25/05/2020 às 22h56min - Atualizada em 25/05/2020 às 22h56min

A questão da leitura no Brasil

Hábito de leitura é maior entre jovens e perde força entre mais velhos.

Luhê Ramos - Editado por Letícia Agata
Imagem retirada do portal online Sites Bacanas
Ao longo de alguns anos, pudemos perceber a queda na leitura e no consumo de livros no Brasil. Porém, mais recentemente, pôde-se perceber que esses números tem crescido novamente e que se concentram principalmente entre os jovens. Fato esse se relaciona com a falta de tempo dos mais velhos e o desinteresse relacionado aos seus anos escolares. 
 
Segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-Livro em 2016, a quantidade de livros lidos por habitante tem aumentado ao longo dos anos. Eram 4,96 livros no ano da pesquisa, incluindo nesse número livros não terminados e os lidos por obrigação. O número real seria de 2,43 livros. Ademais, no estudo é possível constatar que a taxa mais elevada de leitores no Brasil encontra-se entre os mais novos. 
 
A pesquisa do Instituto Pró-Livro mostrou que a porcentagem de leitores nas faixas abaixo dos 18 anos apresentadas se mantinha acima dos 60%. Porém, quando se chega à faixa de 40 a 49 anos, por exemplo, 52% dos entrevistados se declararam não leitores e os números só diminuem com o aumento da idade. A falta de hábito da população tem a ver tanto com a falta de tempo na fase adulta quanto com a falta de estímulo no período escolar. 
            
A obrigação de ler livros didáticos com linguagem difícil e o fato de as escolas muitas vezes não prestarem atenção nos livros que possam interessar aos alunos, faz com que no decorrer do tempo eles perdam o interesse. Além disso, a falta do hábito também se encontra na falta de tempo. “Além da questão de gosto, tem a questão do tempo”, declarou o entrevistado Victor Santos. “Adultos não tem tempo para nada. Vinte e quatro horas é pouco”. 
 
De acordo com declaração de Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, para o veículo Edição do Brasil, o hábito de leitura deveria se dar em casa e na escola. Entretanto, como completou Torelli, a instituição de ensino não é propicia para tal, por causa das indicações literárias, que são encaradas como desafio pelo aluno. A entrevistada, Luiza Lopes, opinou que “o indivíduo, ao iniciar uma leitura que apresenta linguagem rebuscada, muitos não enfrentam o desafio e deixam o livro de lado.” 
 
Para João Luís Ceccantini, doutor em letras, a escola costuma incentivar a leitura no ensino fundamental, mas do 6o ano em diante esse incentivo se torna mais distante (segundo entrevistada dada para a Folha de S.Paulo). Luiza Lopes sugeriu que “a escola tem um papel importante para o Brasil alcançar um percentual maior de leitores”, e que “ao estimular a leitura em todas as fases escolares, a atitude de leitura pode tornar-se um hábito nas próximas gerações”.  
 
O advento da tecnologia deveria ser um fator que alavancasse a prática da leitura, mas não houve um aumento significativo na leitura de livros, especificamente. O tempo limita, a falta de um incentivo escolar preocupado e dos responsáveis também. A leitura é importante para a criação de senso crítico e capacidade de discussão, além de sempre ter “muita coisa a ensinar”, como constatou a entrevistada Mariana Fartura e "ser ótimo para manter vocabulário e gramática atualizados". Mesmo assim, os dados da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” mostram que 44% da população brasileira não tem o hábito da leitura. É um assunto que ainda deve ser discutido e avaliado para melhores resultados. 
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