01/05/2022 às 18h22min - Atualizada em 01/05/2022 às 16h45min

A24 e o sucesso dos filmes independentes

Estúdio lidera o ramo das produções de baixo orçamento

Ana Beatriz Magalhães - Revisado por Flavia Sousa
Assinatura do estúdio. (Fonte: CinePop/ Reprodução).
Desde a década de 90, os blockbusters (megaproduções) monopolizam o mundo do cinema. Com filmes de grande sucesso social e financeiro, eles dominam as telinhas e é acertado, em Hollywood, que são o mais viável modelo de negócio. O que tem dado resultado são os longas de super-herói, de ação e tudo que requer grandes investimentos. 

Nesse cenário, filmes de baixo orçamento são deixados de lado, enquanto os blockbusters recebem toda atenção e divulgação. Contudo, isso vem mudando devido ao A24. O estúdio foi criado em 2012, por três diretores que abandonaram seus respectivos trabalhos para se dedicarem à iniciativa. A intenção era promover a colaboração entre diretores iniciantes sem muitos recursos financeiros para produção e tem dado muito certo.   

Os filmes independentes sempre foram vistos como “de nichos” e "diferentões", dificilmente ganhando espaço e destaque, mesmo se tivessem um elenco famoso e talentoso, por exemplo. Isso até o surgimento do estúdio A24. 

Suas obras costumam ser dos mais variados gêneros e temas, da comédia ao terror psicológico. Os únicos fatores semelhantes entre essas produções são, talvez, a criatividade e particularidade nas histórias. Isso acontece devido a autonomia dada pelo estúdio aos seus diretores e roteiristas.  

 O diferencial do A24  

Ao assistir os filmes, o espectador consegue perceber a liberdade que o cineasta tem na produção, ao entregar o que ele realmente queria realizar. Essa é uma situação quase rara em Hollywood nos últimos anos, já que, na maioria das vezes, é comum as produtoras intervirem nas obras, demostrando maior controle sobre os processos de edição.
 
A Marvel Studios e a Warner, por exemplo, investem naquilo que o público gostaria de ver, de modo que seus filmes possam se enquadrar em um perfil agradável para o público e render lucro nas bilheterias.  

Então, é perceptível que o direito de criação nesse ramo sempre foi limitado e censurado, sendo possível apenas para cineastas que atingem um certo grau de importância. É aí que o estúdio A24 se diferencia. O empreendimento se inicia exatamente para fornecer autonomia para os diretores em relação a suas obras. A produtora incentiva qualquer ideia original e criatividade, mesmo que seja a maior maluquice e exista possibilidade de fracasso.  

 
 
Ao contrário dos grandes estúdios, A24 não exige que os diretores façam cortes nas obras ou modifiquem as histórias para agradar o público. Existe um respeito em relação as visões e ideias mirabolantes, assim como apoio à arte original e criativa.

Os filmes do A24   

O estúdio representa, talvez, a única tentativa de produção de obras inovadoras na indústria do audiovisual. Com filmes de todos os gêneros, criam histórias bem elaboradas e enredos complexos que agradam tanto o público quanto a crítica especializada.
 
Seu primeiro grande sucesso foi Spring Breakers, que causou polêmica ao colocar duas atrizes da Disney no elenco, e Bling Ring, que contava a história real dos assaltantes de Hollywood. Contudo, foi a partir de 2014 a 2016, que A24 ganhou notoriedade no mercado e começou a ser conhecida pelos seus filmes voltados ao drama, ao suspense e ao terror psicológico moderno. 

Ao longo desses anos, o estúdio virou queridinho entre os fãs de cinema, principalmente os mais novos. Normalmente, quando alguém quer começar a ver os filmes do A24, o carro chefe são as narrativas de terror. A Bruxa, Hereditário, Midsommar e The Lighthouse são alguns deles e chamam atenção por inovarem o gênero do terror. 
 
Diferente dos clássicos filmes de terror, os do A24 não usam as famosas “jump scares” e sim técnicas mais sofisticadas e elaboradas. Com uma pegada muito mais psicológica, sempre procuram abordar traumas familiares, perdas e questões religiosas, criando uma atmosfera chocante e assustadora. A construção gradual da história prende a atenção de qualquer um que parar para assistir e, no final, faz pensar e, muitas vezes, deixa inúmeras dúvidas.  

Mas, é claro, nem só de filme de terror se vive o A24. Os dramas, comédias e o famoso “coming of age” se destacam entre as produções. Com muita originalidade, beleza e complexidade, esses longas costumam ser indicados a premiações e são verdadeiras obras de arte.  
Talvez, o que mais chama atenção e agrada nessas obras, além do conteúdo, seja a fotografia. Cores vivas e vibrantes são usadas, ficando em contraste com a pele dos personagens, por exemplo, e formando imagens encantadoras.
 
Moonlight, por exemplo, foi o primeiro filme de baixo orçamento a ganhar uma estatueta de Melhor Filme no Oscar. O jogo de imagens e cores feito na obra é sempre muito elogiada, assim como em Lady Bird, Oitava Série, Projeto Florida e O Quarto de Jack.  

O Marketing da A24

Enquanto se fortificava como distribuidora e produtora, o estúdio foi em busca de duas medidas para atingir o sucesso: modelo de lançamento direto para o consumidor, ou seja, as plataformas de streaming e o fortalecimento de sua própria marca. 

De início, os filmes eram lançados em festivais independentes, com lançamentos limitados em cinemas. Logo depois, fechou parceria com plataformas digitais, como a Amazon.  

Em questão da marca, sempre prezou consolidar a própria assinatura. Com um foco total nas redes sociais, a fim de agradar os fãs e convidar para assistir os filmes, a produtora desenvolve bastante seu marketing digital. Eles apelam para o publico jovem a partir de “memes” e publicações trazendo referência à obra que estar para ser lançada.  

 Por exemplo, no início de 2013, nas vésperas do lançamento de Spring Breakers, o estúdio postou uma foto, no facebook, de James Franco sentado ao lado do resto do elenco de uma forma que lembrava “A Última Ceia” de Leonardo da Vinci. A foto teve 600.000 “curtidas” e o filme ganhou 174 milhões de impressões nas semanas que antecederam seu lançamento.

Já em 2015, com ‘A Bruxa’, a equipe do A24 criou perfis no Twitter, Facebook, Instagram e Snapchat para os personagens do filme. Mais recentemente, em 2019, o estúdio ganhou as manchetes por oferecer sessões gratuitas de terapia de casais por causa de outro filme de terror, o Midsommar.  

 
 
Nenhuma campanha de divulgação é igual, mas todas são ousadas em sua execução e estilo, aproveitando ao máximo as mídias sociais e a internet. Eles combinam os riscos que seus cineastas estão assumindo na narrativa com os riscos em seu marketing.  

Com isso, A24 fica super conhecida entre os fãs de cinema, principalmente entre os mais jovens. Tanto que, tem sido uma das inspirações para atraí-los para o meio do audiovisual.  

Com dez anos de trajetória, A24 se consolida entre grandes produtoras e é queridinha do público e das premiações. Ainda mostra que sabe lidar com o mundo digitalizado e dominado por uma geração ligada na internet, mas que também não perde a chance de consumir conteúdo de qualidade.

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