20/12/2021 às 22h46min - Atualizada em 19/12/2021 às 19h30min

70 Anos das telenovelas brasileiras, um marco na história do país

Sete décadas depois da estreia da primeira produção do gênero no país, folhetins ultrapassam limites da TV e marcam gerações

David Cardoso - Revisado por Márcia Nascimento
Elenco da novela "Avenida Brasil". (Foto/Divulgação: TV Globo)

O dia 21 de dezembro de 1951 representou um marco para a história da televisão brasileira, data esta em que foi ao ar o primeiro capítulo da primeira telenovela do país: “Sua Vida me Pertence”.

Ainda sem muitos detalhes como as obras que conhecemos atualmente, a TV Tupi exibiu em sua programação uma novela ao vivo, com capítulos de vinte minutos, escrita pelo pioneiro Wálter Forster.

Na época, eram exibidos dois capítulos por semana, as terças e quintas-feiras. Esse modelo de exibição só foi reformulado em 1963, com a exibição de “2-5499 Ocupado”, da extinta TV Excelsior, quando a trama estreou com a exibição diária de segunda-feira a sábado. Inclusive, o primeiro beijo da televisão brasileira aconteceu nesta novela entre os protagonistas interpretados por Wálter Forster e Vida Alves.

No país, as primeiras tramas normalmente narravam histórias de épocas e históricas, mas com o passar dos anos as tramas foram ganhando atualizações na forma que era produzida. As tramas passam a ser mais longas e possuir mais personagens e núcleos, para que possam se estender por meses.

As histórias passam a ser mais densas e tocar em assuntos de relevância social, o que contribui para que as tramas caíssem no gosto popular, mas por muitos anos poucas novelas apresentavam aos telespectadores histórias como temáticas relevantes, mas foi em 1969, com a estreia de Beto Rockfeller na TV Tupi, que o público passou a se identificar de fato com os conflitos vividos entre os personagens. 

Na trama 
Alberto ou Beto, como é mais conhecido - é um charmoso representante da classe média-baixa que mora com os pais, Pedro e Rosa, e a irmã, Neide, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e trabalha como vendedor em uma loja de sapatos na Rua Teodoro SampaioCom sua intuição, perspicácia e malandragem, o vendedor Beto se transforma em Beto Rockfeller, primo em terceiro grau do magnata americano Nelson Rockfeller, e consegue penetrar na alta sociedade, através de sua namorada rica, Lu, filha dos milionários Otávio e Maitê. Assim, ele consegue frequentar as badaladas festas e as rodas da mais alta sociedade paulistana.

Novelas X Ditadura Militar

Em meados da década de 1970, as novelas foram afetadas pela censura introduzida pelo governo militar vigente no país entre 1964 a 1985. Naquela época, a televisão começou a se popularizar entre os lares brasileiros, e a produção dos folhetins, principalmente na TV Globo, se tornam o principal meio de entretenimento. Como resultado, passaram a atrair a atenção dos examinadores. Cenas de homossexualidade, sexo ou críticas ao governo e a igreja foram cortadas.


A produção televisiva era submetida ao Departamento de Censura e Diversões Públicas (DCDP). A decisão do governo militar tirou o sono de muitos atores, diretores e roteiristas. Os autores Janete Clair, Glória Magadan, Gilberto Braga, Dias Gomes, Cassiano Gabus Mendes e Lauro César Muniz foram os que mais sofreram com as interferências do regime.

 

Segundo o especialista em teledramaturgia, Nilson Xavier, um dos casos mais emblemáticos de censura a uma novela no país foi a primeira versão de Roque Santeiro em 1975,  impedida de ir ao ar pelo Governo Militar na noite de sua estreia, depois de vários capítulos gravados.

O Bem-Amado, Escalada, Fogo Sobre Terra, Vale Tudo, Selva de Pedra, Despedida de Casado, O Casarão, Brilhante, Escrava Isaura, são algumas tramas que precisaram se adequar ao governo ou tiveram sua exibição proibida.

Tramas de Sucesso

 

"Em termos históricos, considero a telenovela o maior produto da indústria cultural brasileira. É genuíno, é nosso. Uma novela é capaz de refletir o que está em debate na sociedade, ampliar as discussões. É assistida por milhões de brasileiros. Claro, como toda obra artística sofre modificações de todo um contexto, seja ele político, social, econômico, tecnológico, do próprio mercado, concorrência etc. E acho que a telenovela brasileira está em eterna modificação para atender a todas essas transformações", comenta a doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporânea, Thaiane Machado, que acompanha assiduamente e pesquisa sobre as tramas.



As novelas em si já são produtos de grande sucesso no país, mas algumas ultrapassam barreiras e fronteiras e o sucesso vai além das telinhas. Novelas como Cheias de Charme, Avenida Brasil, a trilogia Os Mutantes, Tieta, A Força do Querer, Chocolate com Pimenta, Alma Gêmea, Verdades Secretas, são algumas novelas brasileiras que provaram que mesmo com o passar dos anos os folhetins conseguem inovar no gênero e apresentar ao público novas experiências. Na primeira mencionada à carreira de cantoras das protagonistas não só fez nas telinhas, as músicas das novelas ficaram entre as dez mais tocadas no país naquele ano. Verdades Secretas fez tanto sucesso em 2015, que sete anos depois ganhou uma 2° temporada com estreia primeiro na plataforma de streaming, Globoplay.

Os 70 anos da telenovelas acaba sendo muito mais do que uma mera data comemorativa, mas sim uma momento para comemorar tantos anos de trabalho e dedicação de equipes que levam o entretenimento para a sala de milhões de brasileiros. Equipes que contam histórias e faz com que durante meses, grupos se formem torcendo pelos casais principais, pelos idosos carismáticos, pelas crianças serelepes e em algumas vezes até por aquele vilão que se "ama odiar".


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