17/12/2019 às 20h23min - Atualizada em 17/12/2019 às 20h23min

Casa do Cantador comemora 34 anos e celebra a cultura nordestina em Brasília

Brunna Feitosa - Editado por Letícia Agata

Comemorando 34 anos de existência, a Casa do Cantador fez um evento sobre o Repente, um estilo musical predominante no nordeste do Brasil. Tal arte é baseada no improviso cantado por duas pessoas alternadamente, explicando o nome do estilo musical. O Repente na cantoria de viola é desenvolvido por dois artistas, acompanhados por violas na afinação nordestina. Os cantores improvisam em públicom tanto a melodia quanto os versos. Semelhante ao Rap, é um discurso rítmico com rimas e poesias, podendo ser interpretado a capella ou com som de fundo, como o chamado beatbox.

Seu Rafael Pereira, 69, do Piauí, e seu Francisco Porto, 80, do Ceará, são apologistas. Ou seja, ouvintes de Repente ou cantoria, como também é chamado. Ambos pegaram gosto pelo estilo musical na infância e frequentam a Casa desde sua inauguração.

Na Casa do Cantador há uma variedade de estados nordestinos que trazem grandes poetas, como o Ceará, Piauí e Paraíba. Seu público é composto por famílias nordestinas e muitos frequentam o local desde de seu início. A ideia foi trazer a cultura nordestina para Brasília. A Casa conta com o apoio do governo, subordinado à secretaria de cultura e além da cantoria, recebe projetos.

Ao ser questionado se Brasília ainda é a capital do rock, Neildo Rodrigues, diretor da Casa do Cantor, alega: ''Eu acho que hoje tem que dividir esse título aí, a capital do rock e do sertanejo que cresceu tanto no Brasil e em particular aqui em Brasília. E a gente detém uma parcela da população de 1 milhão de nordestinos. Eu acho que é bem relevante essa parte''. Neildo é conhecido como Zé do Cerrado, pois também é poeta e repentista.

 “Já conheço o Repente, sou do nordeste. Meus pais gostam muito desse Repente, desse embolado e eu cresci ouvindo muito lá no Maranhão”, disse Francisco Matos, vigilante da empresa de segurança Brasfort, que estava fazendo a cobertura de férias e visitava pela primeira vez o local. “Não conheço nenhum artista que vai tocar hoje, vou conhecer hoje”, disse e alegou gostar muito do ambiente.

Muita gente confunde a Literatura de Cordel com o Repente. Talvez seja pelo fato de ambas serem expressões artísticas muito difundidas no Nordeste do Brasil, mas a diferença é que o cordel é a poesia popular que se caracterizou como tal, pelo fato de ser publicada em folhetos, enquanto o Repente é a poesia feita pelos cantadores, os quais geralmente recebem da plateia um tema, chamado Mote, e o desenvolvem na hora. Também é muito comum os repentistas fazerem desafios, nos quais cada um exalta suas qualidades e depreciam o "adversário".
 
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