26/08/2019 às 21h20min - Atualizada em 26/08/2019 às 21h20min

O coletivo AfroCaeté é instrumento de valorização da cultura alagoana

O coletivo tem grande importância para o resgate da tradição musical em Alagoas

Lucas Amorim - Editado por Letícia Agata
Instagram do coletivo @coletivoafrocaete_al
Os coletivos sociais surgem como opção para aqueles que não se vêm representados em partidos políticos e não se identificam com as organizações não-governamentais, bem como sindicatos e agremiações. As organizações tradicionais, partidárias ou não, possuem formato vertical de comunicação e poder, diferentemente da forma horizontal dos coletivos, o que os tornam bem mais atraentes para os jovens.
Outro fator que os diferencia das ONGs ou sindicatos é a forma como atuam na sociedade. Os formatos tradicionais produzem seu discurso e mobilização em diálogo com o Estado. Esse modelo não chama a atenção do público jovem, que acredita em uma forma de mobilização direta, afetuosa e menos burocrática.
Dentro dos coletivos há o cultural, que geralmente organiza atividades culturais, como resgate e apresentação de danças típicas, artesanato ou outras formas de manifestações culturais. Entre suas principais características estão a produção colaborativa, grande participação de cidadãos residentes na periferia e ativismo político.
 
AfroCaeté
O AfroCaeté é o mais famoso coletivo de resgate da cultura alagoana. Sua sede fica localizada no histórico bairro do Jaraguá, em Maceió. O grupo tem como principal objetivo a valorização, reprodução e difusão da cultura musical de Alagoas. Os ensaios acontecem todos os domingos às 15 horas em sua sede. O coletivo tem cerca de 40 membros,  sendo homens e mulheres de várias etnias e profissões, unidos pelo resgate da cultura local.
Para Mara Carolina, 34, vice-presidente do AfroCaeté e professora de Língua Portuguesa, o grupo tem como propósito fazer o resgate da cultura popular alagoana. Ela explica porquê a sede fica localizada no Jaraguá: “é o que leva movimentação para o bairro, porque o bairro é esvaziado de certa forma. Tem alguns estabelecimentos comerciais, mas não tem um lugar ativo”.
Carolina relata que as parcerias são importantes, pois os grupos funcionam de forma autônoma, sem apoio governamental. É importante um movimento apoiar o outro para o fortalecimento da cultura local. Entre as ajudas estão: oferecer espaço para ensaios, oficinas e apoio moral através de diálogos.
Izabel Lima, 20, é estudante de Engenharia Ambiental e Sanitária, na Universidade Federal de Lagoas, e contramestre do AfroCaeté. Ela conta que conheceu o grupo através do seu professor de sociologia. Então ficou curiosa, foi visitar o coletivo e hoje ocupa a função. Para Lima, o grupo, além de ser um espaço para resgate da cultura local, “é um grupo de resistência. Colocamos a cara na rua. Não temos medo”.


Integrante do AfroCaeté (Foto: AfroCaeté)


Integrante do AfroCaeté (Foto: AfroCaeté)
 
Uma das datas mais esperadas pelos membros é o carnaval, pois o bloco do AfroCaeté já é tradição no circuito do Jaraguá Folia. A preparação acontece de forma mais intensa a partir de novembro, quando começam a pensar em vestimentas e os ensaios são mais intensos.
Além dos projetos nas comunidades e nas apresentações culturais, o coletivo oferece oficinas. Elas ocorrem duas vezes ao ano e contemplam aproximadamente 60 pessoas. A divulgação ocorre no perfil oficial do movimento no Instagram (@coletivoafrocaete_al).

https://www.instagram.com/coletivoafrocaete_al/?hl=pt-br
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