15/09/2022 às 23h07min - Atualizada em 15/09/2022 às 22h55min

Que tal uma biblioteca de pessoas e não de livros?

A ideia da Biblioteca Humana é possibilitar a socialização e promover mais respeito através da contação de experiências

Lívia Nogueira - Revisado por Flavia Sousa
Sua vida daria um livro? (Foto: Reprodução/Acervo Human Library)

Já imaginou visitar uma biblioteca e, ao invés de acessar literatura escrita, encontrar seres humanos à disposição? Apesar de causar estranhamento a princípio, esse é o fundamento da Biblioteca Humana, que possibilita que pessoas sejam demandadas para uma conversa, promovendo a socialização e a troca de experiências e conhecimentos. Esse “aluguel” pode ser influenciado por características físicas, sociais e até profissionais. 

Originalmente intitulado de Human Library, o projeto surgiu na Dinamarca, fundado pela ONG “Stop the Violence!" no ano de 2000, com a temática “Não julgue um livro pela capa!”. A iniciativa então atingiu mais de 80 países do mundo e, há alguns anos, chegou ao território brasileiro. Executado pela Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em setembro de 2019, a ideia de adotar a ação foi combater o preconceito vivenciado por diversos jovens daquele espaço. Apesar de ter sido reproduzido por organizações em outras regiões do País, a iniciativa não chegou a se popularizar no Brasil por falta de engajamento, financiamento e apoio.

A Human Library é, no verdadeiro sentido da palavra, uma biblioteca de pessoas. Realizamos eventos onde os leitores podem emprestar seres humanos servindo como livros abertos e ter conversas às quais normalmente não teriam acesso. Cada livro humano de nossa estante, representa um grupo em nossa sociedade que muitas vezes é submetido a preconceito, estigmatização ou discriminação por causa de seu estilo de vida, diagnóstico, crença, deficiência, condição social, origem étnica etc.”, é o que apresenta o site oficial do projeto.

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Na versão dinamarquesa, foram realizadas diversas edições do programa, que contou com depoimentos históricos, como “Crianças sobreviventes do Holocausto”, “A vida com HIV”, “Rapaz do Orfanato” e “A vida de um refugiado de guerra”. Assim como essas, as narrativas pautadas nos eventos são vividas e contadas por pessoas comumente marginalizadas ou estereotipadas pela sociedade, a exemplo de representantes da comunidade LGBTQIA+, de religiões diversas e de grupos étnicos variados. Nesse sentido, a ideia é que também seja possível quebrar paradigmas tradicionalistas e excludentes, promovendo mais tolerância e empatia.

Por isso, para o fundador da Biblioteca Humana, Roni Abergel, o objetivo é que os momentos de diálogo proporcionem mais compreensão e respeito para os usuários que passam pela experiência. “Não estamos aqui para convencer as pessoas de certa opinião ou visão. Estamos aqui para publicar informação, e o que você faz com essa informação é responsabilidade sua.”, declara ele.

O funcionamento da Human Library oficial se dá pela apresentação de uma espécie de catálogo de histórias em exposição naquela edição do evento. Nesse momento, o visitante poderá optar pelo conteúdo que quer acessar. Após selecionar, ele é encaminhado a uma área destinada às conversas, onde será encaminhado ao encontro do orador da narrativa escolhida. No período de cerca de 30 minutos, ele ouve e, após isso, fica livre para fazer questionamentos - incluindo aqueles que não seriam feitos normalmente - e relatar experiências em comum.

Saiba mais sobre a Human Library e acompanhe as próximas edições no site oficial.


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