05/10/2020 às 02h05min - Atualizada em 05/10/2020 às 01h02min

Em entrevista, Keiviany Sena conta sobre seu novo livro: Miudezas

Segundo lançamento da autora reúne contos de sua autoria voltados para crianças e jovens.

Ana Thereza Amaral - revisado por Jonathan Rosa
(Capa do livro "Miudezas". Reprodução: Editora Quase Oito)

No dia primeiro de outubro de 2020, foi lançado o livro “Miudezas”, de autoria da promotora de justiça Keiviany Sena. O lançamento ocorreu no formato online, devido ao atual estado de pandemia, através de uma live no YouTube, no canal da editora Quase Oito, responsável pela publicação do livro. A obra é um compilado de contos voltado para o público infanto-juvenil.
 


Esse é o segundo livro lançado da autora. Seu primeira obra “O fantástico quarto de Juca” — que é mais direcionado ao público infantil — foi lançado em dezembro de 2019 em Natal (Rio Grande do Norte), e em março de 2020 em Fortaleza (Ceará), de maneira totalmente independente. Além disso, todo o valor arrecadado com as vendas foi revertido para caridade, ação que se relaciona completamente com o tema do livro, uma vez que aborda a empatia de maneira didática para crianças.

 

Com as ilustrações de Patrícia Melo, junto a uma escrita simples e clara, Miudezas cativa leitores de qualquer idade, mesmo sendo direcionado para o público infanto-juvenil. Cada um dos 16 contos do livro aborda um tema diverso sobre situações comuns na infância e na adolescência.

 

Keiviany nasceu em Fortaleza, Ceará, mas mora em Natal, no Rio Grande do Norte, há 20 anos. Além de escritora, ela é promotora de justiça e mãe de Mariana e Beatriz, que são sua principal fonte de inspiração. A autora também publica ocasionalmente alguns de seus textos em seu perfil no Instagram

 

Em entrevista, Keiviany conta a respeito de sua experiência com o lançamento do livro:

 
Ana Thereza: O que te motivou a escrever o livro "Miudezas"?
 
Keiviany Sena: Durante a quarentena eu fiz alguns cursos de escrita criativa e um, em específico, sobre contos. Esse curso reavivou em mim o carinho pelas narrativas curtas, de enredo único que eu tanto tinha lido anos atrás. Clarice Lispector, Julio Cortázar, Rubem Fonseca, Garcia-Roza, todos esses autores fizeram parte do meu repertório literário. A partir desse resgate, nasceu o desejo de escrever algo nesse formato, mais voltado para o público infanto-juvenil.


A.T.: Qual o significado, para você, do título "Miudezas"?

 

K.S.: A designer responsável pelas ilustrações, Patrícia Melo, tem uma frase que traduz bem o espírito do livro: “Enxergar grandeza nas Miudezas”. É um chamado para que nos detenhamos ao ordinário do cotidiano. A vida não é feita de eventos pirotécnicos, mas de uma sucessão de espetáculos miúdos. Precisamos ficar atentos a eles.

A.T.: Como foi o processo de escrita do livro?

 

K.S.: Alguns contos foram escritos e forma aleatória ainda sem um projeto definido. Outros, como exercícios dentro dos cursos de escrita criativa. Mas tão logo eu defini que escreveria um livro de pequenos contos, as histórias foram surgindo naturalmente. 
 

A.T.: Quais foram as principais inspirações para os contos?

 

K.S.: Inegavelmente, o fato de eu ter duas filhas, Mariana e Beatriz, contribuiu para que estivesse imersa nesse universo infantil, mas a inspiração vai para além disso. É o olhar atento para o que nos acontece , o resgate de um fato do passado, um sonho, uma notícia no jornal, tudo pode virar matéria-prima.

A.T.: Seu primeiro livro tinha uma temática infantil, entretanto "Miudezas" é direcionado para um público um pouco mais maduro. Por que resolveu mudar o seu público leitor? E houve dificuldade nessa mudança?

 

K.S.: Talvez o desejo inconsciente de que minhas filhas continuem lendo os meus livros. Mas não foi apenas isso. Estou mergulhada nas angústias e inquietações típicas da idade delas. Foi natural que isso acabasse reverberando na minha escrita.  


A.T.: Ainda comparando com seu livro anterior,  "O fantástico quarto de Juca"  foi lançado de maneira independente, já "Miudezas" está sendo lançado por uma editora. O que te motivou a fazer essa mudança? E quais as diferenças você sentiu entre essas duas formas de lançamento?

 

K.S.: Autopublicação é uma experiência para os fortes porque cabe ao escritor protagonizar todo o processo da escrita até a distribuição. Foi uma experiência trabalhosa, mas me fez compreender um pouco a dinâmica da cadeia do livro. Com o Miudezas eu quis viver a experiência de passar pelo crivo de um editor e também ter a segurança e comodidade de que  todo o processo de  revisão, ilustração, diagramação e distribuição  fosse feita com quem tem a expertise para tanto.  

A.T.: Quais foram as maiores dificuldades que você teve no processo de criação da sua nova obra?

 

K.S.: Eu não queria apenas um apanhado aleatório de contos então o desafio foi fazer uma triagem das histórias que tivessem uma unidade interna, uma espécie de fio invisível que os conectasse.

 

A.T.: Por fim, qual mensagem você pretende deixar para os leitores de "Miudezas"?


K.S.: O primeiro e o último conto do livro tem uma relação com o relógio, uma metáfora para a vida que corre. Então a pergunta que fica é: O que estamos fazendo com o que acontece nesse intervalo?

Para comprar o livro "Miudezas" no site da Editora Quase Oito, clique aqui.

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