26/09/2022 às 22h23min - Atualizada em 26/09/2022 às 22h10min

Tecnologia e arte: exposições imersivas têm crescido nos últimos anos

Lotações são pela arte ou pela foto?

Larissa Varjão - editado por David Cardoso
Exposição Beyond Van Gogh. (Foto: Reprodução/Facebook).
Desde 2019 as exposições imersivas de artes têm ganhado espaço principalmente em shoppings. O mais interessante é que os ingressos vendem rapidamente. Será que essa demanda tem relação com o amor pela arte ou simplesmente serve para tirar foto?
 
Essa estratégia imersiva começou em 2018 na cidade de Paris, quando o Atelier des Lumières apostou nessa ideia e apenas no primeiro ano, o espaço recebeu mais de 1,2 milhão de visitantes. Por lá já passaram exposições de artistas como Gustav Klimt, pintor simbolista considerado um dos mais importantes artistas austríacos, assim como obras inéditas de artistas em atividade.
 
“A gente está em uma era onde tudo é postado, tudo é instagramável, então tudo que é bonito atrai né”, afirma Luis Mandu, criador do perfil @arteoitava e apaixonado pela arte. Para ele, são poucas as pessoas que vão atrás de informação, de arte, de conhecer sobre a obra e os pintores, mas muitas vão atrás de um feed bonito e boas fotos. “São exposições que focam em uma superficialidade da arte, é bonito e interativo, mas você não sai de lá com um conhecimento maior sobre a obra e o pintor”, complementa.

Museu X Shopping
 
A exposição de Leonardo da Vinci em 2019 e do Portinari este ano foram realizadas no MIS Experience, no Museu de Imagem e Som, diferente da do Van Gogh, realizada no Shopping Morumbi. “A disparidade delas é imensa, o MIS é o Museu da Imagem e do Som, tem curadores, tem gente que trabalha para fazer aquela exposição a fundo, pesquisa sobre vida e obra do autor, tem espaço, salas, além de pontos que falam sobre os pintores e outros projetos. Então é uma coisa que traz conhecimento não é uma coisa breve”, observa Luís. Ele ainda explica que a do da Vinci tinha réplica de suas invenções e não apenas seus quadros, aprofundando ainda mais sobre quem era Leo. “A do Van Gogh acontecia no estacionamento do Shopping Morumbi, uma sala de projeção com várias obras se repetindo e uma sala minúscula com alguns painéis com trechos da vida do Van Gogh coisas que a gente conseguiria tranquilamente achar na internet”, compara.


 
Luís acredita que essas exposições deveriam ser feitas em museus, pois contam com um aprofundamento maior. “A gente percebe como essas exposições imersivas têm um potencial para serem muito boas como a do MIS Experience porquê tem curadoria, tem coisa detalhada, pesquisada para fazer e a do Van Gogh que é muito rasa, não deixa de ter uma curadoria porquê é necessário ter, mas é completamente superficial do que quando é feita por um museu”, finaliza.


 
Profissionais da cultura que participaram da 3ª edição do seminário Vida Cultural promovido pela Folha e pelo Itaú Cultural no dia 15 de setembro, acreditam que a experiência imersiva é uma das alternativas para o cinema e o teatro recuperarem os expectadores que ainda não voltaram em razão da pandemia. Além disso, aliar a tecnologia com a arte é algo benéfico, pois permite que os artistas atuais utilizem novas ferramentas para sua produção de forma inovadora, com uso de materiais multimídia e usar a tecnologia para achar referências e divulgar de forma mais ampla o seu trabalho.

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