17/10/2021 às 03h53min - Atualizada em 17/10/2021 às 03h28min

Billie Eilish lança novo álbum e apresenta nova fase em sua carreira

Happier Than Ever” é a transição madura da cantora

Cleciane Vieira - editado por Luhê Ramos
Cantora Billie Eilish. Fonte: Instagram - @billieeilish

Billie Eilish, de 19 anos, é considerada uma das maiores estrelas pop da contemporaneidade. A originalidade em sua expressão artística chama atenção desde 2016, quando lançou seu single "Ocean Eyes", composição de seu irmão mais velho, Finneas O’connell. No mesmo ano, a música estreou na posição 84° do TOP 100 da Billboard.

Em 2017, Billie conseguiu a posição de Artista Destaque pela Apple Music. Além disso, foi convidada a fazer parte da trilha sonora da série 13 Reasons Why, com as músicas “Bored” e “Lovely”. Esta última foi estendida em seu clipe feito em parceria com o cantor Khalid, gravado em 2018.  

Em 2019, a cantora lançou seu primeiro álbum de estúdio “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?”, trabalho que a levou ao topo das paradas musicais. O disco lhe rendeu as quatro principais premiações da 63ª Edição do Grammy Awards 2020: Artista Revelação, Álbum do Ano, Canção do Ano e Gravação do Ano com a faixa "Bad guy", além de Melhor Álbum Pop Vocal. 

E, em 2021, Billie e seu irmão conquistaram as estatuetas no Grammy Awards por Gravação do Ano pela música “Everything I Wanted” e Melhor Canção Escrita Para Mídia Visual por “No Time To Die”, música-tema do filme ‘007 – Sem Tempo Para Morrer’. E em julho deste ano, a cantora lançou seu álbum mais intimista "Happier Than Ever". 

Sua primeira fase em “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?” é composta por músicas que contam histórias sobre temas como depressão, suicídio, paralisia do sono e uso de medicamentos. Billie resolveu cantar sobre esses assuntos na intenção de acolher as pessoas que enfrentam estes problemas.  

A estética desse projeto tem um aspecto melancólico e super expressivo, como se personificasse as adversidades sombrias que quase todo adolescente enfrenta. O fato de Billie retratar e nomear os sentimentos que envolvem a fase da adolescência em suas canções é o que gera reconhecimento entre os jovens. 

Enquanto sua primeira Era foi obscura, com letras metafóricas e lúdicas ao uso de referências de filmes de terror, sua nova Era se mostra madura e sentimental, trazendo um sentido mais palpável sobre assuntos concretos e acontecimentos reais, o que representa bem a transição da adolescência para vida adulta, e é por isso que ela faz tanto sucesso com o público de sua geração. 

"Happier Than Ever" foi produzido em casa apenas por Billie e Finneas. Totalmente diferente do seu antecessor, esse álbum intimista revela experiências reais da cantora. Se antes Eilish demonstrava rebeldia em suas músicas, nesse novo trabalho ela se deixa mostrar vulnerável trazendo reflexões sobre relacionamentos abusivos, em como ser mulher dentro da indústria do entretenimento e sobre crescimento pessoal. 

O projeto tem uma pegada vintage e apresenta claras referências do Instrumental, Rock Alternativo, Trap, Jazz, Blues e Bossa Nova. A artista mostrou amadurecimento em sua voz ao explorar mais seu vocal em diferentes nuances, o que é bastante perceptível nas faixas “Oxytocin” e "Happier Than Ever" (música-título do álbum).  

A faixa-título fala sobre ser feliz sozinha depois de perceber que estava em um relacionamento tóxico. Apesar da cantora negar, uma das interpretações seria que a música relata a relação com o primeiro namorado de Billie, na época ela tinha 16 anos e ele 22. A teoria se fortifica com a semelhança que a música tem com as cenas de seu documentário “Billie Eilish: The World's a Little Blurry”. 

A imagem pessoal também caracteriza perfeitamente cada fase dos álbuns. A artista deixou um pouco de lado as roupas despojadas e cabelo colorido e vem aderindo ao estilo minimalista e cabelo loiro platinado. O impacto massivo pela mudança no visual foi maior pois Billie usava roupas largas para esconder a pele, na tentativa de evitar comentários sobre seu corpo.  

A música, seguido de clipe, “The Before I Am” é uma resposta às críticas negativas sobre seu modo de vestir e com relação ao seu peso corporal. Ela também levantou questionamentos sobre o mesmo assunto no interlúdio “Not My Responsability”.  

“Você gostaria que eu fosse menor, mais fraca, mais boazinha, mais alta? Você gostaria que eu ficasse quieta? Meus ombros te provocam? Meus seios te provocam? Eu sou meu estômago? Meus quadris? O corpo com que nasci não é o que você queria? Se eu vestir o que é confortável, não sou uma mulher. Se eu mostrar mais pele, sou uma vagabunda. Embora você nunca tenha visto o meu corpo, você ainda o julga, e me julga por isso, por que?”, diz um trecho do interlúdio. 

Não à toa que Billie Eilish é tida como a maior revelação feminina dos últimos tempos. Mesmo com tão pouca idade se mostra uma artista completa e com uma personalidade única. Ela não quer agradar, ser algum tipo de estereótipo ou cair na mesmice, ela só quer ser ela mesma, sem filtros, e não ser julgada por isso. 


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