20/12/2019 às 17h16min - Atualizada em 20/12/2019 às 17h16min

Casa Borges: um museu no interior

O museu Casa Borges, em Barra do Bugres, MT, busca valorizar e difundir da história e vida artística da cidade.

Neila Grenzel - Editado por Letícia Agata
Acervo da coordenação do Museu.
O projeto nasceu de forma natural entre a parceria da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Secretaria de Educação e Cultura do Município. Estruturado como projeto de extensão da Unemat, o museu funciona com o sistema de exposições periódicas, com o objetivo de ampliar a movimentação cultural de uma cidade com poucas opções de entretenimento.

Primeiros passos

Alunos do curso de arquitetura e urbanismo analisaram e propuseram soluções arquitetônicas para os problemas em uma antiga residência em desuso, dando os primeiros passos para criar o primeiro museu da cidade. Após entregarem as propostas de restauração da casa, queriam mais. Tinham o “objetivo de dar uso à casa e mostrar à comunidade o potencial daquele espaço como lugar de cultura”, conforme afirmação no projeto escrito e enviado à Prefeitura Municipal da cidade. 

Assim, alunos, artistas, professores e funcionários do departamento de cultura da Prefeitura Municipal, se reuniram para discutir possibilidades de uso para o espaço, levando em conta que não havia dinheiro para aplicar na prática as restaurações sugeridas pelos alunos. Era necessário utilizar a casa nas condições em que estava, apenas com reparos de extrema necessidade para o funcionamento.

Dessa forma, a professora Priscila Waldow, do curso de arquitetura e urbanismo, sugeriu expor os trabalhos realizados por sua turma na Casa Borges. Assim, aconteceu a Exposição de projetos do Museu Casa Borges, na qual foram expostos os trabalhos em que os estudantes propuseram restaurações ao à Casa. A exposição contou com 24 expositores. Algumas escolas foram convidadas e ao todo foram 280 visitantes. Isso animou o grupo e o professor universitário, João Mário, encabeçou o projeto, dando vida ao Museu Casa Borges, como um projeto de extensão da Universidade do Estado de Mato Grosso, tendo a professora Priscila como membro.

Exposições

De acordo com o coordenador João Mário, desde o seu surgimento, no começo de 2018, foram organizadas 13 exposições e ao todo foram registrados 3600 visitantes por ata, sendo 2600 alunos de escolas do município. Dentre as exposições, já houve mostras sobre a história de Barra do Bugres, exposições somente com artistas locais e oficinas.

A exposição com maior número de visitantes foi “A História Umutina”, a qual abordou a cultura da aldeia indígena Umutina, que fica aos arredores da cidade de Barra do Bugres. Com 814 visitantes, a exposição contou com a parceria da escola indígena, Jula Paré, e da própria aldeia, a qual ajudou a montar a história e doou objetos típicos. A exposição foi dividida em presente, passado e futuro Umutina.


Parte da exposição

Parte da exposição

Parte da exposição

Parte da exposição "A História Umutina". (Foto: Arquivo do Museu)

Para o andamento das exposições, alunos e professores se voluntariam. Não há uma divisão de funções definida. Todos auxiliam em todos os processos. Quando artistas de fora participam, desde a primeira conversa é informado que é um trabalho voluntário, sendo cedido transporte, alimentação e pouso na casa de algum estudante. João Mario conta que, mesmo sendo um trabalho sem remuneração, os artistas ficam maravilhados ao expor em uma cidade do interior que não conheciam e ajudar a acrescentar na bagagem cultural do município.

Percepções

João Mário é o coordenador do projeto e se mostra satisfeito com os resultados até o momento. Conta, com ânimo, que os principais visitantes são crianças e adolescentes levados por professores de escolas da cidade, e que, durantes as visitações, os alunos gostam de afirmar quantas vezes já foram à Casa Borges, normalmente, mais de uma vez. Mário lembra o caso de uma criança que faltou a aula no dia em que sua turma visitou o museu e no outro dia fez sua mãe a levar para ver a exposição. O coordenador acredita que “com o museu, eles (alunos) começam a abrir a cabeça. Só pelo fato ver que um desenho ou uma obra de arte pode ser uma profissão, pode ser uma atividade cultural, eles começam a ver as coisas de outra forma”.

Alunos de escolas municipais em visitação a Casa Borges. Foto: acervo da coordenação do Museu.

Alunos de escolas municipais em visitação a Casa Borges. Foto: acervo da coordenação do Museu.

Alunos de escolas municipais em visitação a Casa Borges.

Alunos de escolas municipais em visita ao museu. (Foto: Arquivo do Museu)

Para a bolsista e estudante de arquitetura e urbanismo, Viviane Pereira Dourado, 24, a Casa Borges é um “espaço de transformação, um espaço de ressignificação, por trazer essa questão do passado, por se tratar de uma casa que já esteve presente na função de habitação e hoje ela está na função de expor artes, histórias e vidas”. Como afirma a estudante, o museu gera transformação ao chegar aos moradores da cidade, que pela primeira vez, têm contato com sua própria história e arte, organizadas em forma de exposições.

Viviane é vinculada como bolsista universitária dentro da Casa Borges. A jovem conta que sua função começa na limpeza e vai até a organização, e que o projeto também a ajudou a desenvolver sua comunicação oral e relações sociais.

A Casa também abre espaço para os artistas da cidade, como é o caso de Elaine Cristina, 41, desses, 33 morando em Barra do Bugres. Elaine é artesã e produz bordados em ponto cruz e livre. A artista conta que foi maravilhoso expor no museu. Além de mostrar suas obras e vendê-las, bordou no local e falou sobre sua arte. Elaine ressalta a importância da Casa Borges na valorização dos artesões locais, mas pensa a frente, ao afirmar que seria interessante o desenvolvimento de um ponto dos artesões no município.

Futuro

O projeto segue renovado para o próximo ano. De acordo com o coordenador, o calendário de exposições para 2020 ainda está no forno, sendo organizado junto à Secretaria de Educação e Cultura da cidade de Barra do Bugres, que é parceira do projeto.
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