11/08/2019 às 01h29min - Atualizada em 11/08/2019 às 01h29min

Será que o homem também é alvo de preconceito?

Curso de pedagogia e seus esteriótipos relacionados aos gêneros

Izabel Lopes - Editado por Letícia Agata

Vivemos em uma sociedade na qual o preconceito é claramente explícito e propagado frequentemente. As mulheres, na maioria das vezes, são as que mais sofrem com ele. Mas você já parou para pensar que o homem também pode estar sofrendo?

Quando se fala em educação infantil, é natural pensar na mulher como papel ideal para exercer a profissão de pedagoga, mas de onde surgiu essa referência? Historicamente, a educação infantil era um espaço majoritariamente feminino. O gênero masculino sempre foi, de um certo modo, rejeitado. Geralmente, a imagem da mulher remete à criança e à maternidade. Por isso, os pais e a própria escola optam pelo gênero feminino.
 

Alessandra, estudante de pedagogia, fala a respeito do preconceito: “Em sala, muitos professores fazem algumas piadinhas preconceituosas e isso acaba sendo constrangedor para o homem”.

Desde muito cedo, a criança é instruída sobre questões de gênero. Sabemos que a sociedade é a grande responsável por essa separação, principalmente as meninas, pois os pais sempre as orientam sobre não falar com estranhos e não falar com homens. Contribuindo para essa restrição, não que essas orientações não sejam necessárias, elas fortalecem esse estereótipo cultural em que o homem não teria capacidade para exercer a profissão de pedagogo.
 
Para Ednaldo, estudante de pedagogia, o preconceito pode ter vários lados: “Para mim, o preconceito faz parte de cada pessoa sem que elas percebam. A sociedade é a grande responsável por propagar. E também existem muitas mulheres que são machistas”.
 
Dessa forma, o homem acaba exercendo um papel de menos delicado, sem jeito, e até mesmo sendo rotulado como “bruto”. Dessa forma, não seria viável a criança ter como base de ensino em sua formação a imagem do homem, além de todo o histórico negativo, relacionado à violência e abuso, no qual o gênero masculino estaria sujeito.
 
Cursar pedagogia continua sendo um desafio para o homem, pois o preconceito também se dá em sala de aula, por ainda existir uma certa restrição. Muitos associam a pedagogia como “profissão de mulher”.
 

Geison Pereira, formado em pedagogia, fala sobre os preconceitos que já enfrentou quando era estudante: ”Eu fui, muitas vezes, alvo de preconceito. Já participei de uma palestra, onde minha turma era composta por mulheres e apenas eu de homem. A pessoa que palestrava sempre se referia à “elas” e isso era desconfortável. Já ouvir muito que o homem que faz pedagogia é gay”. 

Atualmente o curso de pedagogia ainda é, em sua grande maioria, composto por mulheres, mas os tempos podem estar seguindo rumos diferentes e hoje, mesmo que não seja o suficiente, o homem vem ganhando espaço e certa credibilidade, mesmo que lentamente.

“Hoje a gente está mostrando muito as nossas competências, as nossas habilidades. Estamos mostrando que nós trabalhamos com seriedade, que aquilo que a sociedade diz que só a mulher pode fazer, a gente está mostrando competência dentro do profissionalismo, dentro da nossa formação”, declara Geison.
 
Mesmo que atualmente alguns avanços têm acontecido, o mercado de trabalho ainda é incerto e muitas coisas precisam ser pensadas e desconstruídas, tanto socialmente como culturalmente. Porém, é importante nos atentarmos para a profissão, sem distinção, pois tanto o homem como a mulher podem exercer a mesma função com a mesma competência. 

 
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