídas a eles, assim como lhe deram proteção com pelos e penas. O homem, criado por último, ficou sem nada. Não havia sobrado habilidades, nem maneiras de protegê-los. Prometeu ensinou a eles então, diversas habilidades como construir barcos, escrever, cantar e domesticar animais. Mas algo faltava.


Prometeu decidiu roubar o fogo dos Deuses e dá-lo aos homens. Zeus ficou enfurecido com tal ato. Para vingar-se de Prometeu e dos homens, Zeus acorrentou o Deus a uma rocha. Uma ave - um abutre - vinha até ele todo dia e comia seu fígado, que a noite se regenerava, e no dia seguinte a ave voltava para comê-lo novamente. Depois de muitos anos, Prometeu foi libertado por Héracles - ou Hércules.

Como punição dos homens, Zeus ordenou que Hefesto fizesse uma mulher tão bela quanto as Deusas. Hefesto criou uma linda estátua. Atena lhe deu o sopro da vida, Afrodite a beleza, Apolo uma bela voz e Hermes a persuasão. Deram-lhe o nome de Pandora - aquela que tem todos os dons. Nascera então, a primeira mulher.

Em algumas versões da história, Zeus tinha uma filha primogênita tão bela e doce quanto as deusas da beleza, Pandora. Recebeu como presente do pai o colar retirado de Prometeu na rocha em que foi acorrentado. A garota tinha uma caixa, onde guardava todas suas memórias boas. Colocou então, o colar dentro da caixa, mas ela podia guardar apenas bens que não fossem materiais. Como o colar era um bem material, o colar se destruiu. 

Ela até tentou destruir a caixa, mas como era encantada, nada acontecia. Pandora então, aos 36 anos, se matou. Não aguentou viver com aquela maldição.

Enviada a Epimeteu, que foi alertado a não aceitar nada dos Deuses por seu irmão, Pandora acabou se apaixonando e se casando. Consigo trouxe uma caixa, fechada como presente de casamento de Zeus. Pandora, por curiosidade, abriu a caixa e acabou liberando todos os males da humanidade. As guerras, as doenças,a mentira, a velhice e todos os males vieram ao mundo. Ela até tentou fechar a caixa, mas acabou prendendo apenas a esperança.

Uma das interpretações da mitologia vê Pandora como a que deu ao homem a possibilidade de se aperfeiçoar através das provas e dos males. Ela lhe dá a força de enfrentar estas dificuldades com a Esperança. Na filosofia mitológica, Pandora não é a fonte do mal, ela é a fonte da força, da dignidade e da beleza, portanto, sem as dificuldades, o ser humano não poderia melhorar.

Em seus poemas, Byron e Shelley eternizaram o sacrifício de Prometeu pelos homens e sua história se tornou um símbolo de resistência.

Aos olhos imortais de Titã
Os sofrimentos da mortalidade,
Vistos em sua realidade triste,
Pelos deuses não são desprezados;
Qual foi a recompensa de tua piedade?
Um sofrimento silencioso e intenso;
O rochedo, o abutre e a corrente;
Toda a dor que atinge os orgulhosos;
A agonia que eles não exibem;
O sufocante sofrimento da desgraça.

Teu divido crime foi ser bom;
Foi servir teus preceitos menos
A soma das misérias humanas,
E fortalecer o homem com sua própria mente.
E, confundido como tu foste pelo Alto,
Ainda assim, na tua energética paciência,
Na resistência e na repulsão
De teu espírito impenetrável,
Que a terra e o céu não puderam abalar,
Uma poderosa lição herdamos nós.


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