30/10/2021 às 20h29min - Atualizada em 30/10/2021 às 19h49min

​Duna: saiba algumas das diferenças entre as versões de David Lynch e Denis Villeneuve

Ambos os cineastas adaptaram a obra de Frank Herbert, mas algumas escolhas foram diferentes para ilustrar a história nas telonas.

Luann Motta Carvalho - Editado por Marcela Câmara

Lançado no último dia 21, Duna tem sido um sucesso cinematográfico. Com US$ 40,1 milhões nas bilheterias norte-americanas no primeiro fim de semana nos cinemas, o filme dirigido por Denis Villeneuve obteve a marca de estreia mais rentável da Warner durante a pandemia da covid-19, superando a marca de US$ 31 milhões do longa Godzilla vs. Kong. Levando em conta a estratégia de lançamento simultâneo na HBO Max, é um desempenho admirável, culminando na confirmação da sequência do filme, com previsão de chegada em 2023. Assim, a expectativa inicial foi confirmada: estamos presenciando a construção do livro de Frank Herbert nos cinemas, como muitos esperavam.

Já é conhecido o fato de Duna ter sido adaptado para os cinemas anteriormente, em 1984, com direção de David Lynch. No entanto, diferente das avaliações sobre a adaptação atual, o “Lynch Cut” não correspondeu às expectativas e foi considerado um desastre tanto pela crítica quanto pelo público.

Mas quais seriam as diferenças que Villeneuve implementou em relação ao filme de 1984 que acabaram originando distintas avaliações? Vamos falar sobre algumas escolhas das duas adaptações - contém spoilers!
 
A duração e o formato


A primeira diferença é a mais óbvia: Villeneuve escolheu somente adaptar uma parte da obra original nesse primeiro filme, em 2 horas e 30 minutos de duração. O cineasta, inclusive, já revelou que o seu desejo é ver uma trilogia da saga. Segundo ele, para honrar a história original, é preciso “seguir o arco completo de Paul Atreides”.

Na primeira adaptação, a história é espremida em duas horas e deixa fora de cena vários pontos cruciais do livro. O resultado foi um filme bagunçado e turbulento, sem agradar a crítica e o público. Além disso, não ajudou o fato de ter sido lançados vários enredos sci-fi em um curto espaço de tempo, o que tornou o “Lynch Cut” como um filme “mais do mesmo” – o fiasco nem chega a ser culpa total de David Lynch, mas isso é assunto para outro texto!

No entanto, o erro da versão de 1984 serviu de base para a construção de Villeneuve. Como foi destacado na resenha do site, o cineasta não teve uma missão fácil de superar as dúvidas quanto a possibilidade de adaptar Duna para os cinemas após o fracasso da versão antiga. A missão foi concluída com sucesso, pois o diretor apresentou os conceitos e vocabulários mais complexos sem causar confusões. Em resumo, os diálogos detalhados do livro foram bem ilustrados e explicados.
 
Ilustração inicial e introdução de personagens


Relacionadas com a primeira diferença, as decisões iniciais que buscam instruir as direções do enredo são bem notáveis.

Para situar o espectador dentro do contexto de Duna, David Lynch resolveu começar seu filme com uma explicação da Princesa Irulan sobre as famílias e planetas, além de outros detalhes. Uma fórmula parecida com a da própria obra original, já que os capítulos do livro se iniciam com trechos de escritos da princesa. Além disso, a ordem para que os Atreides fossem para Arrakis é ilustrada com o próprio Imperador Padixá.

Denis Villeneuve até faz algo semelhante, mas ainda distinto. No início do filme de 2021, quem explica um pouco do contexto é Chani, que cita a luta dos fremen contra a família Harkonnen e a vinda dos Atreides para Arrakis. E essa decisão imperial é informada por um mensageiro do Imperador para o duque Leto Atreides e outros membros da família.

Assim, é perceptível outra distinção: na versão de Villeneuve, alguns personagens relevantes ainda não foram introduzidos, casos do Imperador Padixá, da Princesa Irulan e de Feyd-Rautha Harkonnen – simplesmente interpretado por Sting na adaptação de Lynch. É válido citar também Alia Atreides, filha de Jessica e irmã de Paul, e peça importante no filme de 1984. No longa de 2021, Paul apenas menciona que sua mãe está grávida por meio de suas visões.
 
Liet-Kynes
 

Villeneuve se mostrou ousado e certeiro na versão de Liet-Kynes para sua adaptação de Duna. Tanto na história original, quanto na adaptação de 1984, Kynes é um homem do povo fremen de Arrakis e o planetólogo imperial do planeta. Entretanto, no filme de 2021, o personagem é interpretado por uma mulher negra: Sharon Duncan-Brewster.

Por vários motivos essa mudança se mostra importante, mas o principal deles é a representatividade. Não há necessidade de termos uma história que ilustre apenas homens brancos. Kynes é uma pessoa da obra original que é conhecida por ter ações icônicas e diálogos marcantes, costumeiramente envolvendo a ecologia. Logo, sua importância no enredo não está interligada ao sexo do personagem e com isso, não há nenhum problema nessa alteração – pelo contrário, foi uma escolha precisa.
 
Elenco


O elenco do Duna de 1984 até tinha ótimos atores e que já eram relevantes no cenário cinematográfico, como Francesca Annis, Sean Young e Max von Sydow. No entanto, com exceção de Annis, os personagens interpretados não tiveram muito tempo de tela.

Alguns nomes viriam a ser mais conhecidos depois, como Patrick Stewart, Virginia Madsen e Kyle MacLachlan, que fazia sua primeira aparição nas telonas. Logo na sua estreia, Kyle interpretou justamente o protagonista Paul Atreides – e fez um trabalho digno, levando em conta o roteiro.

O Duna de 2021 capta a atenção nesse ponto por escalar atores que vivem um momento excelente em suas carreiras: Rebecca Ferguson, Josh Brolin, Dave Bautista, Oscar Isaac e Jason Momoa. Mas a sacada para chamar o público jovem foi ter Timothée Chalamet e Zendaya no elenco, já que ambos são muito populares entre os mais jovens.


REFERÊNCIAS

BATTAGLIA, Rafael. “A jornada de Duna, do livro ao novo filme”. SUPER INTERESSANTE. Disponível em:
. Acesso em 25 de out. de 2021.

GARÓFALO, Nico. “Como Duna de 2021 deve conquistar o sucesso que versões anteriores não tiveram”. OMELETE. Disponível em:
. Acesso em 26 de out. de 2021.

GORSKA, Nathalin. "Duna - Vale a pena?". LAB DICAS. Disponível em:
. Acesso em 28 de out. de 2021.

KLOPPER, Raphael. “Duna (1984) | Um Desastre Triunfal”. LAB DICAS. Disponível em:
. Acesso em 25 de out. de 2021.
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