29/01/2020 às 17h18min - Atualizada em 29/01/2020 às 17h18min

Fenômeno drag se torna porta de entrada para ascensão do público LGBTQ+

Gloria Groove, RuPaul e Pablo Vittar são referências

Deborah Livia - Editado por Alinne Morais
Pabllo Vittar e Gloria Groove (Reprodução/Instagram e Gisele Alquas)
O Brasil, em contrapartida aos altos índices de violência contra o público LGBTQ+, avança na valorização da cultura dragqueen. O movimento, muito diferente do que é hoje, nasceu na Grécia Antiga. Somente os homens podiam realizar apresentações, sendo assim, as mulheres eram interpretadas por homens vestindo trajes femininos. O público gay ressignificou o movimento como forma de luta contra a repressão da sociedade. 

Mas, por trás de todo glamour na montagem das personagens, a realidade do público é outra. Os números da violência contra a comunidade LGBTQ+ são alarmantes. Segundo dados levantados pelo Grupo Gay da Bahia, a cada 20 horas um LGBTQ+ morre de forma violenta no Brasil, o que torna o país referência mundial de violência contra essa minoria. 

Outro fator que chama atenção é a idade das vítimas, muitos têm menos de 18 anos de idade. Esses jovens veem na cultura drag uma forma de escape para toda pressão psicológica e discriminação sofrida desde a infância, por serem afeminados ou por simplesmente não seguir os padrões heteronormativos impostos pela sociedade. Artistas como Pabllo Vittar e Glória Groove no Brasil tem sua arte disseminada de forma ampla na televisão e na internet, com a valorização do pop, tornando-se referência nacional para a minoria sexual brasileira.

ARTE

Gloria Groove no Bloco das Gloriosas (Fonte: Divulgação do Google QUEM/Reprodução: Cláudio Augusto/ Brazil News)

Gloria Groove no Bloco das Gloriosas (Fonte: Divulgação do Google QUEM/Reprodução: Cláudio Augusto/ Brazil News)

Gloria Groove no Bloco das Gloriosas (Fonte: Divulgação do Google QUEM/Reprodução: Cláudio Augusto/ Brazil News)


Para compreender melhor o que é esse fenômeno, é necessário entender primeiramente o que é uma drag queen. A sigla deriva do termo Dressed Resembling a Girl (vestido semelhante a uma menina). É importante reconhecer que trata-se de uma arte, ou seja, pessoas cisgênero, mulheres, que passam a ser de chamadas “dragkings”  ou homens também podem ser e se travestir como tal.

Por isso, essa arte ligada ao público LGBTQ+ é ampla, indo além de maquiagens exageradas e performances extravagantes. RuPaul, a dragqueen mais influente do mundo, é a idealizadora de um dos maiores realitys de sucesso do mundo, o "RuPaul's Drag Race". No ar desde o ano de 2009, o programa é sucesso absoluto. Com apresentações de batalhas entre dragqueens que envolvem comédia, mas também todos os dilemas por trás da produção. 

Já conta com 11 temporadas nos Estados Unidos, chegando ao Brasil quebrando diversos paradigmas e ampliando o conhecimento sobre o que é ser dragqueen, além de ser o ponto de partida e inspiração para diversas artistas brasileiras.

No Brasil, a arte já ultrapassa o nicho LGBTQ+, o que antes era voltado apenas para casas de shows e boates para esse público, aos poucos têm chegado a shows importantes e festivais de destaque. Pabllo Vittar, no Spotify, conta com, pelo menos, um milhão de reproduções nas suas músicas.Outro nome importante é Gloria Groove, em 2019, liderou o Bloco das Gloriosas, um dos maiores blocos da cidade de São Paulo.

O contexto político e social brasileiro não é tão favorável para o avanço cultural do público LGBTQ+, porém, ter artistas reconhecidas em extensão nacional, na TV aberta e na internet contribui para a quebra de diversos preconceitos, o debate sobre o assunto segue aberto. A cultura drag é uma forma de resistência da comunidade, a carga social e a responsabilidade de cada artista em ascensão é de extrema importância para as futuras gerações.


REFERÊNCIAS

MUNIZ,
Victor. Drag é arte, é ativismo, e é para todxs! Todxs, 26 de abril de 2018. Disponível em: https://medium.com/todxs/drag-arte-ativismo-6d9897a92d9c

POPULAÇÃO LGBT MORTA NO BRASIL. Relatório GGB 2018. Disponível em: https://grupogaydabahia.files.wordpress.com/2019/01/relat%C3%B3rio-de-crimes-contra-lgbt-brasil-2018-grupo-gay-da-bahia.pdf

G1. Drag queens: A história por da arte por trás de homens vestidos de mulher. 06 de Outubro de 2017. Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/drag-queens-a-historia-da-arte-por-tras-de-homens-vestidos-de-mulher.ghtml
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